Uma noite com Harry, Carrie e Garp #2

“Uma noite com Harry, Carrie e Garp: Leituras e perguntas #2”. Radio City, 02 de agosto de 2006.

Local: Radio City Music Hall, Nova Iorque, NY.
Também estrelando: Whoopi Goldberg, Tim Robbins, Stephen King, Stanley Tucci, John Irving e Kathy Bates.
Contexto: leitura beneficente para arrecadar dinheiro para “Doctors Without Borders” e “Heaven Foundation”
Vídeo: mp4 (em 4 partes)

Anunciante: Senhoras e senhores, por favor recebam a vencedora do Oscar, Emmy, Tony e Grammy, a estrela de filmes baseados em amados livros como A Cor Púrpura e Mudança de Hábito, Whoopi Goldberg! (multidão grita).

Whoopi Goldeberg: Bem-vindos ao “Uma Noite com Harry, Carrie e Garp”. (multidão grita novamente). Essa noite, aqui no palco do Radio City Music Hall, esse legendário palco da nação, nós vamos trazer a vocês três dos mais legendários escritores do mundo. Stephen King, John Irving e JK Rowling (multidão grita).

Eles são três dos meus autores favoritos, eu tenho que contar pra vocês. Três fantásticos autores, três contadores de histórias inigualáveis, três distintos fenômenos, cada um uma própria indústria. Esses três escritores são forças de igual ou maior natureza do que qualquer outro evento sobrenatural que você possa achar nos livros deles (multidão ri). Não é fácil fazer uma indústria crescer.

Esses são os autores que nos deram alguns dos mais inesquecíveis personagens que já foram criados – Harry, Carrie e Garp. Alguém deveria ter os colocado juntos há muito tempo. Porque sabe de uma coisa, se aquele menininho fracote tivesse convidado aquela pobre menina para a formatura – (multidão ri) teria evitado muito choro.

Essa é uma noite histórica. Nunca antes um grupo de estrelas literárias se uniu em um único palco. Na verdade, eu acabei de vê-los nos bastidores do palco, e eles estão ocupados trabalhando e conversando. Eu não estava muito próxima deles, mas eu acho que eles estão trabalhando em uma pequena colaboração (multidão ri). Pelo que eu ouvi, o jovem Harry Potter colocou um feitiço em sua professora, uma gnoma de meia-idade, e eles tem esse caso inter-espécies realmente quente. E no caminho de volta para Exeter, eles se perderam e tropeçaram na boca do inferno (multidão ri). Apenas para serem seguidos por um grupo de lobos telepáticos (multidão ri). E eu não quero entregar o final, mas fará você rir e chorar e latejar com encantamento e finalmente libertará você de sua forma viva (multidão ri). Pessoas como eu que são um tanto disléxicos, às vezes nós lemos sentenças e tentamos ir atrás delas e dizemos, “Oh, eu não acho que foi isso que dizia”. (multidão ri)

Essa é uma noite íntima com esses autores e não seria possível sem vocês porque vocês são 6000 dos maiores fãs deles (multidão aplaude). Nós temos três ativos fãs clubes reunidos sob esse teto. Há muitos fãs de JK Rowling aqui (multidão grita). E eu acho que sei por que eles estão gritando. É porque todos os fãs de Stephen King estão sussurrando para eles todos os meios possíveis pelos quais Harry poderia morrer (multidão ri). Às vezes você tem que deixá-lo ir. Vocês não sabem o que ela vai escrever! É simplesmente incrível a quantidade de fãs que estão aqui essa noite.

Sabe, há incontáveis milhões de fãs de Stephen King aqui essa noite (multidão grita). E eles vêm do mundo todo. Mas nós dificilmente nos encontramos porque muitos de nós somos grandes bravos solitários (multidão ri).

Os fãs de John Irving estão aqui em força total (multidão grita). E sabe, John é famoso por escrever sobre mulheres fortes (mulheres gritam). E talvez seja por isso que as mulheres o amem tanto. Ele não tem muitas mulheres negras ainda, mas eu estou conversando com ele sobre isso (multidão ri). Se eu conseguisse tirar as Rockettes (grupo de dança feminino do Radio City Music Hall) do caminho seria ótimo (multidão ri).

Essa noite é na verdade um tributo a vocês, fãs. Vocês são os maiores leitores dos maiores escritores do mundo. Então ponham os seus dedos com cortes-de-papel e suas mãos juntas e dêem a si mesmos uma salva aplauso (multidão aplaude).

Se essa noite não provar mais nada, prova que a leitura ainda está viva e bem (multidão grita). Nós reunimos essa casa, o que prova o que acontece quando grandes livros caem nas mãos de grandes leitores. A leitura está viva e bem porque o preço da gasolina está 2,15 reais o litro. Ler um livro fantástico pode ser a única maneira pela qual conseguimos viajar atualmente. E finalmente, a leitura está viva e bem porque hoje nós estamos armando esse incrível poder para o benefício de duas incríveis causas. Causas tão próximas dos corações dessa noite (inteligível) dos autores.

A primeira é a “Haven Foundation.” Criada para proporcionar suporte para escritores e artistas que sofreram alguma doença ou acidente sérios e não podem mais se sustentar sozinhos.

A outra é “Doctors Without Borders”. Essa é uma organização médica humanitária que leva cuidados médicos emergenciais e ajuda a lugares onde pessoas estão com necessidades urgentes. Vocês podem ficar orgulhosos pelo fato de que os procedimentos para a compra de seu ingresso serão colocados em bom uso na busca dessas missões. Causas tão importante que até mesmo o cambista da 6th Avenue decidiu abrir mão de alguns dólares (multidão ri).

Então com grandes autores e fantásticos leitores e causas dignas, nós trazemos a vocês essa noite muito especial com Harry, Carrie e Garp, e hoje, apresentando nossas grandes estrelas está uma coleção de artistas que trazem uma apreciação especial de seus trabalhos.

Mas antes de apresentar nosso primeiro artista, eu gostaria de dizer, é ótimo ver todas essas crianças aqui. É ótimo ver que a leitura está viva e bem. Pais, vocês tem somente isso ainda em comum. Para apresentar o primeiro autor dessa noite, eu introduzo a vocês um ator, diretor e vencedor do Oscar, e ele também é um cara muito bom. Senhoras e senhores, para apresentar Sr. Stephen King, Tim Robbins.

