Carabine, Michelle. “Tão feliz quanto Harry no Cafe Society”. Evening News (Edimburgo), 7 de dezembro de 1999
A criadora de Harry Potter, J.K. Rowling, disse hoje que ela ainda ama escrever nos cafés de Edimburgo apesar de sua decolagem meteárica para a fama.
Rowling escreveu muito de seu primeiro livro da série no Nicolson’s que fica na rua Nicolson, com sua filha Jessica ao seu lado num carrinho de bebê.
A mulher de 34 anos reclamou no passado sobre a imagem da mãe solteira rascunhando em uma cafeteria, apenas para se manter fora de seu apartamento úmido.
Mas numa entrevista Rowling disse que continua preferindo escrever nos cafés de Edimburgo.
Quando perguntada sobre o futuro, a autora disse: “Eu quero terminar os livros e deixá-los o melhor possível. Eu continuo morando em Edimburgo porque eu amo a cidade, e minha filha está muito feliz”.
“Aqui também tem ótimos cafés pra escrever, e eu aprendi agora a não dizer para todos sobre os cafés onde escrevo, porque causaria muito tumulto”.
“Eu demorei um pouco pra perceber isso”.
Rowling acabou de começar a ler seus livros para Jessica. “Eu comecei a lê-los para ela alguns meses atrás e ela realmente os ama. Ela já está até pedindo para que seu quarto tenha uma decoração como de Hogwarts, mas eu vou esperar algumas semanas para ver se é isso que ela realmente quer”.
Jessica, de 6 anos, estuda na escola primária local, e para seus amigos, Rowling é apenas uma mãe como qualquer outra.
A autora explica: “As crianças mais velhas é que se impressionavam quando eu ia á sua escola, porque elas liam meus livros na sala de aula”.
Desde 1997, os livros de J.K. Rowling sobre Harry Potter, o aprendiz de bruxo, venderam mais de 30 milhões de cópias, foi traduzido para 28 línguas e ganhou £14,5 milhões.
Mas ela parece estar ainda maravilhada com sua fama.
“Isso superou tanto minhas expectativas, que ás vezes é meio assustador”, ela admite.
“Eu nunca esperei que o interesse se focasse em mim e isso não tem sido uma experiência confortável”.
“O ápice da minha ambição era um dia entregar meu cartão de crédito a uma vendedora e ela dizer ‘Oh meu Deus, você escreveu meu livro preferido'”.
Apesar dela não se sentir tentada a “matar” o fenómeno Harry Potter, ela continua dizendo que o número de livros na série está limitado ao número magicamente significativo: sete.
“A única coisa que eu devo fazer depois é um guia do mundo mágico, e todos os personagens secundários, porque eu tenho todas as suas histórias”.
Rowling criou um vínculo forte com seu personagem Harry, se referindo aos prêmios que os livros ganham como coisas que ‘nós ganhamos’.
Quando ela terminar o sétimo livro, ela terá escrito sobre o aprendiz de bruxo por 13 anos.
Então como será sua vida sem Harry?!
“Vai ser como se alguém tivesse morrido”, ela confessa. “Tem coisas sobre o fenômeno Harry que não me farão falta, mas o Harry em si e escrever sobre ele… é… vai ser como se alguém tivesse morrido”.
Mas a carreira de escritora de Rowling não morrerá. Ela diz: “eu tive outras idéias, mas apenas as rascunhei e as arquivei, Harry é um projeto que me consome todo o tempo”.
Mas quando ela tiver mais tempo, ela planeja desenvolver essas idéias, algumas das quais são livros para crianças e outras para adultos.
Enquanto isso, a Warner Bros. comprou os direitos pra fazer os filmes de Harry Potter e Rowling já participou um pouco da produção.
“Warner Bros. tem sido maravilhosa e ouvido as coisas que eu falo. Eu acho que eles me consideram bastante até. Eu sei que minhas idéias estão sendo ouvidas”.
Traduzido por: Kaede Shirakawa em 17/01/2006.
Revisado por: Patrícia Abreu em 07/05/2007, Vinicius Alvarez em 19/02/2008 e Antônio Carlos de M. Neto em 22/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 04/05/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.