Grondahl, Paul. “Famosa autora corresponde-se com criança enferma”. Albany Times Union, 22 de dezembro de 2002.
Era uma vez uma garotinha que acreditava em mágica. Ela se apaixonou pelos livros de Harry Potter, que sua mãe lia para ela.
O seu nome era Catie Hoch. Um dia, médicos encontraram um tumor no seu rim. Ela tinha 6 anos. Neuroblastoma, um câncer agressivo na infância, rapidamente se espalhou para seu fígado, pulmões e para a coluna vertebral.
Cirurgiões removeram seu rim e sua glândula supra-renal, três quartos de seu fígado e parte de seus pulmões. Ela suportou sete cirurgias e altas doses de quimioterapia, radiação e numerosos testes com drogas clínicas.
O brilho foi se exaurindo de seus olhos azuis. Ela perdeu seus cabelos loiros ondulados. Os tratamentos fizeram-na ficar violentamente doente.
“Ela nunca se queixou ou se perguntou, ‘Por que eu?’,” disse a mãe de Catie. “Ela era um raio de sol”.
Catie deixou seu pai, dois irmãos mais novos e amigos para trás, no seu lar nos subúrbios de Albany, quando ela e sua mãe se mudaram para Nova Iorque para que pudesse receber tratamentos no Centro de Câncer Memorial Sloan-Keterring.
Catie viajou de trem para a Penn Station vestida como Harry Potter. Doente, assustada e vivendo em um lugar estranho, Catie achou conforto nas histórias de sucesso de J.K. Rowling, onde o bem sempre vencia o mal.
Ela e sua mãe permaneceram na Casa Ronald McDonald por 18 meses, retornando ao lar para visita a cada seis semanas aproximadamente. Elas leram todos os livros de Harry Potter, um após o outro.
Elas estavam próximas do fim do terceiro livro da série, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, quando o médico disse que Catie estava perdendo a luta contra o câncer.
Catie teve um desejo. Ela quis que sua mãe lesse o quarto livro para ela, Harry Potter e o Cálice de Fogo. Mas Rowling ainda o estava escrevendo e este não ficaria pronto em muitos meses. Catie não tinha tanto tempo.
Um amigo de um amigo enviou um e-mail para o editor de Rowling na Inglaterra.
Pouco tempo depois, outro email chegou.
“Querida Catie. Eu estou trabalhando muito intensamente no quarto livro no momento… Em uma parte que envolve novas criaturas que Hagrid trouxe para a classe de Trato das Criaturas Mágicas. Você tem uma personalidade extremamente valente e é uma verdadeira Grifinória. Com muito amor, J.K. Rowling (Jo para qualquer um da Grifinória)”.
Rowling enviou para Catie uma coruja de pelúcia chamada Pigwidgeon (Pichitinho – uma das corujas nos livros), de Dia dos Namorados, com um cartão. Duas semanas depois, Rowling escreveu novamente.
Catie ditou suas respostas à mãe, que as digitou em um computador e enviou para a autora por e-mail. Em geral, Catie falou sobre as complexidades da trama de Harry Potter, de sua família e de seus amigos. E Rowling respondeu.
“Eu amo você ainda mais, por me dizer para fazer o quarto livro longo, porque eu estou preocupada com o quão longo está ficando. Você tem me animado bastante. Muito amor. Sua amiga, Jo XXX”.
Catie resistiu às predições dos médicos e fez aniversário em março. Ela recebeu um cartão e presentes de Rowling, um gato de pelúcia e um livro de interpretação de sonhos.
Chegada a primavera, Catie entrou em coma. Quando acordou, ela pediu à sua mãe que convidasse várias de suas amigas, a quem deu suas bonecas American Doll.
O fim estava próximo. A mãe de Catie informou Rowling através do e-mail.
Uma ligação de telefone chegou no Hoch’s Clifton Park de Edimburgo, Escócia, numa tarde de domingo. Era Rowling. Ela queria ler partes do quarto livro para Catie.
“Nós colocamos Catie no sofá da sala de estar, e Jo leu para ela pelo telefone. A face de Catie se iluminou”, sua mãe recordou.
Rowling telefonara três, quatro ou mais vezes para ler para ela, mas Catie começou a ficar tão mal que ela não pôde receber mais nenhuma ligação.
Catie faleceu no dia 18 de maio de 2000, quanto tinha nove anos de idade.
Três dias depois, Rowling escreveu uma mensagem de condolências.
“Queridos Gina e Larry. Eu estive fora novamente. Eu acabei de receber a mensagem de vocês. Estive rezando para que Catie fosse libertada, que ela fosse onde poderia esperar satisfeita e sem dor por todos nós. Mas não há palavras que expressem o quanto estou triste.
Eu me considero privilegiada por ter tido contato com Catie. Só posso aspirar ser o tipo de pais que vocês dois foram para Catie durante sua enfermidade. Eu estou chorando tão duramente como digito. Certamente, ela deixou marcas em meu coração. Com muito amor, Jo”.
Rowling continuou a escrever para a família de Catie nas semanas seguintes e compartilhou seus sentimentos de aflição e perda.
“Eu vejo os e-mails de Catie para mim e uma felicidade brilha e parece contagiar a todos através de mim. Por favor, não me agradeçam por nada. Eu fiz porque me senti verdadeiramente honrada por ter conhecido sua filha, por mais que tenha sido brevemente. Jo”.
Os pais de Catie, Gina Peca, uma dona de casa, e Larry Hoch, um cobrador de impostos da General Electric Co., estabeleceram um fundo de caridade pública sem fins lucrativos em memória de Catie.
A fundação Catie Hoch arrecadou 120.000 dólares em dois anos e fez doações às casas Sloan-Kettering e Ronald McDonald em Nova Iorque, Boston e Albany por ajudar uma criança com um neuroblastoma, o terceiro tipo de câncer pediátrico mais comum.
A fundação recentemente recebeu uma surpresa, uma doação espontânea de 100.000 dólares da Escócia. Foi um esquema de J.K. Rowling. E a mãe de Catie contou sua história.
Fundação na Web: http://www.catiehochfoundation.org.
Traduzido por: Pedro Henrique Oliveira em 03/08/2006.
Revisado por: Adriana Couto Pereira em 02/05/2007 e Vítor Werle em 04/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 03/05/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.