Larry King, “JK Rowling discute o sucesso surpreendente de Harry Potter”, CNN, 20 de Outubro de 2000.
KING: Bem-vindos mais um “LARRY KING LIVE”.
Uma noite toda britênica hoje, Elizabeth Hurley e agora J.K. Rowling, seguro para dizer o maior autora de sucesso do mundo. Ela é criadora de toda a trama de “Harry Potter”. Atualmente, eles estão nos números 1, 3, 4 e 8 na lista de best sellers no “Usa Today” de ontem. Seu mais recente, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é, claro, o número um.
“Potter” foi a primeira coisa que você escreveu?
J.K. ROWLING: Não eu escrevo desde que eu tinha 6 anos, então é isso.
Realmente?
Sim, provavelmente é a 23ª coisa que eu escrevi, realmente.
Livros de crianças.
Não, nunca livros de crianças. Esse é o estranho, eu achava que eu seria uma escritora para adultos, mas “Harry” foi o primeiro que eu tentei com que fosse publicado.
Você nunca submeteu algum livro antes.
Não
Por quê?
Por que eu estava perspicaz o suficiente para saber que eles não valiam muito à pena. Eu acho, você sabe, uma das minhas forças como escritora é que normalmente eu sei quando eu não chego à altura e eu simplesmente sabia que eu não estava pronta.
Então, se as pessoas chegarem e dizer: vamos publicar alguns desses trabalhos…
Ninguém nunca fez isso, mas porque eu deixei muito claro que eles são esperados pelo picador de papéis. Eu não os queria publicados.
Potter é tudo o que você irá escrever?
Não, eu escreverei até não poder escrever mais. É uma compulsão em mim. Eu amo escrever.
Você se lembra como, é possível dizer como uma idéia apareceu. Você se lembra, no entanto, da criação desse conceito?
Sim, veio a mim num trem, indo de Manchester para Londres na Inglaterra e veio de repente. Eu apenas…
O que veio?
A idéia desse garoto que não sabia o que ele era até ele ter 11 e obter o convite para ir a uma escola de bruxos e eu tive uma reação muito física para essa idéia. Eu me senti tão empolgada. Eu apenas achei que seria divertido de escrever.
Então você foi imediatamente e começou a escrever.
Literalmente, sai do trem, fui para casa e comecei a escrever.
Você sabe, J.K., aonde está indo?
Sim.
Você sabe? Você planejou isso?
Sim, eu gastei cinco anos, foram cinco anos antes, entre ter aquela idéia e terminar o primeiro livro e durante aqueles cinco anos eu estava planejando toda a saga dos sete livros, então isso já está escrito em pedra. Foi assim que começou a acontecer.
Agora eles estão rodando um filme, no moomento. Eu cruzei com o Sr. Rickman, que será uma das estrelas do filme.
Sim, ele interpretará Snape. Boa escolha.
Você aprovou o roteiro?
Eu tenho direito de aprovar o roteiro e o roteirista Steve Kloves tem sido inacreditavelmente generoso em me permitir responder as questões. Você sabe, está sendo muito divertido para mim de verdade porque eu vi outro – escrever é uma tarefa muito solitária mesmo que trabalha-se com colaborações em algumas partes – eu quero dizer, é o roteiro do Steven, com eu disse, ele me permitiu dar alguns dados. Sim, está sendo uma experiência realmente interessante.
Mas são maçãs e laranja, filmes e livros?
Muito.
Você não pode filmar um pensamento.
Absolutamente. Absolutamente verdade, e o meu verdadeiro meu de comunicação é definitivamente o romance. Eu provavelmente trabalho melhor sozinha. Eu amo escrever romances. Eu não tenho nenhum desejo em fazer alguma outra coisa
Você gosta do jovem rapaz que eles selecionaram para interpretá-lo?
Eu amo. Dan é ótimo. Foi um processo muito difícil. Descobrir Harry foi muito duro. Foi como achar Scarlett O’Hara, isso. E eu acho que todos estavam ficando levemente desesperados. E eu estava andando pelas ruas de Edimburgo e Londres e olhando para meninos que passavam por mim, com um olhar muito suspeito. Você sabe, eu ficava pensando que poderia ser ele. Então, o produtor e o diretor entraram no teatro uma noite e acharam Dan. E Dan é um ator. E ele é simplesmente perfeito. E eu vi os testes dele, e realmente cruzei tudo para que Dan fosse o escolhido, e ele é.
