“J.K. Rowling no Rosie O’Donnell Show”. 18 de outubro de 2000.

Transcrição por Laurel Carmer

Rosie: O que posso dizer sobre estes livros? A série Harry Potter – são simplesmente os melhores livros que já li, e eu sou uma adulta, e existem pessoas que dizem que eles são para crianças, mas francamente eles não são, eles são para todos. As mensagens são tão universais e eles são fabulosos para toda a família. O Cálice de Fogo é o novo livro, ele vendeu mais de três milhões de cópias em dois dias. Seja bem-vinda de volta ao programa, Jo Rowling. [Jo aparece, muitos aplausos]

Rosie: Bem… Olá Jo, como você está? Como vai?

Jo: Nada mal, mesmo.

Rosie: É bom te ver.

Jo: É bom estar de volta.

Rosie: E a maior estória de entretenimento do verão, é este livro?

Jo: Não é ótimo?

Rosie: É algo excepcional. Agora, você estava nos Estados Unidos quando eles o lançaram nesse verão?

Jo: Não, eu estava no Reino Unido.

Rosie: Você estava no Reino Unido.

Jo: Sim, estava uma loucura lá também.

Rosie: Estava uma loucura lá?

Jo: Muita loucura

Rosie: Eu tenho que te dizer… Eu estava no shopping umas três horas da tarde e eu vejo, do lado de fora da Barnes and Noble, literalmente centenas de crianças sentadas com seus pais e suas pequenas cicatrizes em forma de raio em suas cabeças esperando até a meia-noite, quando ele foi lançado.

Jo: Eles estavam dormindo fora de casa em Londres.

Rosie: Sim, eles estavam – é incrível.

Jo: É maravilhoso.

Rosie: Como você se sente por ter realmente motivado uma geração inteira a ler?

Jo: Não existe nada melhor, nada melhor.

Rosie: Não, e as crianças são tão influenciadas por esse livro. Você leu o artigo no USA Today?

Jo: Eu li, sim, foi incrível, ele teve 10.000 inscritos.

Rosie: Conte a todos sobre isso.

Jo: Sim, então, o USA Today fez uma competição: as pessoas tinham que escrever uma redação sobre como os livros tinham mudado suas vidas. Então eu me encontrarei com dez crianças.

Rosie: Você as encontrará hoje.

Jo: Sim, o que é a melhor coisa que farei essa semana, eu acho.

Rosie: Algumas delas são tão profundas – uma menina que era sem-teto…

Jo: Sim, foi incrível, ela disse que ela era – bem, ela se deita com a mãe e planeja o quarto que terá depois que elas saírem do abrigo.

Rosie: Certo.

Jo: E ela o quer como o quarto de Harry.

Rosie: E ela sentiu que tinha alguém com quem se identificar, alguém que não levava uma vida fácil.

Jo: Sim.

Rosie: Alguma outra história surge em sua cabeça?

Jo: Eu realmente gosto… Tem um garoto, Scott McDonald, que escreveu uma carta dizendo: “As minhas notas estão realmente melhorando, porque minha leitura está melhor. E se você não acredita, pode ligar para a minha professora”, e me passou o seu telefone. “Eu não estou mentindo, minha professora te dirá”.

Rosie: Certo.

Jo: Foi tão fofo.

Rosie: Agora, o filme está em produção…

Jo: Ahan.

Rosie: Sabe, deixe-me te contar…

Jo: Você vai me dar uma surra, não vai?

Rosie: Não, não vou te dar uma surra, mas eu vou lhe dizer. Você sabe que eu amo esses livros mais do que qualquer ser humano.

Jo: Isso é verdade.

Rosie: Eu vivo por eles – não posso nem te dizer o quanto. Eu liguei para Christopher Columbus, que é o diretor, e disse: “Olá, aqui é Rosie O’Donnell, só queria te dizer que eu irei interpretar a Sra. Weasley de graça – de graça. Eu irei até aí de graça, só me avise quando terei de estar aí”. E ele disse: “Desculpe, mas não estamos aceitando americanos” – click! Eu nem ao menos consegui uma audição.