(multidão comemora)

Tim Robbins: Obrigado. Eu amo vocês também. (multidão ri)

Andy Dufresne (multidão aplaude). Andy Dufresne e a sua história Shawshank Redemption é minha conexão com o trabalho de Stephen King. (multidão aplaude) O filme foi, com certeza, uma fiel adaptação da pequena história de Stephen, Rita Hayworth and the Shawshank Redemption. Seu habilmente escrito conto sobre encarceramento e libertação. Eu fico muito orgulhoso de ser associado a Shawshank.

Embora o título tenha sido fonte de muita confusão para muitos de seus fãs. Por causa de seu poder e de seus temas, Shawshank Redemption se tornou um desses raros filmes, cujo impacto fica mais profundo com o tempo. Como Casablanca ou A Felicidade não se compra, Shawshank foi negligenciado no começo, mas acabou achando seu caminho para o coração de muitas pessoas. Na verdade, é uma boa aposta que deve estar passando na TNT enquanto nós conversamos (multidão ri). Shawshank Redemption não foi necessariamente o tipo de história que você poderia esperar de Stephen King se o conhecia apenas como o inigualável mestre do gênero de terror, mas é instantaneamente reconhecível para aqueles entre nós que sabem que Stephen é o primeiro e principal mestre de histórias com uma incomum compreensão do que domina o coração humano e é desse lado de Stephen que eu tenho tido a grande honra de fazer parte.

Quase todos os dias, um estranho se aproxima e com um olhar religioso me explica como “Shawshank” é importante para ele. Quantas vezes eles viram isso, e como o filme os mudou. Jovens, velhos, negros, brancos, ricos, pobres, trabalhadores, criminosos – (multidão ri) – “Shawshank” importa e importa porque Stephen King, além da habilidade de assustar você, tem o coração misericordioso de um grande escritor.

Stephen King importa, não somente por seu produtivo talento, mas por sua extraordinária habilidade de criar personagens que definem, com seu jeito único, quem nós somos. E agora, é hora de ouvir as opiniões de outros sobre Stephen King.

(Passa vídeo de Stephen King)

(Stephen King entra e ouve-se música, altos aplausos e gritos).

Stephen King: Obrigado. Vocês, vocês são muito. Eu acho que todos os trouxas estão em casa essa noite assistindo TV (multidão ri). As pessoas de verdade estão aqui. Vocês não acham que essa coisa (olha para sua cadeira) é elétrica, acham? (multidão ri)

Eu posso ler, mas eu não acho que eu possa sentar nessa cadeira o tempo inteiro – bom, então essa foi uma introdução realmente muito boa e as pessoas disseram coisas muito boas e agora eu acho que vou ler uma história realmente grosseira (multidão ri e grita). Porque é isso que eu faço. Espero que vocês tenham aproveitado suas jantas, porque pode não durar muito tempo.

Há uns 25 anos atrás, uma das irmãs de minha esposa me contou sobre ir a uma competição em uma cidade pequena na qual as pessoas comiam tortas (multidão comemora). Alguns de vocês conhecem a história (multidão ri). Um dos competidores comeu muito rápido e vomitou. Até agora eu nunca encontrei uma história nojenta que eu não tenha gostado. Então eu a adaptei, incrementei, coloquei uns esteróides e transformei em um livro chamado “As Quatro estações” e uh – (multidão aplaude) – oh, obrigado – e Rob Reiner colocou em um filme chamado Conta Comigo (multidão aplaude). O dele era versão para 13 anos, essa era a censura. É o uh – (multidão aplaude). Esse é The Revenge of Lardass Hogan (multidão aplaude) – de Conta Comigo.

(Stephen King lê sua passagem de As Quatro estações)

(multidão aplaude enquanto Stephen King sai)

Anunciante: Senhoras e senhores, por favor recebam a estrela do filme O Diabo veste Prada, Stanley Tucci.

(multidão aplaude enquanto Stanley Tucci entra)

Stanley Tucci: Muito obrigado. Eu não vou comer por uma semana. (multidão ri). Quando me pediram para apresentar o próximo escritor, alguém sugeriu que eu vestisse um uniforme de luta livre. Bom, considerando o calor de hoje, eu quase concordei, mas, eu não queria passar vergonha e nem deixar nenhum de vocês sem jeito. Então eu vou somente, humm – eu vesti um terno (multidão ri).

Dos três celebrados escritores e fantásticos artistas dessa noite, somente um foi introduzido ao National Wrestling Hall of Fame (Hall da Fama Nacional de Luta), Whoopi Goldberg – não eu – (multidão ri) – quem sabe? É com certeza um fato peculiar na biografia de um escritor sério, mas é exatamente o tipo de detalhe inesperado que você pode muito bem encontrar em um livro de John Irving (multidão aplaude).

Os 11 inesquecíveis livros de John Irving são profundamente infiltrados no incomum porque eles muitas vezes colocam personagens anormais em situações extremas. Seu trabalho é o perfeito anúncio de suas credenciais, como um lutador amador e um clássico escritor mundial. Se a luta ensina alguma coisa ao escritor, é que adrenalina extravasa de uma pessoa, seja sua melhor ou sua pior e que a vida exige a capacidade de pensar com os pés no chão, ou pelo menos, com os joelhos. Então também não é surpresa nenhuma que John Irving não tenha medo de desafiar de frente seus leitores. Seus livros são extraordinariamente movimentados, complexamente tramados, e enlaçados com símbolos, metáforas, sub-tramas e repetições. Suas extensas histórias contam os contos da vida em sua integridade. Eu acho que ele alcança isso através de íntimas e detalhadas descrições dos comportamentos todos-muito-humanos de seus personagens.

Citando um de seus livros, The Water-Method Man, “Há um perigo residindo em pequenas coisas emocionais.” Sr. Irving executa o que nós todos, como artistas, apenas esperamos fazer. Ele confronta esses perigos de frente permitindo, ou insistindo que seus personagens residam nessas coisas, e nós leitores não podemos fazer nada além de segui-lo. Livro após livro ele pede que seus leitores explorem com ele, regras e maneiras e as conseqüências em se quebrar códigos sociais. Sem surpresas, nós somos todos mais ricos por termos feito isso. E de alguma forma, essa combustão de personagens irregulares e improváveis eventos nunca falham em sintetizar a falta de ligação no fim.

