McAllister, J.F.O. and Chu, Jeff. “A Feiticeira Tímida”. Time Magazine, 23 de junho de 2003.
Nem mesmo uma década atrás ela era desconhecida e pobre, uma mãe solteira vivendo da assistência social e que, às vezes, fingia procurar roupas em lojas maternais para que pudesse mendigar uma fralda de graça no provador. Agora, depois de quatro livros de Harry Potter, dois filmes e um exército de propagandas relacionadas, J.K. Rowling tem uma fortuna estimada em US$450 milhões, de acordo com a lista dos ricos da London Sunday Times, fazendo dela US$50 milhões mais rica que a Rainha da Inglaterra. Sua vida pessoal também melhorou. Ela comprou casas multimilionárias em Londres, Edimburgo e nas colinas escocesas perto de Perth. No fim de 2001, Rowling, 37, se casou com Neil Murray, 32, um anestesista estável e inteligente que conheceu através de um amigo em comum. Março passado, eles tiveram um filho, que se juntou a Jessica, 11, a filha de seu primeiro e breve casamento. Rowling admitiu que – sem surpresas – Harry é o seu nome favorito para meninos, mas evitou sabiamente prender seu filho num eterno convite às piadinhas.
De fato, Rowling tem tentado jogar uma capa da invisibilidade em sua família para que possam ter vidas quase normais. Mas simples prazeres como caminhar do supermercado para casa em Edimburgo ou comparecer à peça natalina de Jessica exigem vigilância constante contra um exército de repórteres de tablóides e ocasionais paparazzi.
As intrusões são apenas parte da razão pela qual Rowling não está habituada com a fama. “Nunca tive a intenção de fazer uma marca,” ela conta à Time. “Parti querendo fazer a coisa que mais amo neste mundo e descobrir se era boa nisso”. Ela é tão boa que seus advogados estão processando copiões tentando ganhar dinheiro com a Pottermania. Seu time legal venceu recentemente sobre uma cópia chinesa, Harry Potter and the Leopard-Walk-Up-to-Dragon, e um romance russo sobre Tanya Grotter, uma órfã com poderes mágicos que vai a uma escola de magia. Rowling ficou muito balançada quando uma escritora americana chamada Nancy Stouffer disse que ela roubara a palavra muggle (N.T.: equivalente a trouxa, na edição brasileira) e que plagiara o trabalho de Stouffer. Um julgamento federal na cidade de Nova Iorque descobriu que Stouffer “cometera uma fraude”. Foi, diz Rowling, “como se uma estranha saísse do nada e dissesse que era mãe dos meus filhos… Foi como um soco no estômago. As pessoas acham que se você tem sucesso, está livre dos sentimentos normais de dor, mas não é assim”.
Rowling gosta de poder usar seu nome e dinheiro para apoiar instituições dignas, incluindo aquelas para famílias de pais ou mães solteiros e vítimas da esclerose múltipla. (Sua mãe começou a mostrar os sintomas quando Rowling tinha 12 anos, e sofreu dolorosamente pelos cinco anos anteriores à sua morte, quando Rowling tinha 25 anos). “Um dos poucos lados bons de ser famosa é poder fazer algo significativo para as causas nas quais você acredita,” ela conta à Time.
Obrigada a fazer um pouco de publicidade para Ordem da Fênix, ela planeja aparecer diante de 4.000 crianças em Londres em 26 de junho, para responder as perguntas e ler uma parte do livro. O evento está marcado para ser transmitido online por todo o mundo. Logo, Rowling sairá dos holofotes para escrever o número 6 e cuidar de sua família. Ela espera ser lembrada “como alguém que fez o melhor que pôde com o talento que lhe foi dado. E não me importaria de ser lembrada como uma boa mãe,” diz. “Mas não saberemos se consegui isso até que minha filha escreva J.K., a Amada” – de J.F.O. McAllister. Com informações de Jeff Chu/Londres.
Fonte: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1005059,00.html.
Traduzido por: Renan Lazzarin em 11/01/2009.
Postado por: Vítor Werle em 22/01/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.