A pressão será enorme nesse filme com seus milhões de leitores, você tem 48 milhões de livros impressos.
Uh-huh.
Esse filme é um hit garantido para noite de estréia. Quase tem a obrigação de ser bom.
Eu espero que sim
Eu quero dizer, é melhor que…
Obviamente, eu espero que sim porque eu estarei sentada lá como todo mundo, realmente querendo assistir quadribol. Isso é o que eu mais quero muito ver. Eu tenho assistido quadribol que, para as pessoas que não sabem, é um jogo competido em vassouras, um jogo bem complicado. Eu venho assistindo isso dentro da minha cabeça por 10 anos, então ser capaz de assistir isso fisicamente, eu me sinto como uma criança quando eu penso sobre isso.
Alguma coisa sobre a escolha do do nome, Harry Potter?
Harry, Harry sempre foi meu nome de menino favorito ou tem sido durante um longo tempo. E se minha filha tivesse sido um filho, eu já estaria escrevendo “Harry Potter” quando ela nasceu, ela provavelmente seria Harry e então Harry seria chamado de alguma outra coisa porque é muito cruel dar o nome…
É mais comum na Grã-Bretanha? É o nome de um dos príncipes, certo?
Sim, mas não me pergunte se eu o nomeei em homenagem ao Príncipe Harry. Não é um nome tão comum. É um daqueles nomes que é sempre levemente incomum. É um nome bem fora de moda. Eu gosto dele.
Foi popular na América uma época. Nós temos uma música “I’m Just Wild About Harry.”
Claro, sim.
Nossa convidada é J.K. Rowling, criadora de “Harry Potter”. Esse é LARRY KING LIVE. Voltamos com mais depois disso.
NARRADOR: Harry era baixo e magro com olhos verdes brilhantes e cabelos nem negros que estavam sempre desarrumados. Ele porta óculos redondos em sua testa tinha uma fina cicatriz em forma de raio.
Nós estamos de volta com J.K. Rowling. Nós teremos algumas questões. Nós filmamos algumas perguntas pela cidade de Washington outro dia. Mas como todo o sucesso te afetou? Isso tem que te afetar.
Afetou. Obviamente, ele teve um impacto enorme. Não muito no dia a dia. As pessoas devem estar surpresas em escutar isso, mas meu dia é realmente muito o que sempre foi, que é tentado ter tempo para escrever, o que costumava ser difícil porque eu sou uma mãe solteira e eu estava em um emprego durante o dia. E agora está difícil porque o telefone nunca para de tocar então eu ainda saio de casa para escrever. Ocasionalmente, obviamente, você sabe, eu estou no programa do LARRY KING. Isso não era uma característica da minha vida.
Você também não tem mais pressão econômica
Eu não tenho mais pressão econômica. E todo dia pessoas constantemente dizem para mim que essa é a melhor coisa disso, e sem dúvida a melhor coisa é não ter que me preocupar. Quero dizer, todo dia você sabe, ainda haverá mães solteiras por aí, as quais eu acho que vão entender de verdade que nada significa mais pra mim do que o fato que eu não preciso me preocupar mais com isso porque é uma maneira difícil de se viver.
Eu perguntarei mais sobre isso. Mas vamos para a primeira, nós rodamos Washington. Aqui estão questões de uma jovem para J.K. Rowling.
MENINA NÃO-IDENTIFICADA: Eu gostaria de saber de um dos seus personagens da saga de “Harry Potter” são como algum personagem da vida real que você conhece.
Certo. Sim, muitas pessoas foram inspiradas por pessoas reais. Eu tenho que ser muito cuidadosa com o que eu digo aqui porque alguns de meus personagens não são tão agradáveis, mas Hermione, que é um dos melhores amigos de Harry, ela foi muito conscientemente baseada muito conscientemente numa pessoa real, e essa pessoa fui eu. Ela é uma caricatura minha quando eu era mais jovem. Rony, que é outro melhor amigo de Harry, é muito parecido com meu velho amigo, que é um homem que se chama Sean. Eu estava na escola com ele e o segundo livro é dedicado para Sean.
KING: Você acha que também se daria bem com adultos?
Não. Com toda honestidade, eu não pensava que daria certo assim com ninguém. Eu pensei que estava escrevendo um livro bastante obscuro que, se fosse publicado, talvez teria um punhado de devotos porque eu pensei: é o tipo de livro para obsessivos. Eu pensei, bom, talvez algumas pessoas gostarão muito dele. Eu nunca esperei que ele tivesse um atrativo tão amplo.
