Glaister, Dan. “Autora estreante e mãe solteira vende livro para crianças por £100.000”. The Guardian, 8 de julho de 1997.

Isso parece com um filme: uma mãe solteira anda pelas ruas de uma chuvosa cidade, empurrando seu bebê recém-nascido no carrinho. Com o bebê dormindo, ela entra em cafeterias onde fica tomando café e rascunhando uma história infantil.

Três anos depois e a jovem mãe acabou de vender seu manuscrito para uma editora por £100.000, dois estúdios de Hollywood estão interessados na história, e ela acabou de entregar o seu segundo livro.

Mas isso não é um filme. Harry Potter e a Pedra Filosofal, da divorciada e sem dinheiro Joanne Rowling, é a conversa dos editores.

A venda dos rascunhos por tal quantia, conseguida por seu agente literário Christopher Little, é algo desconhecido por um autor de livros infantis.

Rowling agora está sendo falada nos mesmos tons silenciosos que Nicholas Evans, cujo livro “The Horse Whisperer” foi vendido para Hollywood por £350.000 antes mesmo de ficar pronto.

E Harry Potter, o herói da história, poderia assumir o mesmo quase-lendário status que Charlie de Roald Dahl, de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

O herói de Harry Potter e a Pedra Filosofal é um órfão que foi educado por seus tios cruéis. Ele descobre que é um bruxo e passa para um mundo de fantasias em um perí­odo de tempo absurdo.

As crí­ticas do livro de 80 mil palavras foram arrebatadoras, de modo que os escoceses o elogiaram como “um palco indestrutí­vel que contém a força da fresca e inovada arte de contar histórias encarando uma fórmula que mistura horror e um romance doentio”. Rowling está planejando mais seis livros sobre as aventuras de Harry Potter.

O livro tem providenciado à  sua autora uma escapatória da vida difícil e árdua que ela tinha em Edimburgo. “Eu estava muito deprimida e ter um bebê recém-nascido tornava isso ainda pior”, disse Rowling, 31, que cresceu na Floresta de Dean e se formou em francês e literátura clássica na Universidade de Exeter.

“Eu simplesmente não conseguia me sentir normal, eu estava muito devagar e tinha que conquistar qualquer coisa. Sem esse desafio eu teria ficado completamente doida”.

Com o livro terminado, ela contratou um agente. “Eu não sabia nada sobre agentes por isso eu fui à biblioteca e procurei alguns endereços. Christopher Little foi a segunda pessoa para quem eu escrevi”.

“Eu lembro de ter recebido uma carta com a resposta. Tinha certeza de que era uma carta de rejeição, mas dentro do envelope estava um texto dizendo, ‘Obrigado. Nós ficarí­amos gratos em receber os seus rascunhos com exclusividade’. Essa foi a melhor carta da minha vida, eu a li oito vezes”.

Mais tarde, o agente vendeu o rascunho à  filial da editora Scholastic em Nova York num leilão. “Christopher me disse que estava acontecendo um leilão e que dez companhias estavam envolvidas. Eu não sabia sobre o que nós estávamos falando. Pensei em milhares de coisas, menos um valor de seis dígitos. Eu estava animadí­ssima. A primeira sensação foi a de choque profundo. Eu fiquei paralisada temporariamente naquela hora”.

Rowling, que deixou o seu marido português, sobreviveu com subsí­dios e fez alguns trabalhos de meio expediente em escritórios e ensinando, mas não podia dar-se ao luxo de comprar um processador de palavras.

“Eu estava escrevendo para mim. Para alguém que oferecesse bastante dinheiro por alguma coisa que eu tinha escrito, porque a sorte que eu tinha de gostar de ler era incrível”, ela disse. “Eu não sei o que farei agora. Eu estou nervosa em deixar o meu meio perí­odo de professora e me tornar uma escritora de período inteiro, mesmo isso sendo algo que eu sempre quis ser”.

O clube do livro da Scholastic de Nova York tem 80 mil membros, os quais asseguram que Rowling pode encarar o futuro com confiança. O seu agente elogiou a jovem escritora: “Para um primeiro livro de uma autora novata, isso é desconcertante, mas é um livro muito bom. Ela é realmente maravilhosa e original. Sua imaginação é enorme. Você está lendo e quando vira a página, fica pensando: “de onde isso surgiu?”

Traduzido por: Adriana Snape.
Revisado por: Isadora Cal em 07/11/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.