Coletiva de imprensa de Nova York – Tradução G.V.Linares
www.harrypotterofilme.com
Abaixo você confere a transcrição da entrevista com o diretor Alfonso Cuarón na coletiva de imprensa que aconteceu em Nova York, Estados Unidos, no dia 24 de maiode 2004, cortesia dos sites Cinecon, DanRadcliffe.com, HPANA, MuggleNet e The Leaky Cauldron:
Quais foram seus pensamentos quando você foi convidado para fazer este filme?
Alfonso Cuarón: Primeiro eu fiquei um pouco surpreso no começo. Um pouco suspeito sobre tudo isso, eu não conhecia Harry Potter. Digo, eu sabia que existia um filme, havia um enorme sucesso de Harry Potter, mas eu nunca tinha lido os livros, eu nunca tinha colocado as mãos nos filmes. Então quando eu li o roteiro, eu imediatamente queria ler o livro e quando fiz isso, eu tinha que fazer este filme. É só o material, o material que é ótimo.
Muitas pessoas dizem que quando é um filme seu, muita coisa é falada sobre a visão, a cimatografia disso e você sente que você colocou muita coisa neste filme que é diferente do que o último?
Alfonso: É diferente porque Chris e eu somos duas mentes diferentes, com virtudes diferentes, falhas diferentes e idéias diferentes, então eu embarquei nisso desde o começo. Eu digo, não é sobre tentar fazer as coisas diferentes ou iguais, é apenas tentar fazer as coisas da melhor maneira que você sabe.
Como você começou trabalhando com as crianças, eu escutei em algum lugar que você trabalhou com Daniel Racfliffe dando instruções sobre Cameron Dias?
Alfonso: (rindo) Não, o que acontece é que eu não acredito em criar muita pressão quando se está trabalhando com crianças. Eu me lembro alguns membros do elenco no cenário no começo, tentando ensinar como tratar as crianças, você sabem, como lidar com elas. E eu apenas escutei elas, mas não concordei com isso porque a última coisa que eu acho… Eu acho que se você as pressionar do jeito que estavam sugerindo, era “Não faça isso na frente das crianças e não faça aquilo, se você for ter uma discussão com qualquer um, vá lá fora, as crianças não devem ver isso” e eu senti que estava patrocinando isso. Elas odeiam isso; elas apenas querem ser tratadas como todas as outras. Elas sabem se eu tiver discutido com alguém, são apenas adultos tendo estúpidas discussões, e esse é o relacionamento que eu tenho com elas, era apenas ser bastante honesto. Eu tive que maneirar meu linguajar um pouco, porque tenho a boca muito suja e tive que conter minha língua em inglês, porque eu continuei dizendo algumas coisas em Espanhol e eles até aprenderam um pouco de xingamentos em Espanhol. Mas isso foi a única coisa, mesmo se eu xingasse e eles não poderiam ouvir isso antes, eles apenas continuavam andando. Na verdade, esse foi o único problema em nosso relacionamento, eles podiam xingar e eu não (rindo).
O que você teria feito de diferente se você pudesse filmar para conseguir uma censura 12 anos? Como se você fosse filmar para conseguir esta censura.
Alfonso: Diga-me, porque seria melhor se fosse uma censura 18 anos? Se você quiser ver uma censura 18 anos, nós podemos conversar (rindo). 12 anos, por favor! Eu não quero que seja 12 anos, eu não estou interessado em 12 anos porque uma coisa que eu adorei no universo de Harry Potter é que pode ser assustador mas não violento. Eu acho que eu não sei o que significa a diferença entre 12 anos e Livre.
É apenas uma censura um pouco mais madura.
Alfonso: Sim, mas eu não sei, eu não sou um censurador, eu não sei como eles pensam. Eu passei por todo o processo de censura, todas as censuras dos meus filmes anteriores e é tão besta o jeito que os filmes são censurados. E assim, eu digo, não faz nenhum sentido. Eu não entendo porque filmes violentos são normais para crianças e algumas outras coisas bobas não são boas para elas, eu não entendo. Então, em termos de censura, eu sou muito ruim, muito ruim. Eu tenho que dizer que não faria este filme de alguma outra forma. Na verdade, o estúdio estava me encorajando a fazer mais sombrio e até mais assustador, mas eu queria manter o balanço que eu tinha, você tem os aspectos assustadores, mas também tem o humor, e isso o tempo todo não é diferente dos livros de Harry Potter. Eles podem ser assustadores, mas você está despreocupado porque sabe que está em um lugar seguro e definitivamente tentando evitar a violência.
Você já fez outras duas adaptações enormemente aclamadas, A Princesinha e Grandes Esperanças, como esta adaptação foi diferente das outras?
Alfonso: Primeiro de tudo, você está lidando com um fenômeno contemporâneo que é Harry Potter. A Princesinha e Grandes Esperanças eram do Século 19 e estamos falando não do Século 20, mas do 21, então existe muita coisa, existe uma vida sobre o que você está fazendo, você está lidando com alguma coisa que está muito viva e está nas consciências de milhões e milhões de pessoas. Então, eu acho que, além disso o processo é basicamente o mesmo. Digo, eu estou mais orgulhoso dos outros dois, no caso de A Princesinha em termos de adaptação, um trabalho mais rico em adaptação, é basicamente a mesma coisa que tirar o espírito do livro para contar a história, aquele livro, aquele filme não foi literal, teve muitas liberdades em termos de adaptação. Mas eu acho que é isso, mas agora eu tive a oportunidade de trabalhar com Steve Kloves e ele é um mestre em fazer este tipo de coisa. Então muito de adaptar é sobre discriminação – o que você irá manter e o que você irá não irá manter. E, quanta coisa que você adoraria manter mas que não é necessário, como tornar isso necessário.
