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Posted by on jul 26, 2007 in 2007, Ano, Entrevistas JKR |

J.K. Rowling cara-a-cara: parte um

Vieira, Meredith. “J.K. Rowling cara-a-cara: parte um”. Today Show (NBC), 26 de julho de 2007.

Fonte: MSNBC
Entrevistador: Meredith Vieira
Contexto: Esta foi uma das primeiras entrevistas após a publicação de Harry Potter e as Relíquias da Morte, então Jo pôde finalmente responder algumas perguntas que ela estava relutante em responder antes.
Crédito pela transcrição: Julia Crimmons para o Accio Quote!
Video: http://video.the-leaky-cauldron.org/video/813
Transcrição relacionada: Parte Dois

[Jo lê um segmento do capítulo dois de Harry Potter e as Relíquias da Morte]

Meredith Vieira: Está finalmente pronto.

J.K. Rowling: Eu sei.

MV: Como você está se sentindo em relação a isso?

JKR: Incrível.

MV: Incrível bom? Incrível ruim? Um pouco de ambos?

JKR: No momento – está bom, para ser honesta com você. Parece – é um lugar realmente bom para se estar. Sim. Quer dizer, eu estou triste. Foi difícil conviver comigo por cerca de uma semana depois que eu terminei este livro.

MV: Por que você percebeu que tinha acabado? Ou por que… quero dizer, você matou algumas das personagens, também. Tenho certeza que isso foi….

JKR: Eu acho, eu acho que foi a coisa toda. Foi um momento catártico incrível. O fim de 17 anos de trabalho. E, e isso estava muito atrelado a coisas que eu fiz na minha vida durante esses 17 anos, então trouxe muitas memórias.

MV: Porque quando você começou você não estava na mesma situação que está agora, em vários sentidos.

JKR: Não. E, na verdade, quando comecei eu estava em uma situação ruim. E depois isso, depois, você sabe, a vida tem seus altos e baixos. Então, quer dizer, Harry esteve comigo como um resultado. Acho que era, mais do que qualquer coisa, o sentimento de que eu não teria esse mundo para onde fugir.

MV: Você sente que teve que se despedir de Harry?

JKR: Uhhhm. Sim e não. Ele, realmente, sempre será uma presença em minha vida.

MV: Você nos deixou suspensos por um tempo.

JKR: Seria humanamente impossível responder a todas as perguntas que os fãs têm. Porque eu estou lidando com um nível de obsessão de alguns fãs que não vão sossegar enquanto não souberem o nome do meio dos tataravôs do Harry.

[MV e algumas crianças na platéia riem]

MV: Bem, vocês se tornaram um pouco obsessivos.

JKR: Não, eu amo isso. Eu me dedico por inteiro a isso. Eu adoro que eles se sintam assim.

[Corta para o próximo clipe]

MV para a platéia de crianças: eu sei que todos vocês tem muitas perguntas, então vamos começar. Omar, vamos começar com você.

Omar, 17: Um, eu entendo que você planejou detalhadamente a sua visão dos livros anos atrás.

JKR. Mmm.

Omar: Quão diferente está o Livro 7 da sua idéia original?

JKR: Está bem parecido, particularmente o último terço do livro é hm, é como eu sempre planejei. Realmente é. A única exceção seria uma personagem que aparece nesse último terço. E eu pensei que essa personagem morreria no livro cinco quando eu comecei a escrever. Então alguém…

MV: Quem era?

JKR: Hmm, o Sr. Weasley. [Um clipe do Sr. Weasley do filme Cálice de Fogo é exibido] Então, ele é o personagem que recebeu um perdão. Quando eu esbocei os livros, o Sr. Weasley morreria no Livro 5.

MV: E por que ele foi perdoado?

JKR: Bem, eu tinha de mantê-lo ali. Parcialmente, parcialmente porque eu não agüentaria matá-lo.

MV: Então o que aconteceu ai? Por que ele recebeu esse perdão?

JKR: Bem, eu o troquei por outra pessoa, e eu não quero falar por quem por causa das pessoas que ainda não – leram. Mas eu – eu tomei a decisão enquanto estava escrevendo Ordem da Fênix de manter o Sr. Weasley vivo e matar outra pessoa. E se você terminou o livro, eu espero que você provavelmente saiba e essa outra pessoa também é um pai.

MV: E você considerou matar Harry ou Hermione ou Rony?