Qualquer um que confunda esses personagens com estranhos forasteiros ou acha seus destinos muito inexplicáveis para serem verdadeiros, não tem prestado muita atenção à vida comum. Mas milhões de fiéis leitores são gratos pelo fato de que John Irving o tem feito. E agora, por favor, dirijam sua atenção a esse pequeno vídeo sobre esse extraordinário escritor.Obrigado (multidão aplaude).

(Passa vídeo de John Irving)

(John Irving entra e ouve-se música e altos aplausos e gritos)

John Irving: Muito Obrigado. Por eu saber o que Stephen ia ler essa noite, eu decidi comer depois do evento (multidão ri). Obrigado por isso, Steve.

E foi um grande prazer ser introduzido por um cara que foi Puck em Sonho de uma noite de verão e Frank Nitti e Lucky Luciano. Isso sem mencionar, Adolf Eichmann.

Vocês devem se perguntar que experiência pessoal de minha infância estimulou um desfile de natal como aquele em A Prayer for Owen Meany (multidão aplaude). No meu caso, religião e infância são inseparáveis. Quando criança, fazer um teatro do nascimento de Jesus era o mais próximo que você poderia chegar de um milagre.

Eu já fui José uma vez, fui o rei, o pastor de ovelhas, fui um dos animais na manjedoura, muitas vezes. Eu fui o anjo também. Não é um papel ruim. O anjo também algumas falas boas. Uma vez eu fui todo mundo, exceto a Virgem Maria. Isso não teria funcionado, eu acho. Embora meu avô tenha sido um grande imitador feminino. Nas amadoras produções teatrais da minha cidade, meu avô tinha todos os melhores papéis de mulheres. Por ele ter morrido quando eu era bem novo, eu na verdade lembro do meu avô melhor como uma mulher do que como um homem (multidão ri). Mas eu nunca fiz Virgem Maria e, é claro, eu nunca fui o menino Jesus. Apenas bebês podiam ser o bebê Jesus, o que sempre me pareceu injusto. Afinal de contas, na história real de natal, se não em todos os desfiles de natal, Jesus tem o papel principal. Que ator não iria querer esse papel?

A premissa de A Prayer for Owen Meany é em partes religiosas e da infância. No verão de 1953, dois meninos de 11 anos, melhores amigos, estão jogando uma pequena liga de baseball em Gravesen, New Hampshire. Um dos meninos rebate uma bola que mata a mãe de seu melhor amigo. O menino que faz esse surpreendente e letal contato com a bola não acredita em acidentes. Owen Meany acredita que é um mensageiro de Deus.

Cinco meses depois, Johnny Wheelwright, o menino que perdeu a mãe naquele jogo de baseball, ainda é o melhor amigo de Owen Meany. Como Johnny diz na primeira frase desse livro, “Eu sou destinado a lembrar desse menino com voz devastada, não por causa de sua voz ou ele foi a menor pessoa que eu já conheci ou porque ele foi o instrumento da morte de minha mãe, mas porque ele é a razão pela qual eu acredito em Deus. Eu sou cristão por causa de Owen Meany.”

(John Irving lê sua passagem de A prayer for Owen Meany)

(multidão aplaude enquanto John Irving sai)

Anunciante: Senhoras e senhores, por favor recebam a vencedora do Academy Award, Kathy Bates.

(multidão grita e aplaude enquanto Kathy Bates entra)

Kathy Bates: Obrigada. Muito obrigada. Obrigada e boa noite. Essa noite, nossa próxima autora (pausa, enquanto multidão grita e aplaude) faz seu muito esperado retorno aos Estados Unidos, a primeira visita em seis anos (multidão grita e aplaude novamente). E é por isso que nesse momento eu me sinto como Ed Sullivan quando ele estava prestes a apresentar os Beatles. Algumas crianças aqui, se assegurem de perguntar aos seus pais do que eu estou falando no caminho para casa (multidão ri). Os Beatles estavam em uma banda chamada Wings.

Mas esse momento parece de alguma forma maior porque com a Pottermania (multidão grita), JK Rowling conseguiu realizar um feito que ninguém jamais imaginou ser possível. Transformar uma geração inteira de crianças em loucos, escandalosos e frenéticos fãs de livros (multidão grita e aplaude). Não vamos nos esquecer de que a chegada de Harry Potter em nossas terras é um perigoso momento. Bem quando pareceu que a tecnologia havia infiltrado cada aspecto de nossas vidas, muito do risco estava em nossas crianças. Entre computadores e PlayStations, modems e multiplex, nós estávamos correndo o risco de perder uma geração inteira para a destruição dos A.A.D.

Então, veio uma autora que domou a dissonância com um sussurro. Com palavras em uma página, JK Rowling atraiu crianças para longe das telas e dentro da quietude de seus quartos, e os levou a lugares aos quais o Google não vai (multidão aplaude).

Com cada grosso livro que eles conquistavam, as crianças ganhavam confiança para seguir ao próximo. Os livros de Harry Potter colecionados nas prateleiras foram mostrados como troféus. E nos meses em que eles esperavam pela publicação das próximas partes, uma coisa incrível aconteceu com esses novos leitores, eles se tornaram re-leitores. Devorando de novo e de novo o mesmo livro pelo prazer que eles tinham sentido na primeira vez somente pela a trama.

É claro que na nossa era de entretenimento, era inevitável que um livro e um herói tão populares quanto Harry fizessem seu caminho dos livros para as telas. Haviam aqueles que temiam que os efeitos especiais do filme fossem colocar um fim ao reinado do livro, e que crianças fossem preferir assistir a um pré-imaginado mundo de bruxos do que conjurar o deles próprios a partir de uma página.

