HARRY MELLING
Entrevista com o ator Harry Melling

Marcelo Forlani ~ Omelete
2003

Vocês já estão filmando com Alfonso Cuarón?
Richard Griffiths: Na verdade, nós já terminamos. O único motivo porque nós estamos aqui é porque eles não precisam da gente no set.

Qual a diferença entre Cuarón e Chris Columbus?
Richard: Não dá pra dizer ainda. Nós somos a parte chata da história, os trouxas. Claro que tem a diferença básica, que é a forma como cada um trata o projeto e todos nós sabemos que a história vai ficando cada vez mais sombria a partir de agora. O que eu achei interessante é que Alfonso nos mostrou que deveria haver mais medo. Harry está cada vez mais poderoso. Nós não somos mais uma ameaça para ele. Agora ele consegue se virar sozinho de uma forma bem amedrontadora. No começo nós éramos malvados. Agora, nós queremos ser, mas não temos mais este poder. Ficamos o tempo todo com medo de que Harry vai fazer algo com a gente.

É difícil ser um Dursley na vida real?
Harry Melling: Na verdade, as pessoas praticamente não me reconhecem como o Duda, o que é ótimo. Provavelmente seria bem ruim se elas soubessem.

Richard: O que ninguém sabe sobre o Harry é que ele veste esta roupa engordativa que o deixa gigante. Quando ele põe esta roupa se torna Duda Dursley, mas no fim do dia, ele tira e volta a ser esta criança normal, saudável. Eu não tenho este problema (batendo com a mão na enorme barriga – risos).

Você gostaria de ser Harry Potter, para mudar um pouco?

Harry: Não. Eu gosto do Duda. Eu gosto de interpretar pessoas malvadas (risos).

Como você acha que as pessoas vão reagir a este Potter mais sombrio?
Richard: As histórias estão ficando mais sombrias e eu acho que é isso que as torna mais atraentes. Porque as pessoas que viram o primeiro filme tinham 13, 14 anos e elas estão crescendo junto com a história. Então é natural que os filmes tenham de crescer também e se tornarem mais maduros e complexas. Claro que sempre haverão novas crianças de 10 anos para ver o primeiro filme e repetir o ciclo. Eles não poderiam usar as mesmas pessoas e repetir as histórias mudando só um pouco. Não teria a menor graça.

No quarto livro começam a surgir até os probremas normais em relação à sexualidade. Os hormônios estão mudando estas crianças. Mas acho que tudo começa em o Prisioneiro de Azkhaban.

E sobre o quarto filme?
Richard: Espero que ele seja feito. Quando assinei o contrato para o primeiro, havia uma opção de que eu poderia fazer os quatro. Mas a diferença entre esta opção e realmente filmar é muito grande. A primeira coisa é que os produtores têm de decidir fazer o filme.

Provavelmente se este filme for bem, eles devem fazer o próximo. Não sei o que vai acontecer, mas esta produção é algo gigantesco. Por um lado, você acha que não tem como não haver um quarto filme pois há muito dinheiro investido aqui. Mas eu já vi projetos que estavam sendo filmados serem cancelados. Do nada as pessoas chegam e falam não temos mais o dinheiro para continuar. Aqui está o seu pagamento, você pode ir pra casa.

E você, Harry, também tem esta opção de fazer o quarto filme?
Harry: Sim. Ganhei esta opção quando assinei o contrato para o segundo filme. Mas como Richard estava falando, é só uma opção.
Richard: Mas é óyimo.Quer dizer que eles gostam de você.

Quanto tempo vocês trabalharam neste filme?

Richard: Nós trabalhamos mais ou menos um mês e talvez tenhamos que voltar mais alguns dias se eles precisarem refazer alguma cena.

Harry, você se dá bem com as outras crianças?
Harry: Sim, sempre. Neste mês que passamos filmando, eu tinha que ir às aulas junto com eles.

Richard: Sim, sempre. Neste mês que passamos filmando, eu tinha que ir às aulas junto com eles.

Participar dos filmes da série Harry Potter estão virando uma rotina pra vocês, ou isso é algo impossível?
Harry: Um pouco. É meio parecido com ir para a escola: você acorda, troca de roupa e vai. Mas claro que é mais legal.

Richard: Acho que as filmagens mudaram bastante. Estão ficando mais complexas e maduras.