JKR: Sim. Definitivamente. Eu fico muito orgulhosa do fato de que enquanto liam esse livro, muitos, muitos leitores acreditaram que havia a possibilidade real do Harry morrer. Era isso o que eu queria, que você realmente sentisse que qualquer um podia morrer.

MV: Mas você se preocupou, hm Jo, quando você estava escrevendo o livro que você poderia deixar muitas crianças devastadas por tirar delas Harry ou Hermione ou Rony?

JKR: Hm, vocês def… Claro que isso os afeta. Eu lembro de encontrar um menino que me disse “Por favor, nunca, nunca, nunca, nunca, nunca mate Hagrid, Dumbledore ou Sirius”. [rouco, e com lágrimas nos olhos] E eu sabia que eu já havia feito isso. Eu já havia matado Sirius. E isso… Eu, eu não posso fingir que, olhando pra ele, eu não me senti muito mal.

MV: E então, a morte de que personagem fez você chorar?

JKR: Definitivamente a passagem que me doeu mais para escrever entre todas da série e a que mais me fez chorar é o Capítulo 34 deste livro. Mas isso foi – e isso foi em parte por causa do conteúdo – e em parte porque tinha sido planejado há tanto tempo e estava definido há tanto tempo. E para escrever a versão definitiva foi como – um clímax imenso.

MV: E você pode nos dizer o que estava no 34?

Rowling: É quando Harry vai para a floresta. De novo. Então essa é a minha passagem favorita deste livro. E a parte em que quando eu acabei de escrever, eu não chorei enquanto escrevia, mas quando eu terminei, eu tive essa enorme explosão de emoção e chorei muito.

MV: Jackson!

Jackson, 10: Há alguma coisa que você gostaria de ter ou de não ter escrito em Harry Potter, principalmente sobre as mortes?

JKR: Hm, eu, não. As mortes foram todas muito, muito consideradas. Eu não mato nem personagens fictícios levianamente!

[Corta para o próximo clipe]

Chelsea, 19: No fim você diz que, ou você nos conta que Neville é um professor em Hogwarts. Quais são as ocupações de Harry, Hermione e Rony?

JKR: É, acho que no fim isso é o que todos querem fazer. Harry e Rony revolucionam o Departamento de Aurores. Agora eles são os especialistas. Não faz diferença a idade deles ou o que mais eles fizeram. E Hermione, bem, eu acho que ela tem uma alta posição no Departamento da Execução das Leis da Magia. Eu imaginaria que sua inteligência e seu conhecimento de como as Artes das Trevas operam lhe dariam uma boa base. Eles criaram um novo mundo.

MV: Por que você não mencionou isso no livro?

JKR: Bem, hm. Para dizer a verdade, o primeiro esboço do epílogo era muito mais detalhado, mas isso não… isso não funcionou muito bem como texto, mas eu obviamente tenho a informação para vocês, se esta for requerida.

[Corta para o próximo clipe]

MV: Nós temos recebemos alguns e-mails, hm, de pessoas que leram o livro e têm perguntas. Eu quero fazer algumas delas, ajustem o gravador.

JKR: Sim.

MV: Snape sempre foi planejado para ser um herói?

JKR: [respiração profunda] Ele é um herói? Sabe, eu não o vejo realmente como um herói.

MV: Mesmo?

JKR: Em. Ele é rancoroso. Ele é um brigão. E todas essas coisas ainda são verdadeiras sobre o Snape, mesmo no fim deste livro. Mas, ele era corajoso? Sim, imensamente.

Greta, 8: Se Snape não amasse a Lilian, ele ainda tentaria proteger o Harry?

JKR: Não. Ele definitivamente não teria feito isso. Ele não estaria nem remotamente interessado no que acontecia com esse menino.

MV: Ok. Número um, 19 anos depois, quem é o diretor de Hogwarts?

JKR: Bem, seria alguém novo. Em, McGonagall já estava bem idosa. Então seria alguém completamente novo. Mas se algum dia eu escrever a enciclopédia, eu prometo dar mais detalhes.

MV: Você vai fazer isso, não vai?

JKR: Eu acho que provavelmente vou. Mas eu, eu não vou escrevê-la amanhã. (Risadas) Porque eu realmente quero dar uma parada. Então vocês podem esperar um pouco.

MV: Quer dizer que você ainda não começou? (Risadas)

JKR: Bem, de certa forma eu suponho que comecei porque o – o material bruto está todo em – em minhas anotações. Mas – eu quero dar uma pausa das editoras por um tempo. Seria um – você sabe, eu ainda tenho uma família jovem.

MV: Você – Rony, Hermione ou Harry retornam a Hogwarts para qualquer coisa?