Jo: Você consegue fazer um sotaque londrino?

Rosie (fazendo o sotaque): Oh, mas é claro que eu consigo, meu pai é da Irlanda, querida, eu posso fazê-lo muito, muito bem. Está bom agora, não está?

Jo (entretida): Veja – não – isso é – o que você estava fazendo é Dick VanDyke.

Rosie: Oh, sério, é Dick VanDyke? É mais para, sabe, Eliza Doolittle (1) (Ela faz um pouco de Eliza). Sim, eu sei, mas vocês terão um elenco inteiramente britânico, o que é bom.

Jo: O que é fantástico, realmente é.

Rosie: Vocês encontraram as crianças…

Jo: Nós as encontramos.

Rosie (segurando uma foto): Aqui está Hermione, Harry e o meu filho…

Jo: Eles são ótimos.

Rosie: Esse é o meu filho, Rony Weasley, eu não consegui ser sua mãe.

Jo: Eles são ótimos, são fantásticos.

Rosie: Quantas crianças eles viram para os papéis?

Jo: Eu honestamente – foram milhares e milhares e milhares.

Rosie: Você estava lá também?

Jo: Eu vi todos eles… Eu estava realmente cruzando os dedos pelo Dan – porque eu obviamente não estava escolhendo o elenco do filme, mas eu vi os testes dele e estava torcendo para que ele conseguisse o papel; e ele conseguiu, então eu fiquei encantada.

Rosie: O que eles estavam procurando exatamente? Alguém que incorporasse Harry de que maneira?

Jo: Harry foi o mais difícil de achar – foi como Scarlett O’Hara (2) – eu estava olhando para crianças na rua – nós tínhamos chegado a um ponto em que pensamos que não conseguiríamos achá-lo em nenhum lugar, e então o produtor do filme foi ao cinema uma noite e se sentou ao lado dele. Foi incrível.

Rosie: Sério?

Jo: Sim.

Rosie: Ele é ator?

Jo: Ele é! Foi a coisa mais… Foi como se fosse o destino… Ele disse que viu Daniel e apenas pensou: Oh, aqui está ele!

Rosie: Certo. E todas as crianças também, que se vestirão de Harry Potter para o Dia das Bruxas. Isso é extraordinário.

Jo: Sim, minha filha também.

Rosie: Oh, sério?

Jo: Sim.

Rosie: Eu tenho… Nesse verão, eu tenho as tatuagens – você sabe? Quando você compra o livro, eles estão dando tatuagens na loja e os meus filhos ficaram o verão inteiro com a tatuagem do Harry Potter.

Jo: Ela também fez isso.

Rosie: É mesmo?

Jo: Você acha que você está brava, ela disse para mim “O Harry tem que ser um menino? No filme?”. Bem, sim, isso é meio… Você sabe?

Rosie: Sim, bem, eu entendo, porque Christopher Columbus me contou que Robin Williams ligou, também, e disse que ele faria de graça, pois ele ama tanto que ele faria qualquer papel de graça.

Jo coloca as mãos na boca – emotiva.

Jo: Eu não acredito nessas pessoas – isso é – é realmente maravilhoso que eles queiram fazê-lo, mas É maravilhoso que o elenco seja britânico.

Rosie: E é o seu material, está tudo bem.

Jo: E você É a Sra. Weasley, no livro.

Rosie: Eu sou. No livro, se você prestar atenção, há assinaturas e tem uma carta que eu escrevi para o Harry, para o meu filho Rony e para Gina, e é a minha letra lá, eu realmente escrevi, é a minha própria letra de mão. Quem a interpretará? Ela é conhecida?

Jo: Eu não – não, não.

Rosie: Ela não é uma atriz conhecida?

Jo: Não, ela não é conhecida.

Rosie: OK, tudo bem.

Jo: Isso é melhor?

