“J.K. Rowling: eu voltarei a escrever livros infantis”. The Telegraph, 06 de outubro de 2012.

A autora, que esteve relutante em afirmar que voltaria para a ficção infantil depois da série Harry Potter, confirmou que seu próximo livro será direcionado aos jovens.

“Como a escritora de Harry Potter, eu estou sempre nervosa em me comprometer com outro livro infantil, mas sim, a próxima coisa que vou escrever será para crianças”, ela disse.

“Eu tenho um monte de coisas no meu laptop atualmente, incluindo um par de coisas para crianças – para uma faixa etária um pouco mais jovem do que tinha em vista para Harry Potter – que estão quase prontas e irão, eu acho, ser a próxima coisa que publicarei. E eu tenho escrito para os meus filhos e eles parecem gostar, o que é sempre um bom sinal.”

“Eu também tenho algumas ideias para outro livro adulto, mas este não está muito avançado (em desenvolvimento).”

“Morte Súbita” foi descrito como um “conto sexual explícito sobre arrogância brutal e hipocrisia burguesa”.

Ambientado em Pagford, uma cidadezinha fictícia no sudoeste da Inglaterra, ele relata os momentos que seguem a morte inesperada de um membro do conselho paroquial desta aparentemente bucólica vila. Também retrata prostituição, vício e estupro.

O romance ficou no topo das listas de mais vendidos, com 2,6 milhões de cópias na pré-venda.

Mas causou opiniões divergentes, com críticos que o descreveram como “tedioso”, “descritivo demais” e cheio de “pessoas más e sem graça, com nenhum pingo de mágica”.

Rowling também foi acusada de hipocrisia ao ridicularizar a classe média, considerada como seu público-alvo principal para os livros de Harry Potter, que venderam mais de 450 milhões de cópias e transformaram-na de mãe solteira falida em uma das autoras mais ricas do mundo, com uma fortuna de 560 milhões de libras.

Em uma entrevista no Cheltenham Literature Festival, no sábado, Rowling reclamou dos críticos, que alegaram que ela tinha deturpado sua visão social no livro.

Ela disse: “Eu não sou particularmente uma pessoa casca grossa. É verdade que muito do que estou contemplando no livro são certamente questões da classe-média, mas então eu acho que é justo e eu sou bem qualificada para tratar o assunto já que sou da classe-média, com a qual eu posso simpatizar”.

“Mas eu acho que alguns críticos têm deturpado meus pontos de vista como mais extremos ou preto-no-branco do que eles realmente são. Eu não acho que sou evangélica em meu trabalho.”

Antes da publicação do livro, no mês passado, ela disse: “Nós fazemos parte de uma sociedade fenomenalmente esnobe, e isso é um material muito rico. A classe média é tão engraçada. É a classe que conheço melhor e é a classe na qual você vai encontrar mais pretensão.” Ela acrescentou que ela “despiu os segredos de todos os seus amigos”.

A autora disse que ela havia decidido retratar diversos adolescentes problemáticos em “Morte Súbita”, para tentar remover o estigma social que os rodeia.

Ela disse: “Nós estigmatizamos muito os adolescentes e os vemos como assustadores e fora de contexto. É um momento frágil da vida. É muito mais difícil ser adolescente hoje do que quando eu era uma adolescente. A internet tem sido um benefício e uma maldição para os adolescentes”.

Rowling, 47, também falou de sua luta contra a depressão, de que ela admitiu ter sofrido ao longo da carreira.

No mês passado, ela revelou que precisou fazer terapia várias vezes para ajudá-la a se acostumar com a fama e a fortuna.

Ela disse: “Eu tenho, sim, uma tendência a andar no lado obscuro à vezes. Eu sofri com depressão, eu sei como é, eu tenho uma inclinação inata para isso. Escrever ajuda muito.”

A autora também disse que o “momento de maior orgulho” de sua vida foi participar da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Londres em julho, quando sentou em uma elevação de terra no gramado do estádio olímpico e leu um trecho de Peter Pan, de JM Barrie.

“Subir naquela pequena colina na cerimônia das Olimpíadas foi extraordinário,” ela disse. “Eu acho que eu vou lembrar daquilo no meu leito de morte. Foi impressionante e eu me senti incrivelmente orgulhosa de poder participar.”

Traduzido por: Luly Miranda em 25 de julho de 2014.
Revisado por: Carolina Portela em 26 de julho de 2014.
Postado por: Daniel Mählmann em 29 de julho de 2014.
Entrevista original aqui