JKR: Bem, eu consigo imaginar o Harry retornando para ter a conversa estranha sobre – Defesa Contra as Artes das Trevas. E – eu- e, é claro, a maldição se quebrou agora que Voldemort se foi. Agora eles podem manter um bom professor de Defesa Contra as Artes das Trevas daqui em diante. Então esse aspecto da educação bruxa está garantido.

MV: Isso foi – terminar essa série pra você foi um alívio, ou há uma sensação de luto? Ou uma combinação de ambos?

JKR: Ambos, definitivamente.

MV: É?

JKR: Eu senti todo tipo de emoção. Imediatamente depois de escrever, foi muito… Os primeiros dois dias foram terríveis. Terríveis. E…

MV: De que maneira? Conte-nos o que você fez.

JKR: Só – Fiquei incrivelmente triste. Eu acho que – que- o que é provavelmente difícil para as pessoas é imaginar o quanto esses 17 anos de trabalho estavam atrelados com a minha vida. Então tudo se funde em uma coisa só. Mas eu estava – eu estava de luto com a perda deste mundo o qual escrevi por tanto tempo e que amei tanto. Também estava de luto pelo escape que ele foi para mim da – da minha vida normal, que é o que tem sido. E isso me obrigou a olhar para esses 17 anos e lembrar de algumas coisas.

E esteve muito ligado à morte da minha mãe, que ocorreu – porque, você sabe, uma enorme – essa longa passagem da minha vida está completa. Então, inevitavelmente, você pensa no que estava acontecendo no começo dessa passagem. Inevitavelmente, você volta para o passado – você sabe, eu passei pelo nascimento de três crianças. Eu passei por países diferentes. Eu passei por duas privações graves. O fim de um casamento.

E – e depois várias memórias felizes, sabe? Meu – o nascimento dos meus três filhos e tudo mais. Mas, sabe, esse final me jogou de volta para tudo isso. Eu fiquei pensando em tudo isso.

Os primeiros dois dias foram duros. Mas o total da – semana depois de acabar de escrever, eu estava bem triste. E depois de uma semana, de repente eu senti alguma coisa diferente. Eu acordei num tipo de Oitavo Dia e – na verdade, senti o coração leve e pensei que eu podia escrever o que eu quisesse. E a pressão tinha acabado. E não é como se Harry estivesse completamente fora da minha vida porque ele sempre estará na minha vida. E – é, foi isso. Eu acordei depois de uma semana e pensei “oh, que volta por cima”. Sabe? É – tem um alívio. Claro que tem um alivio. Embora, mesmo a fase deprimida, esse é o meu livro favorito e eu acho que é o meu melhor livro da série.

MV: Jimmy!

Jimmy, 11: Você pode nos falar um pouco sobre as influências no seu livro?

JKR: Bem, é muito, muito difícil separar as influências. Coisas como Guerra nas Estrelas e Senhor dos Anéis e a série Harry Potter, muitos são… Eles, eles seguem o formato de aventura. Eles seguem o formato de bem contra o mal e o que isso faz com as pessoas.

Lukas, 9: Harry Potter é baseado em alguém que você conhece?

JKR: Não, Harry é inteiramente imaginário. Erm, então eu suponho que isso quer dizer que ele vem um pouco de mim também.

Kerry, 15: Qual é, para você, a parte mais satisfatória do fenômeno Harry Potter?

JKR: Er. Isso. Falar com pessoas como você sobre os livros, definitivamente.

Riley, 11: Você planeja escrever mais livros depois desse?

JKR: Sim, definitivamente. Eu sempre vou escrever, eu não consigo imaginar parar de escrever. Eu, literalmente, tenho feito isso desde que tinha cinco anos de idade. Eu sempre estive escrevendo, então vou continuar escrevendo até que não consiga escrever mais.

Riley: Você vai escrever, tipo, sobre mundos bruxos, ou será completamente diferente?

JKR: Eu acho que meio que já fiz o mundo bruxo.

MV: E então você pode olhar para essas carinhas doces e inocentes e dizer que “não haverá outro livro de Harry Potter”.

JKR: [Rindo] Eu já fiz o meu Harry Potter.

Fonte: http://today.msnbc.msn.com/id/19959323/

>>Leia a Parte Dois desta entrevista.

Traduzido por: Patrícia Abreu em 11/02/2009.
Revisado por: Fabianne de Freitas em 14/04/2009.
Postado por: Ohanna S. Bolfe em 14/04/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.

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