Sobre feitiços
The Sidney Morning Herald
03 de julho de 2009
Tradução: Daniel Mählmann
Revisão: Renata Grando
Conforme o sexto filme chega, o garoto que cresceu como Harry Potter conta à Stephanie Bunbury porque ele vê a sua jornada como uma perda da inocência.
Felizmente para todos, Daniel Radcliffe, ficou de baixa estatura. O rapaz aparentemente nascido para ser Harry Potter, coroado para a vida aos 11 anos de idade, está agora prestes a completar 20, mas ele ainda é um convincente estudante, golpeando o Lorde das Trevas com sua varinha de uma posição bem abaixo, ainda tem tamanho para sentar no joelho do Hagrid se ele se sentisse inclinado para isso. Emma Watson, que interpreta Hermione Granger, se transformou em uma tigresa glamurosa que é o “rosto da Burberry” deste ano; Rupert Grint, também conhecido por Rony Weasley, está fazendo filmes britânicos independentes e conta seu camiho durante as entrevistas.
Mas Daniel Radcliffe é sempre Harry, o garoto esperto com personalidade. Na tela, ele não é apenas um bruxo, mas o garoto decente que enfrenta os capangas da Sonserina. Fora da tela, ele é engraçado e auto-depreciativo, e não uma mini-diva como se poderia esperar. Diga o que quiser sobre escolas públicas: eles se saíram bem em Hogwarts.
A série Harry Potter de JK Rowling foi um marco para toda uma geração de crianças em crescimento: a geração de Radcliffe, na verdade. Então qual é o apelo? “Eu acho que para crianças mais jovens, é a magia que os encanta”, diz Radcliffe. “Mas o que os sustenta – e onde eu acho que a Jo [Rowling] é brilhante – é que ela torna isso mundano. É um trabalho de magia agregada que deixa espaço para os personagens.”
Todos, segundo ele, podem encontrar semelhanças com algum aspecto de Harry Potter. E mais crianças se atraem por Harry o tempo todo, então é improvável que ele desapareça. “É um pouco como Withnail & I”, ele acrescenta com um sorriso. “Com Withnail & I, todo ano há um grupo de estudantes introduzindo o próximo grupo para esse filme.” E, assim como com Withnail & I, alguém poderia acrescentar, há um grande número de pessoas mais velhas que gostariam de estar em Hogwarts que nunca sairão desse mundo.
Seja qual for o segredo, ele está certamente funcionando. Os livros venderam mais de 400 milhões de cópias em todo o mundo, enquanto o filme é a maior megaprodução em série de todos os tempos, com quatro dos cinco filmes lançados até então entre as 20 maiores bilheterias do cinema. No total, a marca Potter vale cenrca de US $14 bilhões. O jovem Radcliffe por si próprio vale mais um pouco, é claro: no final do último filme, ele foi estimado no valor de $41 milhões.
Uma das melhores coisas sobre os livros Potter é a maneira pela qual Harry mudou em uma forma convincentemente adolescente. Ao contrário dos antigos garotos heróis perpetuamente na pré-puberdade, ele tem fortes sentimentos sexual e romântico. Ele também amadurece de outras maneiras. “A maioria das pessoas parece ver esses livros como sendo sobre o bem e o mal”, Radcliffe diz. “Existe isso, mas eu os vejo mais como a história da perda da inocência. É sobre uma criança que vai para esse mundo e acha que tudo é mágico, maravilhoso e surpreendente e, em seguida, percebe que esse mundo é mais obscuro e mais perigoso do que o mundo do qual ele veio. Essa é a sua jornada.”
Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o segundo filme Potter dirigido por David Yates e o sexto na série, Radcliffe diz que Harry começa a tomar medidas reais no sentido de matar Voldemort. Enquanto caminha para a vida adulta, ele está se apegando a seu mundo. “E o seu relacionamento com Dumbledore mudou completamente. Tem sido sempre o do aluno e professor. Agora é soldado e general. Provavelmente o que eu percebi mais nessas filmagens do que em outras é o quanto os riscos agora estão altos.
Os fãs de Potter podem fazer conversas sem fim sobre os relativos méritos dos filmes, mas Radcliffe diz achar difícil distinguir entre eles; para ele, eles formam uma longa história. “Eles se misturam em um. Memso com diretores diferentes. Mas em relação às pessas que eu vejo todos os dias, não mudou muito – maquiagem e figurino têm sido basicamente os mesmo ao longo do caminho. Então não parecem mudanças gigantescas”.
Mas ele de fato pensa que o novo Potter tem os momentos mais negros dos filmes. Ele prefere intensidade, o que parece uma surpresa em alguém que transforma conferências de imprensa em rotinas de stand-up. “Sim, mas isso é aquele nervoso ‘Modo melhor eu começar a fazer piadas'”, ele diz francamente. “Isso é um escape para mim. E também uam coisa de ator. Eu não estou dizendo que todo ator procura chamar atenção, mas eu certamente sim. Então quando eu consigo toda a atenção, suponho que suba à cabeça”. Com o que ele já está sorrindo, ironicamente; Daniel Radcliffe se parece como alguém que nunca deixou nada subir à cabeça em sua vida.