Houve alguma coisa que você desejou que não precisasse cortar, que você gostaria de ter mantido?
Alfonso: Sabe de uma coisa, eu estou muito feliz com o filme do jeito que está. Na verdade, eu não consigo assistir meus filmes porque eu quero continuar cortando eles. Para mim é provavelmente mais sobre ficar cortando eles do que acrescentar.
Houve alguns desafios para fazer este filme?
Alfonso: Os desafios são a duração do processo, esse é o maior desafio e manter seu ritmo, seu vigor, o entusiasmo e o amor pelo que você está fazendo. É um processo tão longo, e o processo é muito longo e o progresso muito de vagar. Então é muito sobre ter paciência, e uma coisa que eu aprendi neste filme, porque eu realmente acredito que para cineastas a única razão de se fazer um filme não é ter a intenção de fazer um filme bom ou ruim, mas apenas perceber o que você aprendeu para fazer o próximo. E o que eu aprendi é confiar no processo.
Foi estranho ter Chris Columbus como um produtor sabendo que ele foi o diretor anterior?
Alfonso: Foi fantástico, isso foi outra coisa incrível. Antes de tudo, Chris montou todo o circo, você sabe, ele que colocou tudo junto, ele teve que construir a cozinha e comprar todos os diferentes ingredientes e cozinhou duas refeições e então me deixou para cozinhar uma terceira. Então eu tinha a cozinha e os elementos no lugar, e isso foi muito divertido. Também, com a experiência dele nisso, não colocar muito sal nas cenouras, porque elas não irão ficar boas. Foi ótimo, foi incrível.
Então você está de alguma forma triste por não fazer o quarto filme?
Alfonso: Mike Newell está fazendo ele enquanto eu estou falando. Nós tivemos uma conversa, não foi nem uma oferta, apenas uma conversa de como seria e eu imediatamente disse ‘impossível’. Eu não poderia. Eu não sei como Chris disse, ou Peter Jackson em O Senhor dos Anéis. Eu não entendo esse daí, sou muito preguiçoso para isso (rindo).
Então o que você irá fazer a seguir?
Alfonso: Eu acho que eu vou dormir.
Você pode nos dizer um pouco sobre sua teoria de close-up versos ângulos abertos, porque eu achei que isso foi realmente interessante.
Alfonso: Bem, eu me tornei bastante desapontado e muito desencantado por close-up. Eu sou mais do jeito que a Hollywood genérica usa os close-up. Close-up se tornaram uma coisa muito comum. Infelizmente os close-up no cinema contemporâneo de Hollywood perderam sua força. Agora o cinema, a maior parte do cinema é de close-up. E se tornou um comum de regras, eu estou falando de termos de regras, você sabe filmar através das regras. Eu estou mais em tentar observar de uma distância maior um personagem com seu redor e permitir, bastante, que a franqueza transporte o máximo possível. Mas não tem haver com close-up mas ao ritmo dos cortes, a maior parte do cinema contemporâneo é um corte a cada meio segundo. Aqui, eu estou muito curioso em ver o quanto você pode manter a informação visual. Nos meus filmes anteriores eu fiz mais. Eu digo, as tomadas eram bastante abertas e longas, cerca de 7 minutos de duração. Aqui, por causa da importância do assunto e o tipo de filme que é, você tem que adaptar e servir ao material, mas eu ainda acho que o close-up é muito usado. Em Harry Potter não temos tanto close-up, você irá ter um close-up quando isso for importante para estar ali ou na maioria dos casos irá ter um close-up porque a câmera está muito aberta e eventualmente encontra aquele close-up. Mas não é só sobre close-u, é sobre o que nós chamamos de cobertura. A maioria dos filmes hoje em dia é sobre filmar o máximo possível e então descobrir isso na sala de edição ao invés de ver o filme na sua cabeça, mas filmar o que você já previu na sua mente.
Então, você mencionou que você não tinha lido os livros de Harry Potter antes, mas você é um fã de Harry Potter para o resto da vida agora?
Alfonso: No momento que eu li o terceiro livro, imediatamente eu passei pelo primeiro, eu li 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 (rindo).
Se você fosse convidado para dirigir um futuro Harry Potter, você iria?
Alfonso: Eu adoraria e se ainda tivesse o mesmo elenco, mais do que qualquer coisa. Eu gostei tanto de trabalhar com estes caras…
Você está pensando em trabalhar com eles em outros filmes?
Alfonso: Isso seria ótimo; nós conversamos sobre isso o tempo todo.
Você e as crianças?
Alfonso: Seria muito bom fazer uma história de amor com Emma.
Em alguns anos?
Alfonso: Não uma historia ‘fazendo amor’, mas uma história adolescente de amor, ela seria incrível.
Você a compara a alguma outra atriz que você conheça, em termos de estilo?
Alfonso: Seu estilo, você sabe, ela é muito natural. Ela é incrível e você pode ver neste filme o jeito que ela escuta ao que está acontecendo. Você sabe, Harry pode estar falando e o jeito que ela escuta o que está acontecendo. Eu amo isso em Emma.
Isso é muito algo muito importante para um ator/atriz?
Alfonso: Escutar, escutar é muito mais importante do que falar.