MacPherson, Karen. “Harry Potter vai para Washington”. Post-Gazette National Bureau (Pittsburgh), 21 de outubro de 1999.

Polí­tica pode ser vista como o sangue de Washington, mas é “Harry Potter”, eu digo, que tomou a capital do país como uma tempestade.

J.K. Rowling, autora britânica dos romances infantis mais vendidos sobre o amável jovem bruxo, passou dois dias aqui, e o lugar ficou louco. Pais levaram suas crianças á escola para passar horas esperando em fila para Rowling autografar cópias de seu livro nas livrarias da área. Professores permitiram que os alunos se ligassem na aparição de Rowling em um programa local de radio ontem de manhã.

Crianças também deixaram a escola para se amontoar na esgotada aparição de Rowling no National Press Club na hora do almoço ontem. Uma professora da quinta-feira de Virginia levou toda sua classe para ver a pequena Rowling, dizendo nunca ter visto tal competição entre pais para acompanhar os filhos.

Um veterano nos almoços do clube disse nunca ter visto tal atração das crianças e adultos que encheram o salão e os balcões com capacidade para 400 pessoas. “Nem Elizabeth Taylor conseguiu junta-los assim,” disse John Mathew Smith, um fotágrafo autónomo de Baltimore.

Rowling, uma mãe solteira de uma garota de 6 anos de idade, não carrega um ar de Hollywood. Na verdade, a pequena autora ruiva é de forma reanimadora realista sobre sua vida, transformada em um conto de fadas na vida real a dois anos atrás com a publicação do seu primeiro livro de Harry Potter, “Harry Potter e a Pedra Filosofal“.

Levou tempo para Rowling dizer um alegre “olá” para cada uma das 100 crianças que esperavam em fila para Rowling autografar seu mais recente livro, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban“. Ela disse a uma criança que disse orgulhosamente que ela, também, era uma escritora: “você continue escrevendo, e um dia quando você for famosa, nós vamos nos encontrar novamente”.

Rowling fez seus jovens fãs rindo quando os contou como sua editora britânica decidiu que ela devia ser conhecida como “J.K. Rowling,” em vez de Joanne Rowling, porque seria mais agradável para os garotos lerem os livros se eles pensassem que um homem os escreveu.

“Francamente, se eles quisessem que eu fosse conhecida como ‘Enid Snodgrass’ estaria tudo bem,” disse ela. Agora que ela é famosa, contudo, Rowling estimula o público a “escrever e gritar” com sua editora britânica por fazer uma decisão tão machista.

Rowling estava claramente encantada pelo presente de uma ofuscante vassoura de Quadribol criada por uma de seus jovens fãs do imaginário esporte jogado por Harry Potter e seus amigos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Mas Rowling brilhava de raiva enquanto respondia uma pergunta sobre pais na Carolina do Sul que acreditavam que seus livros deviam ser banidos das escolas.

“Eu só não acho bom que eles façam decisões em nome de filhos de outras pessoas,” disse Rowling. Ela diz que há uma simples solução para quem acha que seus livros são inapropriados: “não leia”.

Para milhões de crianças e seus pais, contudo, os livros de Harry Potter já são clássicos. Até agora, Rowling vendeu 5 milhões de cópias dos três primeiros livros da série e tem alcançado “coroa tripla” de publicação pois seus livros ocupam o primeiro, segundo e terceiro lugares em listas de mais-vendidos.

Rowling diz que tem a série toda planejada e tem intenção de parar em 2003 com livro sete, quando Harry terá 18 anos e pronto para graduar em Hogwarts. Durante as sessão de perguntas e respostas, Rowling recebeu inúmeras perguntas sobre o futuro de Harry, mas se recusou a responder. “Eu sei exatamente o que acontecerá, e eu não posso te contar sobre isso,” ela contou a sua platéia ansiosa. “No momento, eu definitivamente acho que vou parar no Nº. 7… Vou sentir como se estivesse de luto. Eu acho que ficarei realmente de coração partido”.

“A única razão para eu escrever um livro 8 será se eu tiver um desejo ardente de fazê-lo, 10 anos depois do último livro ter sido publicado,” acrescentou Rowling. “Mas eu nunca digo ‘nunca,’ porque o momento que eu digo que nunca farei algo, eu o faço no outro mês”.

Rowling na verdade veio com a idéia para a série de Harry Potter durante um dos pontos mais baixos de sua vida. Uma natural da Inglaterra, ela estava divorciada e vivendo na Escócia quando começou a escrever o primeiro livro sobre Harry, um órfão maltratado que de repente descobre em seu 11º aniversário que ele não é somente um bruxo, mas também uma lenda no mundo dos bruxos.

Rowling diz que ela nunca realmente pretendeu escrever para crianças.

“Eu o escrevi para mim,” disse ela sobre o primeiro livro de Harry Potter. “Eu queria escrever algo que eu gostaria de ler agora, mas eu também queria escrever algo como os livros que eu costumava ler quando criança”.

Rowling acrescentou que ela é questionada, “inúmeras vezes,” por que seus livros são tão popular com ambos crianças e adultos”.

“Eu não sei, e eu não quero analisá-los. Eu não quero pensar em colocar um ingrediente ‘X’. São pra outras pessoas analisarem, não eu”.

Mas Rowling listou alguns de seus autores infantis favoritos dizendo que ela foi inspirada pelas tendências de Philip Pullman, Paul Gallico e a grande dona de romances infantis de fantasia, E. Nesbitt. Ela também recomendou um livro novo, “Skellig” pelo parceiro britânico David Almond.

E Rowling deu alguns conselhos para autores em desenvolvimento.

“Leia o máximo que puder. Escreva o máximo que puder… Você provavelmente vai passar por uma fase em que você imita seus autores favoritos. Isso está perfeitamente bem. Aceite o fato de que você vai escrever muitas bobeiras para tirar isso do seu sistema.

“Você simplesmente tem que persistir… Conseguir fazer isso como uma coisa para toda a vida é a melhor coisa do mundo. Mas não é uma carreira para os facilmente desencorajados,” disse Rowling.

Traduzido por: Frederico Oliveira em 21/01/2006.
Revisado por: Vinicius Alvarez em 05/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 04/05/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.