Em vez disso, as legiões de fãs de Harry foram avidamente aos cinemas, e então fielmente de volta a seus livros. É assim que nós sabemos – (pausa enquanto multidão aplaude) – que nós sabemos que o feitiço de Rowling não é tão fácil de ser quebrado. Que a mágica que ela conjura transforma crianças em leitores para uma vida inteira. Quais são seus segredos? Vamos dar uma olhada.

(Passa vídeo de JK Rowling, incluindo cenas dos filmes, do programa da BBC Harry Potter and Me, The Richard and Judy Show, Saturday Night Live, The Today Show, e BBC Newsnight)

(JK Rowling entra e ouve-se música, aplausos e gritos incrivelmente altos).

Multidão: Feliz Aniversário!

JK Rowling: Sem pressão então. Sem pressão. Como se eu não estivesse me sentindo pressionada o suficiente já (multidão ri). Vocês falam da Beatlemania, eu me sinto um pouco como se eu fosse “Herman and the Hermits” tendo que entrar depois dos Stones e dos Beatles (multidão ri). Minha consolação é que eu tenho os sapatos mais interessantes (multidão ruge com aplausos). Cobras. Obrigada por isso.

Eu notei que vocês gostam do Snape. Vocês simplesmente nunca desistem de ter esperança, não é?

De qualquer forma, eu vou fazer uma curta leitura de Harry Potter e o Enigma do Príncipe (multidão grita). Curta porque, humm, pela minha experiência, meus leitores gostam que eu responda algumas perguntas, e gostam que eu me apresse para essa parte então eu vou receber algumas perguntas depois que eu fizer a leitura.

Essa é a respeito da parte da história em que Harry volta no tempo e observa Alvo Dumbledore – um Alvo Dumbledore mais novo – informando a outro famoso aluno da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts que ele tem uma vaga na escola (multidão comemora). E vocês realmente não deveriam estar comemorando essa em particular (multidão ri). Snape eu até posso entender, mas – de qualquer forma…

(JK Rowling lê sua passagem do capítulo 13 de Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

JK Rowling: Obrigada. Vocês devem ter notado, ninguém me contou que o tema das leituras tinha que ser vômito. Então humm (multidão ri). Eu poderia ter feito alguma coisa com as pastilhas de vômito, mas eu estava – eu não sabia. De qualquer forma, nós temos algumas perguntas agora.

Christina: Meu nome é Christina e eu tenho 13 anos e sou de Staten Island, New York. Se você pudesse trazer um personagem de Harry Potter à vida, sem ser Harry, quem seria?

JK Rowling: Se eu pudesse trazer alguém à vida?

Christina: A não ser o Harry.

JK Rowling: Que não fosse Harry. Humm, pessoalmente, embora seja uma bem enganadora, Hagrid. Se eu pudesse ter qualquer um (multidão ri). Porque eu acho – eu acho que nós todos gostaríamos de um Hagrid na nossa vida. Responsabilidade, embora ele geralmente seja. Seria realmente bom se eu encontrasse um cristão fundamentalista, pra dizer, “Você gostaria de discutir esse assunto com Hagrid?” (multidão ri e aplaude).

(Para a próxima pessoa esperando) Olá.

Desconhecido 1: Eu tenho 18 anos e sou de Nova Iorque. Minha pergunta é, em Enigma do Príncipe, é dito que tia Petúnia fica estranhamente corada quando Dumbledore diz que Harry retornará apenas mais uma vez a Rua dos Alfeneiros. Isso significa que tia Petúnia abriga um amor ou ternura escondido por Harry e a conexão que ele faz com o mundo mágico? (multidão ri e aplaude).

JK Rowling: Essa é uma excelente pergunta (multidão ri). E como todas as melhores e mais penetrantes perguntas, é muito difícil de responder. Mas eu vou dizer isto. Há um pouco mais sobre Tia Petúnia do que nossos olhos vêem e você vai descobrir o que é isso no livro sete. (multidão ruge e aplaude).

Cory Mayer: Meu nome é Cory Mayer e eu tenho 9 anos e sou de Bordentown, New Jersey. Eu absolutamente amo seus livros. Eu não sou um grande leitor, mas seus livros me fazem querer ler e isso deixa minha mãe feliz (multidão e JK Rowling riem). Ela ama seus livros também. Em uma entrevista recente você deu uma pista sobre a morte de dois personagens principais, possivelmente de Harry Potter também. Dumbledore era considerado um dos personagens principais ou nós teremos a chance de vê-lo em ação mais uma vez? Já que ele é o bruxo mais poderoso de todos os tempos e Harry Potter é tão leal a ele, como ele pode estar realmente morto?

JK Rowling: Ohhhhhhhhh (Jo põe sua cabeça entre os braços e a multidão comemora e aplaude). Eu me sinto terrível (multidão ri). O escritor britânico Graham Green disse uma vez que cada escritor tinha que ter uma lasca de gelo no coração. Oh não (Jo diz chorosa enquanto multidão ri). Eu acho que você pode ter simplesmente arruinado minha carreira (multidão ri). Humm, eu realmente não posso responder essa pergunta por que a resposta está no livro sete, mas… Você não deveria esperar que Dumbledore dê uma de Gandalf. Deixe-me apenas colocar dessa maneira. Desculpe. (multidão lamenta e aplaude).

Salman e Milan Rushdie: Olá. Nós somos Salman e Milan Rushdie (multidão aplaude). Humm-

JK Rowling: Eu não tenho certeza se isso é justo (multidão ri). Eu acho que vocês podem ser melhores em adivinhar a trama do que os outros, mas de qualquer modo, continue.

Salman e Milan Rushdie: Nós temos 9 e 59 anos. E um de nós é muito bom em adivinhar tramas, mas não eu. E é na verdade uma pergunta de Milan, e meio que segue a anterior.

JK Rowling: Tudo bem. Certo.

Salman e Milan Rushdie: Até os eventos do volume seis, estava claro que Snape era um cara não muito agradável, mas ele era essencialmente um dos caras bons. (multidão grita em aprovação)

JK Rowling: Eu posso ver que essa é uma pergunta que vocês realmente querem que eu responda.

Salman e Milan Rushdie: O próprio Dumbledore – o próprio Dumbledore sempre o aprovou.

JK Rowling: Sim.

Salman e Milan Rushdie: Agora de repente nos contam que Snape é um vilão e o assassino de Dumbledore.

