“Vaticano critica ‘Morte Súbita’, de J.K. Rowling”. The Telegraph, 04 de novembro de 2012.

Apenas alguns dias depois de elogiar em alto e bom som o novo filme de James Bond, o Vaticano criticou o novo romance de J. K. Rowling, alegando que ele “precisa de uma pitada de mágica”.

O L’Osservatore Romano, o jornal oficial da Santa Sé, teve a seguinte frase como manchete de sua crítica de “Morte Súbita”: “O primeiro romance adulto de J.K. Rowling é desapontador”.

O jornal afirmou que possuía “muita admiração” pela autora bilionária que quebrou recordes de vendas com a série Harry Potter e superou “tempos deploráveis” no papel de mãe solteira.

Ele também parabenizou Rowling por doar uma grande parte de seus bens para a caridade em 2011 “graças ao poder e à fantasia produzidos por sua caneta”, mas disse que seu último livro não foi convincente e a perspectiva de Rowling “desaponta”.

“Cinquenta e seis anos depois de ‘A Caldeira do Diabo’, uma versão atualizada – e britânica – daquela verdadeira obra-prima em forma de crônica social até pode fazer sentido”, diz a crítica.

“Rowling provavelmente tem todas as qualificações para ser a digna sucessora de Grace Metaloius. Mas falta alguma coisa.”

A crítica do jornal trouxe apenas uma visão geral da trama do livro e revelou pouco sobre o sexo casual, as drogas e a autodestruição contidos na obra.

No entanto, o L’Osservatore Romano abraçou a série Harry Potter com entusiasmo no passado, debatendo as inúmeras questões abordadas pela série infantil.

Em janeiro de 2008, o jornal dedicou uma página inteira a um debate filosófico que discutia se Harry Potter era ou não um herói de verdade.

Em julho de 2009, elogiou a postura moral do filme “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, e, dois anos depois, trouxe boas opiniões sobre o filme “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2” e as recompensas da amizade e do sacrifício.

Quando o novo filme de James Bond, “Skyfall”, estreou nos cinemas italianos na última quarta-feira, o jornal do Vaticano afirmou que aquele era um dos melhores dos 23 filmes de Bond que haviam sido feitos desde o começo da franquia, 50 anos antes.

O jornal não chegou a proclamar o 007 como um herói católico, mas elogiou a recente encarnação de Bond, descrevendo-a como “mais humana, capaz de ser tocada e de chorar: em uma palavra, mais real”.

Como porta-voz da Santa Sé, o L’Osservatore Romano, fundado há 151 anos, já tem uma reputação por editoriais sérios sobre santos católicos, entrevistas com cardeais e gerentes dos contratos oficiais do Papa.

Desde que um novo editor subiu ao cargo em 2007, o Papa Bento XVI encorajou o jornal a expandir a cobertura sobre cultura pop, comentando desde Harry Potter aos The Blue Brothers. Sob a manchete “007 – Licença para chorar”, o veículo disse que “Skyfall” continha todos os ingredientes clássicos de um filme de James Bond.

O jornal disse que, para sua terceira aparição como Bond, Daniel Craig foi “ainda mais convincente” do que nos dois primeiros filmes, “Quantum of Solace” e “Cassino Royale”.

Traduzido por: Luly Miranda em 23 de julho de 2014.
Revisado por: Bárbara Waida em 23 de julho de 2014.
Postado por: Daniel Mählmann em 29 de julho de 2014.
Artigo original aqui