Maughan, Shannon. “Acompanhando Harry”. Publisher’s Weekly, 1º de novembro de 1999.

Como o outono tradicionalmente atarefado da indústria continua apaziguado, Harry Potter é certamente a ovelha negra da temporada. Os dois primeiros livros de J.K. Rowling sobre o estudante bruxo Harry tem estado no topo da lista dos mais vendidos do New York Times há meses, mas com o lançamento em 8 de setembro de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (que se juntou prontamente a seus antecessores no reino dos best-sellers) e a edição em brochura de Harry Potter e a Pedra Filosofal, os fãs – e a mídia – estão verdadeiramente envoltos num frenesi. Nas últimas seis semanas, o rosto do menino bruxo esteve na capa da Time, e Rowling e seus livros foram mostrados no 60 Minutos, no Today Show e no Rosie O’Donnell Show, onde Prisioneiro de Azkaban foi escolhido como a seleção inaugural do grupo de leitura infantil de Rosie O’Donell em parceria com a eToys.com. E as queixas recentes de grupos conservadores procurando banir os livros por encontrarem conteúdos anti-cristãos podem ter ajudado ainda mais a atiçar o fogo.

Essa febre endêmica de Harry colocou a Scholastic numa corrida para manter os leitores interessados pelos livros. Os números são assombrosos: as três edições em capa dura juntas têm 5,2 milhões de exemplares na impressão e 5,7 milhões comprados. Para Pedra Filosofal em brochura, 3,7 milhões de exemplares estão sendo impressos, enquanto 1,7 milhão já foi comprado. “Temos nove prensas e várias fábricas de papel por todo o país trabalhando contra o relógio para dar conta dos pedidos,” disse Judy Corman, vice-presidente sênior e diretora de comunicações corporativas na Scholastic. “Nunca fizemos algo assim antes”.

Com uma exposição tão maciça, o clima não podia ser melhor no lançamento do áudio-book da Listening Library de Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 5 de outubro. “Em 20 anos no negócio, nunca vi um título de áudio infantil vender nesse nível,” disse Tim Ditlow, editor da Listening Library. “Estamos vendo números alcançados apenas por semelhantes de John Grisham com um áudio-book. Temos várias copiadoras trabalhando para atendermos à demanda”.

De acordo com Ditlow, o áudio-book preenche um vazio, já que nenhum outro produto licenciado de Harry Potter está sendo vendido. Mas isso logo deve mudar. Christopher Little, agente literário de Rowling, informa que entre 30 e 40 licenciados em potencial estão contatando seu escritório todos os dias, com o número totalizado “bem nos milhares” nos últimos dois meses. “É muito extraordinário,” disse Little. “Tivemos a mesma reação na Alemanha, Coréia, México e Portugal [que nos EUA e no Reino Unido]”. A Warner Bros., que planeja produzir um filme de Harry Potter, tem os direitos de licenciamento mundiais, e Little disse que um acordo é “iminente”.

O áudio-book também é o primeiro título infantil (e o primeiro num novo período de títulos de áudio) a ser incluso no Book Sense 76, desembarcando na lista novembro-dezembro. De acordo com Carl Lennerts do Book Sense, “As caracterizações de Jim Dale [o narrador] são soberbas – tanto que acho que as crianças que já leram o livro vão gostar dele de novo, junto com toda a família”.

Se encontrando com as multidões
Rowling acabou de completar uma turnê por livrarias estadunidenses que atraiu no mínimo 1.000 pessoas em cada parada. “A turnê é espetacular”, comentou a vice-presidente de marketing da Scholastic, Jennifer Pasanen, por telefone. “É incrível – é como viajar com uma estrela do rock”, disse sobre as multidões, muitas vezes cheias de crianças usando capas de bruxos e cicatrizes em forma de raio como a de Harry em suas testas. Pasanen disse que Rowling autografou em média de 800 a 1.000 livros durante as duas horas em cada loja, e que os clientes eram limitados a um exemplar autografado de cada. “Nossa meta é acomodar o máximo de pessoas possível”, disse. “Não gostamos de mandar ninguém embora, mas também temos que ser sensíveis ao fato de que Jo é uma pessoa só e que pode fazer apenas esse tanto num período de tempo”. Os fãs com a sorte de conhecer Rowling ofereceram nada mais que elogios calorosos, de acordo com Pasanen. “Um homem esperou na fila e comentou com [Rowling]: ‘Obrigado por trazer a leitura de volta’”, disse Pasanen.

Como uma multidão sem precedentes pode ser esperada para qualquer aparição de Rowling, Pasanen disse, “A Scholastic estipulou que as lojas precisariam estar preparadas para tremendas multidões”; os livreiros reagiram preparando a segurança e organizando vários sistemas de ingressos.