JK Rowling: Ahan.

Salman e Milan Rushdie: Nós não podemos, ou não queremos acreditar nisso (multidão ri). Nossa teoria é que Snape é, na verdade, ainda um bom cara (multidão aplaude). Do que se conclui que Dumbledore não pode estar realmente morto e que a morte é um artifício armado entre Dumbledore e Snape para que Voldemort baixe sua guarda e então Harry e Voldemort se encontrem cara-a-cara (multidão ri). Harry pode ter mais aliados do que ele, ou Voldemort, suspeita. Então, Snape é bom ou mau? (multidão ri, aplaude, grita e Jo dá risada). Em nossa opinião tudo segue para isso.

JK Rowling: Bom, Salman, sua opinião, eu diria está… certa. Mas eu vejo que preciso ser um pouco mais explícita em dizer que Dumbledore está definitivamente… morto (multidão respira). E eu de fato sei… de fato sei que há um website inteiro por aí – cujo nome é DumbledoreIsNotDead.com, então humm, eu imaginaria que eles não estejam muito felizes agora (multidão ri)… Mas eu acho que preciso – vocês precisam – todos vocês precisam passar pelos cinco estágios do sofrimento (multidão ri), e eu estou apenas ajudando a passar pelo da negação. Então, eu não consigo me lembrar o que vem depois. Pode ser raiva então eu acho que deveríamos parar aqui. Obrigada (multidão aplaude).

Então agora é meu prazer convidar meus companheiros autores de volta ao palco (multidão aplaude). Eu não me sinto digna. Então aqui, Stephen King e John Irving (multidão aplaude).

Stephen King: E eu gostaria que vocês recebessem a moderadora que nos permitirá receber algumas perguntas da audiência, Soledad O’Brien, que é a anfitriã da CNN America Morning (multidão aplaude).

Soledad O’Brien: Nós temos mais perguntas agora, mas antes, um grande obrigado a cada pessoa que mandou uma pergunta para os autores. Nós recebemos mais de 1.000 no total. Na verdade, por elas serem tantas, nós pudemos selecionar apenas 12 e nós convidamos os doze sortudos a vir sentar perto do palco e, portanto, perto dos microfones também. Vocês já conheceram quatro deles, e nós gostaríamos de ouvir agora o que os outro oito estão tão ansiosos para perguntar para Stephen King, John Irving e JK Rowling. Então, nós vamos para a primeira pergunta. Robert Knott, de Alabama. A pergunta é para Stephen King. Vá em frente Robert.

Robert Knott: Minha pergunta é para Stephen King, mas eu gostaria antes de agradecer a cada um pelos extraordinariamente criativos, infinitamente fascinantes e belamente moldados trabalhos literários que vocês trouxeram ao mundo (multidão aplaude). Obrigado pelas suas atraentes histórias e por essa especial Noite Com Harry, Carrie, e Garp (multidão aplaude). Sr. King, os conteúdos da sua cabeça já te assustaram? (multidão ri)

Stephen King: Não, eu deixo essa parte para vocês (multidão ri). Não, eu quero dizer, a maior parte do tempo, essas coisas apenas vêm e eu simplesmente – Eu já disse isso antes: algumas pessoas por aí pagam um psiquiatra, sabe, 90 dólares por hora e apenas conseguem uma hora de 50 minutos, e esses caras levam Agosto inteiro e vão para um lugar que é bom. Eu faço o mesmo – sabe, eu descarrego os mesmos terríveis sentimentos de medo e reações de fobia e, uh, as pessoas me pagam. É um ótimo jeito de se viver, cara. (multidão ri e aplaude)

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de Lisa Peterson. Ela vem de West Reading, Connecticut, e a pergunta dela é para John Irving. Vá em frente, Lisa.

Lisa Peterson: Olá. Obrigada por todas essas maravilhosas leituras. Eu realmente gostei delas. Sr. Irving, eu realmente gostei de sua história sobre a inspiração sobre inspiração na vida real por trás do desfile de Natal e Owen Meany, e eu estava me perguntando se você gostaria de compartilhar qualquer outra história que tenha levado aos eventos ou personagens naquele livro? Eu estou pensando especificamente no tatu e no capítulo chamado The Finger, mas você certamente não está limitado a esses.

John Irving: (ri). Humm, eu sou um processador muito lento com essas coisas que me afetaram pessoalmente ou emocionalmente. Eu não escrevi sobre as coisas dessa maneira. Se Owen Meany fosse – é justo dizer – fosse minha Vietnam Novel, teria sido escrita 20 anos depois da guerra.

Quando eu escrevi The Cider House Rules, eu propositalmente a coloquei nos anos 1930 ou 40, para mover as histórias o mais longe possível do clima político atual, do tema do aborto, que eu conseguisse. Para poder ver de longe.

E eu escrevi minha maior autobiografia sobre minha infância e minha adolescência mais recentemente, quando eu já estava nos meus 50, começo dos 60. Funciona melhor esperando.

Owen Meany veio dessa forma. Eu estava na minha cidade natal, e algumas pessoas com as quais eu tinha estudado e crescido também estavam de volta para o Natal e eu entrei em contato com dois ou três amigos que, em alguns casos, eu não via desde que nós tínhamos 8, ou 9 ou 10 anos e agora nós estávamos em nossos 20, 30 anos, humm, com nossas próprias crianças. E por alguma razão, o mórbido assunto sobre aqueles amigo que tinham, humm, morrido no Vietnã ou aqueles que alteraram completamente o curso de suas vidas por causa do que fizeram para eles mesmo, apenas para não irem para a guerra. Deixaram o país, cortaram seus dedos, vocês decidem. Era claramente uma consistente lista. Essa é a minha geração.

E alguém citou o nome de alguém que não significava nada para mim. Eu achei que eles estivessem enganados, eu pensei, “Bom, eu nunca conheci essa criança,” e eles disseram, “Ahh sim, ele se mudou com a família dele quando ainda tinha uns 10 ou 12 anos, mas você se lembra dele, você cresceu com ele”. Eu disse que aquele nome não significava nada para mim. Eles me disseram “Bom, aos domingos na escola, você o pegava pelos tornozelos e o balançava até que todo o dinheiro caísse das calças dele” (multidão ri). E então eu lembrei desse menino bem pequeno, que era mais baixo que todos nós.

