Naughtie, James. “James Naughtie fala com J.K. Rowling sobre um de seus romances, Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Programa Clube do Livro do Radio 4, 1 de agosto de 1999.

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James Naughtie: Olá e bem-vindos ao Clube do Livro. Entre crianças de uma certa idade, J.K. Rowling já é um nome que aparece na prateleira com Roald Dahl e com nomes de uma idade mais antiga como Richmal Crompton ou mesmo C.S. Lewis. Ela, Joanne Rowling, escreveu em 1997, um livro chamado Harry Potter e a Pedra Filosofal. E logo todo mundo soube que era um fenômeno. Crianças e pais logo o devoraram.

Então hoje é um clube do livro das crianças. O grupo de leitores reunidos aqui é jovem. Eles são todos entusiastas de Harry Potter e eu sei pela cacofonia dos últimos minutos lá fora que eles mal podem esperar para grudar em J.K. Rowling que, eu devo dizer, parece surpreendentemente calma sentada entre todos eles. Bem-vindos vocês todos e bem-vindos todos vocês em casa, jovem ou velho, com Harry Potter como palco principal.

Nada como isso aconteceu na literatura infantil por um bom tempo. É uma história de mágica, mas também uma história de pessoas reais. As aventuras de Harry como aluno da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts são estranhas e inesquecíveis.

Há fantasmas e bruxos; o cão de três cabeças que guarda o alçapão no terceiro andar sob o qual repousa a própria pedra filosofal; um fantástico elenco de personagens em roupas e barbas. Todos eles fazem a população de um mundo que é tão cheio de detalhes e real como o mundo comum lá fora, habitado pelos trouxas, que é como Harry e s outros como ele chamam os mortais que não têm mágica e simplesmente não entendem o que pode acontecer se você tomar o trem na plataforma nove e meia, na estação King’s Cross para ir a outro mundo. Há Draco Malfoy, o ruivo Rony Weasley, a estudiosa Hermione Granger, Nick o fantasma quase sem cabeça. As quatro casas na escola competem entre si: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Eles jogam Quadribol, que é football no ar jogado com vassouras, e eles têm problemas com um troll montanhês de três metros e meio e o malvado professor Snape. Acho que vocês conseguem imaginar…

Desde o momento em que corujas começam a se comportar estranhamente no Capítulo Um e um gato é visto lendo um mapa de estrada (na verdade é a professora McGonagall em uma outra forma) você partiu para uma montanha-russa. Harry é lançado contra Voldemort, a essência do mal, e é o começo do que sabemos ser uma longa aventura.

Até agora tivemos duas seqüências, Harry Potter e a Câmara Secreta e nas últimas semanas Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Mais quatro são prometidos, mas é para o texto principal que voltamos hoje. Estou cercado de leitores de olhos arregalados, no meio dos quais está sentada J.K. Rowling.

(Para Joanne Rowling) O que é que produziu a excitação sobre Harry Potter? Porque tem a magia, tem a fantasia. Mas por outro lado tem algo muito real: pessoas reais e um mundo comum, Onde esses dois se encontram de uma maneira que produziu essa fascinação?

J.K. Rowling: Eu sempre acho muito difícil falar sobre os livros nestes termos por que eu acho muito, muito difícil ser objetiva sobre eles. Para mim, eles permanecem o meu pequeno mundo privado – eu estava escrevendo sobre Harry durante cinco anos antes que qualquer pessoa lesse uma palavra sobre ele e ainda é um sentimento incrível para mim, estar em um lugar, como estamos hoje, com pessoas cujas mentes estão cheias com esses personagens, por quê, como eu disse, durante cinco anos eles foram o meu segredo. A partir do momento em que eu tive a idéia para o livro, eu pude simplesmente ver coisas muito engraçadas na idéia de bruxos entre nós e que somos tolamente cegos ao fato de que a razão pela qual nós continuamos perdendo as chaves do carro é que bruxos as enfeitiçam por brincadeira.

James Naughtie: Ele é um rapaz muito legal, Harry, não é?

J.K. Rowling: Sim, ele é um rapaz muito legal, sim, definitivamente.

James Naughtie: Ele faz o mundo certo e bom no final, não faz? Você escreveu com um tipo de propósito moral, usando uma frase bonita?

J.K. Rowling: Não, eu nunca, em nenhum momento sentei e pensei, qual vai ser a moral deste livro? Tendo dito isso, uma moral normalmente aparece rápida quando eu escrevo, então não é algo consciente, ela tende a evoluir enquanto eu escrevo os livros.

James Naughtie: E ainda, o fato é, embora seja cheio de diversão, tem um pouco de tristeza. Ele é um órfão, ou é assim que aparece no início do livro. E tem aquele momento terrível em que ele olha no espelho e vê seus pais. Aquela é uma imagem meio problemática. Você se preocupou em como as crianças iriam encarar isso?

J.K. Rowling: Não, o que soa muito duro. Mas eu nunca, em nenhum momento em que escrevi qualquer um dos livros, preocupei-me se as crianças entenderiam ou se elas achariam engraçado ou se eu as assustaria muito, nunca, por que eu escrevi os livros inteiramente para mim. Eu simplesmente fui onde eu queria e agüentei as conseqüências.

Traduzido por: Torfithiel em 22/06/2006.
Revisado por: Frederico Oliveira em 25/01/2006.
Postado por: Fernando Nery Filho em 30/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote
aqui.