McGarrity, Mark. “A criadora de Harry Potter encontra seu público: a autora J.K. Rowling responde as perguntas de estudantes em uma escola de Montclair”. The Star-Ledger, 16 de outubro de 1999.
J.K. Rowling é um fenômeno literário. Os seus três livros da série infantil de Harry Potter são atualmente os números 1, 2 e 3 nas listas de mais vendidos de ficção dos jornais Wall Street Journal e New York Times, onde seu primeiro livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal“, já está há 42 semanas. O recorde de romances infantis era do clássico de E.B. White de 1952, Charlotte’s Web, que ficou nas listas por apenas 3 semanas. A série de Harry Potter conta a história de um garoto de 11 anos que ficou órfão quando era um bebê e cresceu para descobrir que é um bruxo e que seus pais também eram. Essa semana, a autora britânica visitou a Academia Kimberley Montclair, em Montclair, onde ela fez uma leitura, autografou livros e respondeu algumas questões preparadas por alunos de varias séries. Essa foi a única escola em que Rowling parou em sua turnê pela América do Norte para autógrafos. Algumas das perguntas e respostas de Rowling estão a seguir:
Rebeccah McCarthy: Como você escolheu o nome dos personagens?
J.K. Rowling disse que dois terços foram inventados, como Hagrid e quadribol. Os outros são nomes que ela coleciona. “Geralmente eles aparecem no livro”, ela diz, notando que o último nome da tia e do tio de Harry, Dursley, é também o nome de uma cidade na Inglaterra. “Simplesmente diga a palavra em voz alta. Não soa chata e proibitiva?”. Rowling deu um nome fleumático e entediante para a tia e o tio que cuidaram de Harry Potter depois que seus pais que eram bruxos foram mortos pelo malvado Voldemort.
Marshall Paulson: Quando você era criança, você se inspirou em algum autor em particular?
Rowling disse que amava os livros de E. Nesbit e que queria saber se alguém no público conhecia seus trabalhos. Ninguém conhecia. (Edith Nesbit morreu em 1924, escreveu “Beatiful Stories From Shakespeare“, “The Story of the Treasure Seekers” e “The Wouldbegoods” entre outros títulos. Alguns de seus livros estão disponíveis na internet pelo The Gutenberg Project. Rowling disse também que se inspirou nos livros de C.S. Lewis e Paul Gallico.
Julia Moore: Alguma das suas histórias foram baseadas em memórias de sua vida ou de pessoas que você conhece?
Rowling disse que Hermione é uma versão muito exagerada de ela mesma aos 11 anos de idade. Mas ela não era tão inteligente e chata. Ela disse também que criou o Professor Snape baseado em seu professor de química, que a detestava e tornava sua vida miserável. “A grande vantagem de ser escritora é que você tem uma chance de se vingar daqueles que um dia erraram com você”.
Stephen Hughes: Você fez alguma pesquisa sobre costumes dos bruxos?
Rowling disse que sempre se interessou em ler sobre lendas folclóricas e sobre a existência de seres e experiências sobrenaturais. “Embora eu não acredite nisso, nós não devemos ser tão arrogantes. Algumas das coisas que eu acredito são consideradas lixo, enquanto as coisas que eu não acredito são mais valorizadas ou consideradas verdadeiras”. Depois de começar a escrever a saga de Harry Potter, Rowling pesquisou mais sobre as coisas dos bruxos, disse ela.
Tom Houseman: Você acha que alguém na vida real pode ser tão mal quanto Draco Malfoy ou Voldemort?
Rowling disse que seu instinto diz que provavelmente não exista, mas que não pode responder essa pergunta sem antes contar o que pode realmente acontecer na história. Rowling disse que nos livros futuros ela vai tentar mostrar porque Voldmort é quem ele é hoje.
Danielle Rode: Quantas vezes você reviu os livros de Harry Potter? Que tipos de revisões você faz neles?
Rowling respondeu “Eu re-escrevo muito”. Os capítulos de abertura são os que lhe dão o maior trabalho. “Para ‘Pedra Filosofal‘ eu escrevi 10 capítulos de abertura diferentes”, ela diz. “Eu os guardei dentro de uma caixa em algum lugar, eu acho”.
Hal Garrity: Quando foi que você decidiu que escrever seria seu emprego principal?
Rowling disse que “escrever foi sempre minha ambição. Aqui está a receita para a vida, encontre o que você faz de melhor e descubra uma forma de ganhar dinheiro com isso”. Rowling acrescentou que ela fica mais feliz do que nunca quando escreve nove horas por dia.
Rowling também disse que quando decidiu abandonar sua carreira de professora para escrever em tempo integral, ela anunciou sua saída aos alunos, que eram quase todos filhos da classe trabalhadora. Ela disse que um aluno perguntou: “A senhorita vai viver do seguro desemprego?” “Não”, ela respondeu “Eu tenho outra carreira”. Depois de uma pequena pausa um outro estudante perguntou, “A senhora vai ser uma dançarina de strip-tease? Ao invés de dar ao garoto uma detenção em seu último dia como professora, ela agradeceu a ele o elogio.
Traduzido por: Pituh 2 em 12/01/2006.
Revisado por: Patrícia Abreu em 08/05/2007 e Vinicius Alvarez em 12/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 03/05/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.