E nós o amávamos, mas gostávamos de provocá-lo porque ele tinha uma voz assim. (em uma aguda e estridente voz). E nós adorávamos vê-lo ficar bravo. Ele era tão pequeno que onde quer que você estivesse por perto dele, você simplesmente tinha que pegá-lo, o que ele odiava. Então ele voltou para mim, ele voltou como um menino de 8, 9 anos de idade, e eu disse uma das coisas mais estúpidas que eu já disse na minha vida. Eu disse aos meus amigos, “Oh, ele não poderia ter ido ao Vietnam, ele é muito pequeno,” tendo visto-o pela última vez aos 8 anos. E um dos meus amigos mais próximos disse “Seu idiota, ele provavelmente cresceu.” (multidão ri). E eu – sabe – eu tive uma noite ruim. Eu fui para casa e pensei, e se ele não cresceu? E se ele não cresceu? E isso se tornou Owen Meany (multidão aplaude).

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de Exsan Pre (desculpe-me se seu nome foi pronunciado errado), de Mountaintop, Pensilvânia e essa é para JK Rowling. Vá em frente.

Exsan Pre: Obrigada. Como bibliotecária, eu gostaria de primeiramente agradecer a você por atrai tantos estudantes e adultos à leitura. Já que a série Harry Potter vai, infelizmente, terminar, o que o futuro aguarda pra você e seus leitores? Você tem alguma coisa planejada para manter os adultos e estudantes esperando ansiosos por um lançamento?

JK Rowling: Eu achei que você fosse me atacar por Madame Pince e eu gostaria de me desculpar a você e todas as outras bibliotecárias (multidão ri) presentes aqui hoje e minha desculpa é sempre de que se elas tivessem sido agradáveis e prestativas bibliotecárias, metade da minha trama não existiria. Porque a resposta invariavelmente está em um livro, mas Hermione tem que ir e acha-la. Se eles tivessem uma boa bibliotecária, esse problema resolvido teria sido. Então, desculpe.

Humm, eu tenho em mente meio que, se tudo der certo, um livro para crianças um pouco mais novas que está metade escrito então eu posso voltar para isso quando Harry terminar. Eu acho que vou precisar de um luto, no entanto. Vocês têm que me deixar passar sobre Harry.

Exsan Pre: Muito obrigada.

JK Rowling: Obrigada. (multidão aplaude)

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de Keri Hensonpeller de Milwaukee, Wisconsin, e é para Stephen King. Vá em frente Keri.

Keri Hensonpeller: Oi. Eu estou aqui hoje à noite com minha mãe, Kathy Kugan e ela mora em Bucksport, Maine, que é bem perto de Bangor, Maine. Ela diz que você tem sido um grande contribuinte para a comunidade e que a comunidade responde a isso tratando você como um Maine comum. Como você conseguiu manter seu foco e comprometimento?

Stephen King: Eu sou um cara comum, isso é tudo. Sabe, a coisa é que, as pessoas tratam você – se eles apenas te vêem no palco do Radio City Music Hall – eles tratam você como se você fosse uma grande coisa e por uma noite você passa a ser grande coisa, mas eu vou contar uma coisa. Eu vou para casa, bom, eu tenho coisas pra fazer amanhã, mas sábado eu vou ficar em casa e minha esposa vai estar lá e vai dizer, “Leve o cachorro pra passear e tire as cosas da máquina de lavar louça”. (multidão ri). E imediatamente seus pés voltam ao chão em que você está.

Nós vivemos em Bangor desde 1979, o que significa que nós temos um outro grupo de vizinhos na rua que viveu lá mais tempo que nós, mas eles são velhinhos e não se lembram de nós, então (multidão ri) isso quase não importa mais. Você vê o que quero dizer. De qualquer forma, tem sido uma completa virada. Então nós somos os mais velhos lá sem ser velhos, se você entende o que eu quero dizer. Então nós temos estado por perto. As pessoas nos conhecem. Eles se acostumaram a nós. Você chega a um ponto no qual, você sabe, dizem que familiares procriam desprezo e antes que procriem desprezo, eles procriam vizinhanças e essa é a coisa boa em se viver numa cidade pequena.

E é lá que moramos. Nós moramos em uma vizinhança. Nós temos uma sorveteria numa esquina e uma floresta na outra e eu gosto disso e esse é o lugar onde moramos. É como aquela vila que você escreve nos livros de Harry Potter (referindo-se a JK Rowling) e é como as cidades sobre as quais John escreve em muitos dos cenários da Nova Inglaterra em seus livros, e é ótimo.

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de R.A. Preneto Burns e ele vem de Nova Iorque, NY, e a pergunta é para John Irving.

R.A. Preneto Burns: Boa noite. Eu só queria perguntar – vocês todos criaram personagens pelos quais nós nos apaixonamos, nós os vimos crescer, sonhamos com eles, tem algum personagem no seu universo, Sr. Irving, sobre o qual você gostaria de continuar escrevendo ou criar uma seqüência? Algum em particular?

John Irving: Essa é uma boa pergunta. Eu acho que eu não tenho esperanças de uma seqüência – eu odeio fazer previsões, mas eu acho que nunca vou escrever uma seqüência por uma simples razão. Eu preciso saber o fim de meu livro antes de começar. Não apenas o fim, mas o tom da voz no final. O que acontece de maior importância emocional. Quem são os personagens principais. Até mesmo quem são os personagens secundários. Onde os caminhos deles se cruzam. Eu faço um tipo de mapa para meus livros, da última sentença, com a qual eu tento começar, e que é – Eu sempre escrevo primeiro a última sentença e trabalho o caminho de volta.

Algumas vezes leva de um ano a 18 meses antes que eu comece a escrever um livro. Eu estou apenas começando, fazendo um plano do fim, que eu sempre sei melhor do que sei o começo. Demora um pouco para chegar ao começo. Um exemplo rápido, eu escrevi a última frase do romance que estou trabalhando agora, o meu 12º romance, em Janeiro do ano passado. Eu escrevi o primeiro capítulo em agosto do ano passado. Isso é muitíssimo rápido para mim. Isso pode ser bom ou não tão bom para esse novo livro (multidão ri). Eu não posso dizer isso.