Diane Garret, proprietária da Diane’s Books de Greenwich, Connecticut, onde Rowling se apresentou em 16 de outubro, explicou sua estratégia: “Trabalhamos meses e meses nisso e fomos minuciosamente organizados. Sediamos o evento no Greenwich Teen Center, que é um pouco ao sul da minha loja. Tivemos três seguranças e de 15 a 20 membros da equipe presentes. E fomos cuidadosos para não vender mais ingressos do que podíamos. Por causa disso, nossa sessão de autógrafos foi fantástica. Jo estava relaxada e passou um tempo maravilhoso”.

A experiência de Garrett representa outros eventos sediados em lojas grandes ou independentes em outros estados. Mas num evento na Borders, Livingston, Nova Jersey, em 15 de outubro, as coisas não foram tão bem. Quando uma multidão estimada em mais de 2.000 pessoas se descontrolou, a polícia foi chamada e recomendou à loja que encerrasse a sessão uma hora depois. Jill Zimmer, uma professora, e sua filha de 11 anos, Allison, estavam entre os fãs de Potter em Livingston.

“Lidaram com isso tão porcamente,” disse Zimmer. “Os gerentes da loja puseram marcas a giz no estacionamento e pediram às pessoas que fizessem fila. Fiquei impressionada de que não houvesse qualquer repartição nem nada”. Zimmer disse que muitos dos que chegaram atrasados ao evento não seguiram a fila nem as marcações e começaram a empurrar os outros para chegarem à entrada da loja, onde os ingressos estavam sendo distribuídos à força. Apesar de chegar mais de duas horas antes, Zimmer e a maioria dos outros foram mandados embora. “Eu tinha preparado as crianças para a decepção,” disse ela. “Mas o mais triste é que havia 400 pessoas na nossa frente e nos disseram para ficar lá porque poderíamos entrar”.

“Foi um fiasco total, realmente feio”, disse Matthew Demakos, outro que presenciou o evento. “Pais irados estavam gritando; as pessoas que haviam comprado os livros estavam exigindo seu dinheiro de volta. Um professor comentou [sobre o sistema de marcação de giz]: ‘Se não funciona na primeira série, não funcionará aqui’”.

A jovem Allison Zimer decidiu expressar sua decepção numa carta que enviou aos jornais locais. Em um trecho, ela escreveu: “uma nuvem negra sobrevoou o estacionamento. Muitas criancinhas estavam gritando e chorando. Se os donos da Borders pudessem apenas ver quantos clientes ficaram chateados, ficariam surpresos”.

Ann Binkley, gerente das relações públicas da Borders Inc., enfatizou que este “incidente muito infeliz” foi um caso isolado e que as sessões de autógrafos seguintes na Borders de Chicago e Baileys Crossroads, Virgínia, “foram extremamente boas”. Sobre a confusão de Livingston, ela disse, “Esperávamos uma grande multidão, mas ninguém teria previsto um público de mais de 2.000 pessoas. Os gerentes disseram aos consumidores que apenas 800 ingressos seriam entregues, mas muitas pessoas não foram embora”. No meio de uma multidão nervosa, Binkley disse que o gerente geral da loja foi mordido e socado.

“Ficamos muito tristes de que isso tenha acontecido”, continuou Binkley, “e estamos fazendo tudo o que podemos para nos desculparmos de nossos clientes”. Ela disse que as pessoas que ligaram ou mandaram e-mails receberam pedidos de desculpa e que a companhia está preparando uma carta conciliatória para enviar às crianças que perderam essa oportunidade. Além disso, a Borders está “atualmente trabalhando com a Scholastic para fazer com que os clientes insatisfeitos possam receber um marca-páginas autografado”.

Um Voto de Confiança
A Publishers Weekly ficou sabendo que, em resposta aos esforços da organização de direita das livrarias amigas das famílias em banir os livros de Harry Potter das escolas e livrarias, uma resolução defendendo os livros será apresentada para o voto de membros na reunião de inverno em San Antonio. A resolução, traçada pelos membros do conselho regional Large GraceAnne DeCandido, Karen G. Schneider e Eliza Dresang, elogia o trabalho de Rowling, dizendo que “ele trouxe o prazer da leitura a milhões de crianças e adultos” assim como “lembrou a todos nós do valor dos livros que alegram e instruem através de metáforas e fantasia”. A resolução também pede para tornar Rowling um membro honorário da ALA.

Perguntas freqüentes de Harry Potter
Os devotos de Potter que puderam encontrar-se – e, em alguns casos, bater um breve papo – com a autora J.K. Rowling em sua turnê arremessaram, ansiosos, perguntas na direção dela. Aqui estão as respostas para as questões mais freqüentes, como postado por Kim Alexander numa lista na Internet.

• “O livro 4 é maior que o livro 3”
• “Eu doei um dos computadores que ganhei de Rosie O’Donnell”
• “Meu pulso está atado como proteção; ele está bem”
• “O primeiro livro levou cinco anos para ser escrito; o livro 3 levou um ano”
• “Her-my-oh-nee”
• “Sim, ouvi dizer que eles foram banidos”

Traduzido por: Renan Lazzarin em 28/12/2008.
Revisado por: Daniel Mählmann em 11/05/2010.
Postado por: Vítor Werle em 10/01/2009.
Matéria original no Accio Quote aqui.