JIM DALE
Artigo para a revista Musical Stages

Revista Musical Stages
Tradução: Adriana Couto Pereira

(Este artigo descreve o trabalho de Jim ao criar Fagin na peça “Oliver!”, no London Palladium)

Jim Dale relaxa no sofá em seu camarim no London Palladium, caneca de chá na mão, pés vestindo apenas meias, descansam na ponta da cabeceira. Se você ainda não sabe, ele está de volta à Londres durante alguns meses para interpretar Fagin, em “Oliver!”, no Cameron Mackintosh’s.

Embora viva agora em Nova Iorque, ele está satisfeito por voltar à sua terra natal. ‘Adoro viver em Londres, embora seja a primeira vez que passe o Natal na Inglaterra desde 1973. Sou um ator teatral e esta cidade é ótima por ter uma comunidade teatral ao seu redor, então é realmente bom estar aqui. Não queria ser impedido de ir ao teatro por greves de metrô ou pelo mau tempo ou algo assim, então aluguei um apartamento por perto. Leva apenas doze minutos para andar até o teatro’.

É durante essas caminhadas que ele é ainda reconhecido pelo povo – particularmente crianças, o que, segundo ele, deve-se principalmente aos filmes Carry On que agora têm um status cult na Europa. Motoristas de taxi também o reconhecem, mas de forma mais lacônica, nunca dizem nada até que a corrida tenha acabado. Tenho a impressão que ele não se incomoda com esses encontros e que, ao invés disso, sente-se tocado pela atenção que recebe após tantos anos do outro lado do oceano.

Então como o mundo girou até trazê-lo de volta aos palcos britânicos? ‘Voltei para Londres para fazer “The Music Man” para a rádio BBC, um dos representantes de Cameron Mackintosh estava lá e me perguntou se gostaria de fazer Fagin após a saída de Jonathan Pryce. O ponto era que eu jamais havia visto Oliver! – sequer havia visto o filme com Ron Moody.

Naquela época, estava atuando em Travels With My Aunt em Nova Iorque, que acabaria em julho, então disse que poderia vir em agosto, o que se encaixava muito bem no cronograma, e fechamos o negócio’.

Como Fagin, ele já recebeu comentários furiosos, mas é um Fagin muito diferente daquele de Jonathan Pryce, como qualquer papel deve ser com um ator diferente. Fagin é um pouco como Hamlet, Shylock ou qualquer outro grande personagem teatral. ‘Todo ator que chega deve ser capaz de sentir que pode contribuir com algo diferente, de outra forma, ninguém aceitaria nenhum papel histórico. Ouvi o diretor Sam Mendes e ouvi o escritor Lionel Bart, e ambos queriam uma abordagem musical.

Musical, que eu toquei por quatro ou cinco anos. Soube exatamente o que eles queriam, então apenas levei tudo o que sabia para o palco e disse, ‘Bom, aqui está uma vida de negócios divertidos, vamos catar o que pudermos usar no trabalho, e então incorporaremos essas coisas no personagem’.

‘Se alguém achou que não funcionou, botou pra fora. Se um pedaço do negócio não pareceu bom na frente da casa, podíamos ajeitar até que parecesse. Um palco como o do Palladium é enorme e pode abrigar uma centena de pessoas confortavelmente, mas também é intimista, você pode apenas colocar uma pessoa morta no centro e funciona. Para a canção ‘Reviewing the Situation’, eu simplesmente sentei sob os holofotes e deixei o público focar apenas do que estava dizendo e cantando. Às vezes, no meio de todo o movimento e a dança, você precisa do público, isso pode ser mágico.”

Jim acredita que a música de Oliver! contradiz a abordagem profunda e obscura de sua produção por um certo aspecto, que é o motivo pelo qual ele se sente mais confortável reintroduzindo a comédia. ‘meu Fagin é o tipo de personagem que quer que as crianças voltem para casa novamente’. Ele observa alguns votos de ‘Volte Logo!’ e acrescenta, rindo, ‘depois de tudo, se ele fosse podre com eles, não voltariam para casa, eles ficariam longe!’

Ele se prendeu à rotina dos rapazes de fôlegos curtos e rápidos, estalando suas juntas, flexionando os dedos prontos para começar a afanar ‘um ou dois bolsos’ e sugeriu que Fagin deveria adotar tais maneirismos, então as crianças vêem e se tornam pequenos Fagins imitando o grande. ‘E mais uma vez, quando eles furtam, fazem como Fagin. Precisamos mostrar que eles são uma gangue bem treinada, com Fagin como o amoroso patife chefe que cozinha e cuida deles’.

Nesses dias, a maior parte do trabalho de Jim é nos palcos americanos – ele faz um monte de teatro independente por lá. Ele particularmente gosta de fazer peças dos iluminados escritores britânicos como Peter Nichols e Trevor Griffiths. Está longe dos velhos dias em que um jovem comediante fazia sua performance em frente a apenas 24 pessoas em um ônibus rumo à praia.

Depois de sua tentativa como um cantor pop, ele se juntou à trupe Frank Dunlop’s Pop Theatre no festival de Edimburgo e fez uma descoberta seminal. ‘Frank me pediu para interpreter Autolycus em “A Winter’s Tale” e me explicou que Shakespeare sempre usava comediantes para seus palhaços. Tão logo soube disso, eu fiquei um passo a frente de jovens atores que nunca estiveram em frente a um público. Então disse sim, e o resto é história. Em seguida interpretei Bottom (Sonho de uma Noite de Verão), Launcelot Gobbo (O Mercador de Veneza) e Costard (Love’s Labours Lost) – quatro ao mesmo tempo, e foi maravilhoso.

Após os filmes Carry On e dois anos no National Theatre, ele recebeu a oferta do roteiro de Barnum e teve uma sensação imediata que seria um hit avassalador e uma longa jornada. Ele interpretou o papel por dois anos – principalmente na Brodway, mas também em turnê por seis meses – com Glenn Close como sra. Barnum.

E depois de Oliver! – que tal mais um musical? Na mesa do café em frente a ele há uma fita e uma nota de dois dos maiores compositores de Nova Iorque pedindo que considere algo que eles têm em mente, seria um grande compromisso. ‘Quando vim substituir Jonathan Pryce em Oliver!, tive apenas meras cinco semanas de ensaio antes de entrar. Se eu estivesse no papel desde o início, teria me envolvido com a pré-produção, talvez 10 semanas de ensaios, três ou quatro semanas de pré-estréias e então um ano de contrato.’

‘É ótimo dar uma grande chacoalhada em sua vida fazendo um show quando você tem 25 ou 30 anos, mas mais tarde, um ano e meio fazendo o mesmo personagem é um longo tempo. Interpretar Barnum foi como correr uma milha em quatro minutos todas as noites, porque eu investi muito nisso. Gene Kelly veio ver Scapino anos atrás, e viu como eu estava exausto. Ele disse, ‘Sabe, Jim, quando eu costumava fazer sapateado rápido e preciso, as multidões urravam e isso era ótimo. Mas quando fiquei um pouco mais velho, fazia um sapateado mais macio mas com a mesma precisão, e o público urrava da mesma forma. Você não precisa se esforçar até a morte’. Jim sorri, ‘sei o que ele quis dizer,’ ele comenta, ‘e ele estava certo. Onde posso comprar sapatos macios para sapateado?’