Mas esse é o modo como eu trabalho e como conseqüência, é impossível eu imaginar que alguma coisa aconteça após o fim, porque o fim significou tanto para mim que é por onde eu começo.

Por outro lado, aqui está algo que é comparável a uma seqüência e acontece comigo inconscientemente várias vezes. Personagens voltam como outros personagens em próximos livros. E eu nem mesmo reconheço a reencarnação deles enquanto eles estão surgindo. É apenas quando eu termino o livro que eu percebo, “Oh, esse personagem é apenas uma versão diferente daquele personagem do livro anterior”.

Foi isso que aconteceu com Owen Meany, a descrição física de Owen Meany que primeiro é descrito como parecendo um embrião, ainda não nascido, foi uma passagem que eu tirei do órfão Fuzzy Stone que morre de falência respiratória em “The Cider House Rules”, o livro que eu havia escrito antes de A Prayer for Owen Meany. Eu não sei se é possível entrar em encrencas por ter plagiado a si mesmo, mas (multidão ri) eu plagiei. Se você olhar para a descrição física de Fuzzy Stone e a de Owen Meany, eles são quase os mesmo, palavra por palavra. A personagem Hester em A Prayer for Owen Meany, a personagem de Melaine em The Cider House Rules e a personagem de Emma em Until I Found You, elas são todas a mesma mulher. Elas apenas surgiram. E eu nunca percebo que é a mesma mulher até que eu pense, “Oh Deus, é Emma – é Melaine de novo!” sabe? Aqui vem ela. Então talvez essa seja a minha versão de seqüência.

Por que Dr. Larch em The Cider House Rules, Jenny Fields em The World According to Garp, e eventualmente Johnny Wheelwright, o narrador de A Prayer for Owen Meany todos decidem que nunca fariam sexo? Sabe, eu não conheço muitas pessoas assim (multidão ri). Mas três importantes personagens em três importantes livros, é honestamente algo que eu considero. Então essas são as pragas das minhas seqüências (multidão aplaude).

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de Elaine Morton, de Toronto, Canadá, e a pergunta dela é para Stephen King.

Elaine Morton: Olá como vai?

Stephen King: Bem.

Elaine Morton: Excelente. Humm, Os Estranhos é de longe o livro mais aterrorizante que eu já li ao ponto em que eu nunca realmente terminei de ler porque eu fiquei com tanto medo que eu tive que enterrar o livro, e então pegá-lo de novo e então enterrá-lo novamente, porque era muito aterrorizante (multidão ri). Eu só estava pensando, que tipos de histórias assustadoras não te deixam dormir a noite? Talvez de outros autores?

Stephen King: Pegue aquele livro menina e termine!

Elaine Morton: Eu sei. Eu na verdade tentei pegá-lo antes de vir aqui mas eu não consegui achá-lo, então acho que vou ter que achar uma nova cópia (multidão ri)

Stephen King: Essa é uma boa idéia (multidão ri e aplaude). Vou te dizer uma coisa. Eu acho que nossa idéia sobre o que nos assusta muda conforme vamos ficando mais velhos. Quando era jovem, uma das coisas mais aterrorizantes que eu já tinha lido era Deus das Moscas. Porque a idéia daquelas crianças ficando ferozes simplesmente me aterrorizavam. Algumas vezes você se encontra surpreso dentro do medo. Quando eu peguei os livros de Harry Potter, eu não estava preparado para a profundidade de algumas assustadoras passagens lá. Francamente, eu estava surpreso em como os Comensais da Morte são assustadores (multidão aplaude). Então havia muita coisa assustadora lá. Vocês sabem que eu já li muita coisa assustadora moderna. Eu tento me manter no nível dos competidores (multidão ri). Os Comensais da Morte – comensais da morte são bons.

JK Rowling: Eu assustei Stephen King. (multidão aplaude)

Stephen King: Você assustou Stephen King. Sim, Espero que você esteja orgulhosa de si!

JK Rowling: Ah, estou muito orgulhosa de mim! Obrigada, estou sim! (multidão ri)

Stephen King: Pode continuar, Soledad.

Soledad O’Brien: Próxima pergunta. Debra Tire é de Mooresville, Indiana, e a pergunta dela é para John Irving. Vá em frente Debra.

Debra Tire: Olá. Você já ficou tão envolvido com a história de um personagem que isso afetou sua vida pessoal?

John Irving: (multidão ri em um estranho silêncio) Não. Eu estou pensando sobre a palavra história. Não, não é a história que afeta minha vida pessoal porque, como eu disse numa resposta para uma pergunta anterior, eu sei a história antes de começar a escrever, então não é isso que me afeta. Humm, o que de fato afeta minha vida pessoal é quando eu estou escrevendo sobre coisas que são reflexos próximos da minha infância, minha adolescência, coisas que aconteceram comigo que me fazem relembrar memórias eu preferia esquecer.

Os dois livros mais difíceis para mim foram A Son of the Circus e esse último Until I Find You, mas eles foram difíceis por razões muito diferentes e eles afetaram minha vida por razões muito diferentes. A Son os the Circus é o livro mais complicado que já escrevi e eu espero que seja o livro mais complicado que vou escrever. É complicado estruturalmente. Começa na (???) flashback da página 200 (multidão ri). Eu não recomendaria isso ao meu pior inimigo.

Foi aterrorizador manter a linha desse livro. Eu nunca rinha escrito um livro o qual eu tivesse que começar todos os dias lendo cada palavra anterior do livro. Foi isso que eu tive que fazer. Eu tive que voltar onde eu estava na página 465 e havia somente um jeito para fazer isso. É um labirinto esse livro e pessoas que gostam desses tipo de livro gostam de O Nome da Rosa, esse é o favorito deles entre meus livros. É também, meus leitores me contaram, é o único livro meu que eles não conseguem ler. Foi quase o único livro meu que eu não pude consegui escrever.