Você talvez tenha pensado que teria seguidores cult, um pequeno grupo intenso.
Sim, eu penso de se você tivesse me uma múltipla escolha e uma deles fosse aclamada maciçamente e um fosse cult, eu escolheria o cult, sim.
KING: Um grupo, um grupo familiar com uma pergunta para J.K. Rowling gravado em Washington. Assistam.
HOMEM NÃO-IDENTIFICADO: Eu gostaria de saber como você bola os feitiços e se você teve que pesquisar sobre isso; se é algo que você bola inteiramente sozinha, através da sua imaginação ou se é algo que você pesquisou e teve que descobrir, sobre feitiços e poções mágicos?
Eu diria que pelo menos 95 porcento disto é inventado por mim simplesmente do nada. E depoiseu encontro com pessoas em sessões de autógrafo do livro que cochicham para mim, “estamos tentando os feitiços”. E eu penso: Bem não se incomodem, porque eu sei eu simplesmente os inventei. Eles não funcionam.
Mas há uma pequena porcentagem das coisas em livros que é minha modificação sobre o que as pessoas costumava, acreditar que era verdade. Por exemplo, tem um objeto no segundo livro, que é a Mão da Glória. Isto é muito macabro, mas as pessoas costumavam acreditar na Europa que, se você corta a mão de um homem enforcado, iria criar uma tocha perpétua que forneceria luz apenas àquele que a segurasse, o que é assustador, sabe; mas uma ideia maravilhosa. Então eu usei isso. É uma idéia muito antiga. Eu não inventei a Mão da Glória.
KING: Como você pensa para uma pessoa de 11 anos quando você não tem 11?
Porque eu acho isso fenomenalmente fácil para eu pensarem mim de volta àquela idade.
Você pode colocar você mesma de volta aos 11 anos.
Muito facilmente. Isso é de onde tudo vem. Eu frequentemente sou perguntada: Você pega suas idéias das crianças? Você pergunta às crianças no que elas estão interessadas? Não. Isso é inteiramente sobre minhas memórias de infância.
Por que não uma heroína então? Por que não é Helene Potter?
Pergunta muito boa. Eu estava – isso é esquisito – escrevendo os livros por seis meses antes de deu parar e pensar: Bom, ele é um menino. Como isso aconteceu? Por que ele é um menino? Porque ele não é Harriet? E, número um, era muito tarde. Harry era real demais para eu tentar colocá-lo em um vestido. Isso não iria funcionar. Então lá estava a Hermione, e Hermione é uma parte indispensável dos livros e de como as aventuras acontecem.
E ela é tão “eu” que eu não senti nenhuma culpa em manter o herói que tinha entrado em minha cabeça. Você sabe, era inimaginável. Não era consciente. Isso é como aconteceu. Então eu mantive-o dessa maneira.
Nossos momentos restantes com J.K. Rowling. O mais novo, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. O filme qual é o título do filme?
Estão fazendo uma coisa realmente ótima, que é, ele será “Sorcerer’s Stone” aqui e “Philosopher’s Stone” na Grã-Bretanha.
“Sorcerer’s Stone” em todo lugar. Nós voltaremos com nossos momentos restantes; algumas perguntas lá de fora também. Não saiam daí.
NARRADOR: Harry Potter não era um garoto normal. Harry Potter era um bruxo, um bruxo novo em seu primeiro ano na Escola de Bruxaria e Magia de Hogwarts. E, de repente, a varinha de Harry estava vibrando como se uma carga elétrica estivesse avançando por ela. Sua mão se agarrou em volta dela. Ele não a teria soltado se ele quisesse.
KING: Nós estamos de volta com J.K. Rowling. Em nossos momentos restantes, vamos para outra questão. Uma dupla de irmãs estão juntas. Assistam.
MULHER NÃO-IDENTIFICADA: Eu queria saber porque você ou onde você tirou os nomes para certas coisas, como as referências literárias por trás delas, tipo porque é Hogwarts é chamada Hogwarts?
Eu amo nomes, assim como qualquer um que já leu o livro verá simplesmente muito claramente
KING: Você é uma doida por nomes.
Eu sou um pouco doida por nomes. Muitos dos nomes que eu não inventei vêm de mapas. Snape é um nome de um lugar na Grã-Bretanha. Dumbledore é uma palavra de um antigo dialeto inglês para o zangão, porque é uma pessoa musical. E eu imagino-o cantarolando para ele mesmo toda a hora. Hagrid também é uma antiga palavra inglesa. Edwiges era um santo, um santo medieval.
