Stoffman, Judy. “J.K. Rowling apavorada com o encontro SkyDome”. The Toronto Star, 23 de outubro de 2000.

A autora infantil mais famosa do mundo, J.K Rowling, admitiu ontem que ela está apavorada com a leitura no SkyDome amanhã. “Eu realmente gosto de fazer leituras, mas eu nunca fiz antes com números assim”, a escritora de Harry Potter disse ontem em uma conferência de imprensa em Toronto.

“A maior platéia que tive foi de 2,000 pessoas na Alemanha, com um tradutor”, ela disse no Royal York Hotel, onde mais tarde ela recebeu a chave da cidade pelo prefeito Mel Lestman e falou brevemente em um banquete beneficente de U$500 o prato. Ela brincou que concordou em fazer a leitura no SkyDome em um momento de fraqueza, quando ela estava no meio da escrita de Harry Potter e o Cálice de Fogo, o mais novo da série, e só queria ficar sozinha para escrever. “A leitura é uma maneira de alcançar muitas crianças. Mas eu não sou um astro do rock, não sou os Rolling Stones”.

Organizadores da leitura, parte do Festival Internacional de Escritores, não comentam as vendas de ingressos, só dizem que SkyDome foi feito para receber 36.000 espectadores. Em pessoa, Rowling (seus amigos a chamam de Jo) é uma mulher magra, jovem e intensa, vestida conservadoramente em preto e cinza, com longos cabelos loiros que deixam a mostra a raiz escura. Suas mãos elegantes mostram uma manicure à francesa e ela usa brincos de diamante e um relógio de brilhantes como seus únicos acessórios. Ela lida com a mí­dia como uma profissional, ignorando as várias câmeras apontadas em sua direção. Ela responde as perguntas sucintamente, mas fica claro que ela fica mais relaxada com crianças – várias delas se aproximaram de sua musa no banquete mais tarde – e gosta mais das suas perguntas já eles não perguntam sobre fama ou dinheiro ou seu ex-marido português.

Ela recebe centenas de perguntas de jovens leitores por e-mail e em pessoa: Por exemplo, qual é a cor favorita de um certo personagem e porque um banco descrito como tendo quatro pernas no livro 1 tem três no livro 4 da série de sete livros? “Crianças fazem as melhores perguntas. Eles (os personagens dos seus livros) são nossos amigos em comum que eu conheço um pouco melhor”, ela conta. Ela disse que ela escreve de seis a dez horas por dia, “se eu tiver cafeí­na suficiente”.
Uma mãe solteira com uma filha pequena, que não podia comprar um computador para escrever até que o Conselho de Artes Escocês lhe cedeu um, ela está cansada da noção que a história dela foi de Cinderela. “Não se sente dessa maneira quando você está vivendo isso. Nós éramos muito pobres e agora sou grata todos os dias que eu não preciso me preocupar com dinheiro”. “Mas foi muito trabalho duro. Eu não ficava sentada à beira da lareira esperando para ser descoberta por um prí­ncipe”.

Nos últimos três anos, desde o sucesso de suas histórias sobre o garoto bruxo órfão, Harry Potter, e suas escapadas com seus amigos Rony e Hermione na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, ela teria virado a segunda mulher mais rica da Inglaterra, logo após a Rainha. “Mágica é um tema perene na literatura infantil porque crianças têm muito pouco poder”, ela explica. Ela disse que não havia planejado escrever tanto no seu último livro, Harry Potter e o Cálice de Fogo (635 páginas), “Eu quase tive um enfarto quando eu o imprimi pela primeira vez, mas eu precisei daquelas palavras todas para contar a história”.

Ela prometeu que o próximo livro chamado Harry Potter e a Ordem da Fênix, vai ser mais curto, mas não revelou mais nada sobre ele. Haverá vida após Harry? “Eu definitivamente continuarei escrevendo após Harry”. Vai ser difí­cil deixá-lo. Estarei levemente de luto. Eu posso escrever algo para adultos ou continuar escrevendo para crianças. Uma coisa é certa, eu continuarei escrevendo. Eu escrevo desde os seis anos. Mas eu sei que nunca vou ter o sucesso de Harry novamente. O banquete a seguir reverteu o dinheiro para a Coleção Osborne da Biblioteca de Toronto, uma coleção de livros infantis históricos que Rowling visitou por uma hora no sábado na seção Lillian H. Smith na faculdade St.

“Ela foi maravilhosa, muito compreensiva”, disse Leslie McGrath, curadora da coleção. “Nós mostramos a ela os seus próprios livros em caixas especiais, e dissemos que eles ficariam aqui por 200 anos”. As casas de coleções que ficam em Toronto têm mais de 60.000 trabalhos literários, com alguns que datam até do século 14. Apropriadamente, já que ela vive em Edimburgo, Rowling foi recebida por um tocador de gaita de fole na entrada do hotel.

Lastman, descrito como “o chefe trouxa de Toronto”, deu a ela a chave da cidade, dizendo que era um presente por ela inspirar crianças a ler. “Que Harry Potter viva nos corações e mentes dos jovens e dos jovens de coração”, ele disse. E também deu a ela um par de chifres de alce de espuma.Rowling falou sobre sua visita na Coleção Osborne e expressou a esperança de que “a Coleção continue a florescer e expandir”.

Traduzido por: Leticia Vitória em 17/08/2006.
Revisado por: Patricia M. D. de Abreu em 25/04/2007 e Antônio Carlos de M. Neto em 22/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 29/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.