Tucker, Ernest. “Não há final à vista para a Pottermania”. Chicago Sun-Times, 22 de outubro de 1999.
Nada é mais quente que Harry Potter.
Mesmo a criadora do personagem, a autora britânica J.K. Rowling, não sabe responder por que todo mundo está enfeitiçado com a saga campeã de vendas, de vários volumes sobre um órfão que descobre em seu 11º aniversário que é um famoso bruxo.
“Eu comecei a escrever esses livros pra mim. Eu nunca esperei por isso, nem nos meus sonhos mais loucos”, disse a ex-professora de 34 anos no meio de sua turnê pelos EUA, que chega à Chicago hoje. “O que aparece no que as crianças me dizem é que elas se identificam com um dos três personagens principais: Harry, Rony ou Hermione”.
Os três livros de Potter, parte de uma série planejada em sete, estão empilhados no topo da lista de mais vendidos do New York Times, onde o primeiro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, está há mais de 40 semanas. Ultimamente contam-se 8.2 milhões de cópias impressas dos livros só nos EUA.
Desde que o primeiro dos três livros de Potter foi lançado nos EUA em agosto de 1998, a Pottermania desenfreada borbulha como um caldeirão de um bruxo. Estará em ebulição completa quando a autora retornar a Chicago para dois dias autografando livros.
Ainda tentando recuperar o fôlego, vendedores de livros e especialistas em infância estão começando a tentar explicar o fenômeno.
“A explosão supersónica (de vendas) ocorreu há aproximadamente dois meses e tem algo a ver com as crianças voltando á escola”, disse Richard Howorth, presidente da Associação Americana de Vendedores de Livros com 3.200 membros. Howorth, que é dono da Square books em Oxford disse: “Aparentemente, toda criança entre terceira e sétima séries na América está lendo esse livro com sua mãe e seu pai. Até adultos sem filhos estão lendo”.
“Um tremendo boca a boca está por trás da onda”, disse uma porta-voz da Editora Scholastic, que apresentou a edição americana de Harry Potter e a Pedra Filosofal em 1998, um ano depois de o original ter sido publicado na Inglaterra.
Gillian McNamee, uma especialista em infância do Instituto Erickson em Chicago, cujo próprio filho de 10 anos lê Harry Potter, notou que crianças encontram facilmente ligação com os livros. “As crianças estão com fome de um lugar mágico”, ela disse. “Enquanto eles entram na adolescência, eles não perdem o amor pelo faz de conta”.
“É a histôria. Harry é alguém que você pode admirar, que está bastante bem, dadas as circunstancias”, disse Rose Joseph, co-proprietária da livraria Magic Tree (Árvore Mágica), 141 N. Oak Park Ave., Oak Park. “As crianças percebem que não é real, mas elas adoram sua superação de adversidades. E a autora é maravilhosamente imaginativa”.
É improvável que a Pottermania diminua em breve, especialmente depois de tanta satisfação para o a chegada do próximo capítulo no verão de 2000: produtores famosos de cinema de Hollywood, incluindo Steven Spielberg, estão interessados em dirigir um filme de Potter para o verão de 2001. Festas com o tema Potter estão aparecendo como cogumelos, e tanto crianças quanto adultos estão comprando fantasias de Halloween para parecer como o Harry de cabelos bagunçados e de óculos, que carrega uma cicatriz em forma de raio na testa. O redemoinho que é a turnê de três semanas pelos EUA de Rowling, que começou com uma aparição no The Rosie O’Donnell Show semana passada, está alcançando um nível de histeria raramente encontrado na literatura, livraria de Manhattan onde ela fez uma apresentação 18 meses atrás com outro autor teve que distribuir recibos para aproximadamente 1000 pessoas, que esperaram até cinco horas por uma chance de Rowling autografar seu livro. Primeiras edições autografadas faturam $500 cada. E tem o lado negro da discussão. Um comitê local para a Richland County School Dist. 1 em Columbia, S.C., começou a revisar os livros em uma das 50 escolas seguindo uma reclamação de meia dúzia de pais preocupados com as referências sobre o oculto e a violência nos livros.
Enquanto um punhado de pais têm vociferado suas preocupações, o especialista em religião pública, Martin Marty disse que a gritaria está enganada.
“Há uma série de jogos cristãos de computador aparecendo que exageram o conceito bíblico de guerra espiritual”, disse Marty. “Parece engraçado que você iria gravitar para o equivalente bíblico dos bruxos, e então atacar os bruxos suaves em Harry Potter”.
Rowling, alerta do protesto, disse que poderia responder as perguntas sobre o conteúdo religioso do livro até a conclusão do livro sete.
Ela fala que entende o direito dos pais, mas que o problema está nos que tentam “impedir filhos de outras pessoas de escolherem o que desejam ler”.
Traduzido por: Frederico Oliveira em 13/01/2006.
Revisado por: Patrícia Abreu em 05/05/2007, Vinicius Alvarez em 01/03/2008 e Antônio Carlos de M. Neto em 22/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 03/05/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.