Eu os coleciono. Você sabe, se eu ouvir um nome bom, eu tenho que escrevê-los. E provavelmente irá aparecer em algum lugar
O que você pensa sobre a crítica de alguns elementos dos Estados Unidos, especialmente da direita Cristã, que disseram que este livro é que lida com demônios e coisas?
O que ele lida é com o bem e o mal. E como muito da literatura clássica de crianças, lida com o bem e o mal. Então, meu sentimento é que a objeção deles é completamente sem fundamento. Eu quero dizer, ocasionalmente, eu me pergunto: Eles leram os livros? Eu penso que são livros muito morais.
Se nós formos fazer objeções quanto a descrever mágica nos livros, então nós teremos que que rejeitar C.S. Lewis. Nós teremos que nos livrar o “Mágico de Oz”. Haverá muitos dos vários – terão muitos – os muitos da literatura clássica das crianças não serão permitidos a sobreviver a isso, então eu sou muito contra a censura.
Então, não, eu não posso concordar com o que eles estão fazendo de jeito nenhum.
Em quantas línguas você tem o livro publicado?
Eu penso que é definitivamente em mais que 30. Eu sei que são 29 países. Mas, evidentemente, há dialetos diferentes.
O quanto de correspondência você recebe?
Avalanches de correspondência. É por isso que eu sou… você sabe, são pessoas…
Sim, por que você está aqui? Não há..
Exatamente. Eles dizem isso. Eles dizem isso, algumas pessoas: Por que você ainda está fazendo isso? Eu não estou tentando vender um livro. O que eu estou tentando fazer é alcançar as pessoas, porque eu tenho milhões de leitores, eles me perguntam questões. E então, fazer isso e ser capaz de responder questões desse modo, porque se eu, sabe, se eu visitasse todas as escolas que querem que eu as visite, se eu fizesse leituras em todas as bibliotecas que querem que eu a faça, eu nunca comeria, dormiria, escreveria. Eu nunca veria a minha filha, sabe.
Então essa é uma maneira de alcançar leitores sem fisicamente ter que ir a todos os lugares.
Você acha, Jo; Jo, é seu nome, certo?
Sim.
Você acha, Jo, que a pressão será enorme quando a saga de “Potter” estiver terminada e nós termos seu primeiro livro depois disso?
Nunca escreverei nada popular assim novamente. E eu…
Isso seria impossível.
Seria, eu sou conformada com isso desde que “A Pedra Filosofal” saiu. A coisa toda batida sob meus pés. Eu não esperava tudo isso. E, desta maneira, será O.K, porque eu irei então provavelmente ser a escritora que eu sempre pensei que seria. Eu seria a escritora que eu aspirava ser: alguém que estava apenas continuando calmamente em escrever.
Então, ainda que, seria uma fabulosa experiência, eu não acho que irei chorar quando os jornalistas recolherem suas coisas e voltarem para casa e não quererem falar comigo tão freqüentemente. De verdade, isso não é o que importa pra mim.
Mas você não irá novamente escrever apenas para si mesma?
Eu sempre escreverei apenas para mim mesma. O próximo livro talvez será para adultos. Talvez ainda será para crianças. Se eu sou sempre conhecida com como uma escritora de crianças…
Mas, eu quero dizer, aqueles que você não trará à tona?
Oh, sim, certo. OK.
Eles virão à tona?
Você quer dizer…
Você não mais irá escrever um livro e deixá-lo de lado?
Bem, eu talvez o faça. Eu não sei. Isso poderia definitivamente acontecer.
Está certo. Você não tem que fazê-lo, Jo.
Não, eu não tenho que publicar. Todos nós sabemos disso. A única razão para manter escrevendo agora é se eu realmente apreciar a escrita.
Um grande prazer conhecer você.
Você também. Muito obrigado.
Que o sucesso continue.
Obrigada.
KING: J.K. Rowling, a criadora de “Harry Potter”. Elizabeth Hurley mais cedo. Amanhã à noite: Don Rickles. Obrigado por estar conosco. Tenham um bom final de semana. Eu sou Larry King. Boa noite.
Traduzido por: Juliana Maron dos Santos em 18/10/2006
Revisado por: *Anna* em 22/01/2007 Antônio Carlos de M. Neto em 22/03/08
Postado por: Fernando Nery Filho em 30/04/2007
Entrevista original no Accio Quote aqui.