Rosie: Sim, nós daremos um tempo a ela. Se fosse alguém como Judi Dench eu ficaria lívida, você sabe o que eu quero dizer? Algo assim.

Jo ri.

Rosie: Agora, esse livro, ele lida com o assunto da morte – não vamos dizer quem no caso de que você não tenha lido Cálice de Fogo – não vamos te dizer quem morre, mas isso deve ter sido uma coisa difícil de fazer. Você fez isso de propósito, assim, tentando…

Jo: Eu sempre… Eu planejo os livros, sabe. Eu sei exatamente o que irá acontecer, até o sétimo livro, então eu sabia que isso iria acontecer, mas essa foi a primeira vez que eu chorei escrevendo um livro. Eu chorei duas vezes, na verdade. Chorei quando a pessoa morreu e durante o discurso de Dumbledore sobre isso mais tarde. Eu nunca tinha feito isso antes.

Rosie: Algumas pessoas dizem que o assunto é muito pesado para crianças e que esse livro não é realmente apropriado para elas, embora, devo lhe dizer, eu tenha o lido para meu filho de cinco anos de idade, li todos os livros em voz alta para ele.

Jo: Eu acho que as crianças conseguem lidar com isso, eu realmente acho, e eu penso que a não ser que você mostre o poder do mal, como posso mostrar quão bem eles estão sendo, lutando contra isso?

Rosie: Exatamente.

Jo: Eu li esse para a minha filha – ela leu a maioria dos livros sozinha, ela tem sete anos – e eu disse a ela “Capítulo 30, eu o lerei para você”, porque eu pensei que ela poderia precisar de apoio. E quando a pessoa morreu, ela disse “Ah, não é o Harry, eu não me importo”.

Rosie e a platéia riram.

Jo: E ela não ficou nem um pouco abalada.

Rosie: Bem, eu nem ao menos posso expressar o quanto eu amo a série, é difícil para eu descrever, realmente.

Jo: Obrigada.

Rosie: Como você está lidando com toda a fama? Você de repente é famosa.

Jo: Eu sei… É estranho, não é?

Rosie: É. Você gosta ou você está meio que indo com calma?

Jo: Eu sei que disse isso da última vez, e já faz um ano, mas eu continuo achando estranho. Você continua esperando que alguém de um tapinha em seus ombros e diga “Não, vai, agora…”.

Rosie: O show começou.

Jo: É.

Rosie: Certo. Bem, não começou, e continue escrevendo, deixe-me dizer uma coisa… Quando será lançado o próximo?

Jo: Eu não sei. O quinto livro estará pronto quando estiver – não muito tempo.

Rosie: Você se lembra da última vez em que tínhamos o Doug aqui, quando jogamos o jogo?

Jo: Eu me lembro sim.

Rosie: Doug está de volta, e está com seu livro – você pode autografá-lo para ele?

Jo: Oh, Doug está aqui?

Rosie: Venha, Doug. Certo. Jo Rowling. Comprem o livro, se vocês ainda não têm, vocês precisam ler todos os quatro. Nós voltaremos já com Jessie L. Martin depois disso. (para o Doug) Ei cara, e aí?

Doug: Nada de mais.

Rosie: Você gostou do livro?

Doug: Foi maneiro.

Aparece os comerciais.

Notas do transcritor: Nas duas primeiras vezes que Jo apareceu, Rosie pronunciou o seu nome certo, mas dessa vez ela disse “Rawling”. A carta para o Tio Válter, Rosie disse que foi escrita para Harry, Rony e Gina. Teve muita conversa entre as duas, então eu fiz o melhor que pude.

Notas:
(1) Dick VanDyke: ator, cantor, dançarino e comediante do cinema americano.
Eliza Doolittle: personagem principal do filme Minha Bela Dama.

(2) Scarlett O’Hara: protagonista do romance …E o Vento Levou.

Traduzido por: Thais Teixeira Tardivo em 10/01/2008.
Revisado por: Dérick Andrade Moreira em 31/01/2008.
Postado por: Vítor Werle em 01/02/2009.
Entrevista original aqui.