Então isso realmente entrou na minha vida pessoal pelos cinco anos em que eu estive escrevendo. As dificuldades com Until I Find You foram mais pessoais. Esse era minha infância, adolescência, e por mais que eu pensasse que tivesse esperado tempo suficiente, e que eu estava velho o suficiente para lidar com essas coisas, eu simplesmente lembrei de muita coisa que eu teria ficado feliz em não lembrar. Esses foram os dois livros que me afetaram pessoalmente

Debra Tire: Obrigada (multidão aplaude).

Soledad O’Brien: Nossa próxima pergunta é de Martha Hoover. Ela é da Pensilvânia e a pergunta é para JK Rowling.

Martha Hoover: Boa noite. Obrigada. É uma honra. Essa noite, minha pergunta para você é, qual é a pergunta que seus fãs nunca fizeram, mas deveriam ter feito? (multidão ri e aplaude).

JK Rowling: Ah, Deus (multidão ri). Como eu posso responder isso? Eu posso pensar em algumas coisas que entregam o final do livro sete (multidão ri). Tendo ido até esse ponto… tendo 16 anos até agora, eu sinto que entregaria isso (multidão ri). Para mim, de qualquer forma, tendo colocado esforço nisso. Eu acho que já me perguntaram excelentes questões, é apenas que o livro final contém umas informações que eu não acho que vocês poderiam adivinhar. Então humm- eu iria humm – Desculpe.

Você vê, as pessoas acham que está tudo pronto na minha cabeça. Não está assim obsessivamente tramado. Por exemplo, essa tarde eu acredito que mudei de idéia sobre o título do livro sete (multidão oohhs). Tendo estado quase convencida que eu tinha um título, eu de repente pensei, “Não, isso seria melhor, não seria?” tomando banho antes de vir para cá, então – (multidão ri).

Mas sabe de uma coisa, eu não vou contar a vocês nenhuma das versões, porque eu não – (multidão ruge). Ah, vamos lá! Não mesmo! Eu não dei para vocês o suficiente? Eu dei para vocês tia Petúnia. Eu contei que Dumbledore está realmente (Jo move seu dedo pela garganta). Então eu estou tentando dar algo a vocês. De qualquer forma. Desculpem. Eu acho que é essa pergunta. Todos estão realmente gratos que você tenha perguntado isso. Fui eu decepcionei todo mundo, não você. Desculpem (multidão suspira e aplaude).

Soledad O’Brien: Eu vou fazer a pergunta final para vocês e eu gostaria que todos vocês respondessem. Vocês podem fazer isso na ordem que quiserem. Se vocês fossem jantar com quaisquer cinco personagens de qualquer um de seus livros – parem um momento para pensar sobre isso — quem vocês convidariam, e por que eles estar na lista? Qualquer ordem.

Stephen King: Quaisquer cinco personagens, de qualquer um de meus livros? Querida, eu vou jantar sozinho. Não, quero dizer… você responde (aponta para JK Rowling).

John Irving: Você poderia convidar todos os mortos e assim eles não viriam (multidão ri).

Stephen King: Eu jantaria com Harry, Hermione e Rony, e…

Soledad O’Brien: Não, não, não. De seus próprios livros.

Stephen King: E Owen, Eu não sei. Eu consigo pensar em personagens de outras pessoas com os quais eu comeria. E eu consigo pensar em personagens de outras pessoas que eu comeria. (multidão ri histericamente). Alguém mais. Alguém mais responda essa.

John Irving: Vai você (referindo-se a JK Rowling)

JK Rowling: Bom, eu chamaria Harry, para pedir desculpas a ele (multidão ri). Humm, eu teria quer chamar Harry, Rony e Hermione.

Stephen King: Claro.

JK Rowling: Eu chamaria – isto é – (multidão dá sugestões).

Stephen King: Hagrid, chame Hagrid.

JK Rowling: Vê, eu sei quem está realmente morto.

Stephen King: Finja que você pode chamar todos de qualquer forma.

JK Rowling: Fingir que posso chamar qualquer um? Bom, então eu definitivamente chamaria Dumbledore. Eu chamaria Dumbledore, Harry, Rony, Hermione … e … (multidão grita nome de personagens) humm, Hagrid. Eu chamaria Hagrid, isso. E Owen porque ele não ocuparia muito espaço (multidão ri).

John Irving: Bom, eu convidaria Dr. Larch porque ele não comeria muito. Ele está muito dentro de éter, sabe. Ele estaria seguro. Humm… Sim, eu convidaria Owen Meany. Uhh… Sem dúvidas. Dois personagens estão relacionados de uma maneira que vocês que leram os livros deles podem não entender completamente e eu, uhh, eu interrompi Until I Find You para escrever um livro muito mais fácil e curto, The Fourth Hand, e eu sabia mesmo quando eu estava escrevendo The Fourth Hand que Patrick Wallingford, o jornalista que teve sua mão esquerda mordida por um leão no começo do livro era o tipo leve e menos perigoso irmão de Jack Burns. Ele era mais fácil de lidar do Jack Burns, o personagem principal de Until I Find You. A diferença entre Patrick e Jack é que eu dei a Jack a pior infância que eu pude imaginar e eu não dei a Wallingford infância nenhuma. Então eu não iria querer jantar com Jack Burns, mas Wallingford seria divertido somente para assisti-lo comer com uma mão (multidão ri). E então eu teria que incluir aquelas três mulheres que eu mencionei antes, Melaine, Hester e Emma, que provavelmente queimariam a casa, mas seria interessante encontrá-las. (multidão aplaude).

Soledad O’Brien: Obrigada pelas respostas e obrigada a todos vocês com suas perguntas e obrigada por uma noite maravilhosa (multidão aplaude).

Stephen King: E antes que vocês vão embora, obrigado também em nome da “Doctors without Borders” e da “Heaven Foundation”, e a vocês também que fizeram essa noite mágica para nós. Obrigado. Muito obrigado e boa noite.

Veja também:

Uma noite com Harry, Carrie e Garp: Conferência de Imprensa.
Uma noite com Harry, Carrie e Garp #1.

Traduzida por: Renata Grando em 20/09/2007.
Revisado por: Thais Teixeira Tardivo em 24/10/2008.
Postado por: Vítor Werle em 27/10/2008.
Entrevista original no Accio Quote aqui.



 
 
 
 
 
 
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