Topel, Fred. “J.K. Rowling encanta leitores em sua turnê pelos Estados Unidos”. Hollywood.com, 18 de outubro de 2007.
A publicação do livro final da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte, de forma alguma foi o final do fenômeno mágico que ronda as aventuras do jovem bruxo. Com dois filmes ainda por vir, a autora J.K. Rowling está fazendo uma turnê pelo país, autografando livros para as crianças e respondendo suas perguntas. Sua Open Book Tour esteve em Los Angeles, Nova Iorque e Nova Orleans do dia 15 até o dia 19 de outubro.
Lance seu feitiço protetor de spoilers, pois agora a autora fala abertamente sobre a trama do livro sete.
Autographus Contanus: Impede que a autora mais famosa do mundo seja esmagada por uma multidão.
“A última vez que estive nos Estados Unidos foi em 2000 e a questão do tempo foi um pouco incontrolável devido ao número de pessoas que estavam surgindo, mas eu realmente sinto falta de interagir diretamente com os leitores. Então nós, tivemos que pensar em uma forma de poder lidar com muitas crianças e ter certeza de que elas estariam seguras e tudo mais. Esta pareceu ser a forma ideal de fazer isso, por consenso. Pareceu justa. Estou muito ansiosa para autografar. Todos ficam falando, ‘Deve ser tão árduo. Como está sua mão?’ Honestamente, essa é a parte que eu realmente gosto”.
Actorus Redherringus: Mantém os atores do filme alheios a spoilers incriminantes.
“Eu fui ao set e Dan [Radcliffe] e eu tivemos uma conversa longa e foi ótimo. Eu estava falando sobre o livro e disse a ele, “Dumbledore está me dando uns probleminhas. Achei que seria bom dar uma parada e vim ver vocês.” E ele disse, “mas Dumbledore está morto.” Então ele disse imediatamente, “não me diga, não me diga!”. Então depois que eu disse isso, ele foi para um corredor conversar com as outras crianças. Ele disse, “ela me disse. Eu sei o que acontece.” É claro que então ele foi cercado e começou a entrar em pânico. Isso é exatamente como ser eu, então bem feito para ele. Eu contei pequenas partes a todos. Eu contei mais para a Emma [Watson] e ela quase caiu da cadeira de tanto rir quando eu disse quem ela teria que beijar. Como vocês devem saber se terminaram o livro, se eles fizerem o filme fiel a história, ela terá que beijar ambos [Rony e Neville], o que eu acho um tanto divertido”.
Franchisus Prolongus: Conjura um último produto Harry Potter, uma enciclopédia do mundo mágico.
“Não está saindo e eu não comecei ainda. Na verdade ainda não é nada no momento. Eu sempre disse que talvez eu fosse fazer uma enciclopédia e ainda é o caso, mas eu nunca pretendi que isso fosse a próxima coisa que eu faria. Eu quero dar um tempo e então, na hora certa, pegar e fazer isso. Eu sempre disse e continuo afirmando, se eu o fizer será por caridade. Isso seria algo. Seria valioso”.
Genre Diversus: Tenta coisas novas depois de passar quase duas décadas na terra da fantasia.
“Acho que posso morder a língua porque eu já disse isso antes. Sempre que digo que ‘eu nunca vou…’ na minha vida, eu o faço dentro de duas semanas. Mas eu acho que provavelmente já tive o suficiente de fantasia. Acho que como o mundo de Harry era tão grande e detalhado e eu o conheço tão bem e vivi nele por 17 anos, seria incrivelmente difícil sair e criar um outro mundo que de certa forma não se envolvesse com o de Harry ou não pegasse muitas coisas emprestadas dele. Então acho que sobre fantasia, provavelmente não será. Eu não penso ‘que gênero vou escrever agora’, é a idéia que me vem e o que eu gostaria de fazer, eu acho”.
Spoilerus Explainus: Discute a morte de Dobby, o elfo doméstico.
“Para mim, a morte de Dobby despertou Harry para o que ele estava fazendo, alguém que era muito vulnerável, realmente sem culpa nenhuma de qualquer coisa naquele mundo. Ele nem era um bruxo e ainda assim foi assassinado. É outro assassinato sem sentido, assim como a morte de Cedrico Diggory, simplesmente porque eles estavam lá. Eu acho que há algo de particularmente assustador em vítimas completamente inocentes da violência. Então isso despertou Harry. Isso o focou. Acho que você pode dizer, muito prosaicamente, que Dobby tinha que morrer para que não contasse a Harry quem o enviou, mas esse não é o motivo. Eu sempre soube que Dobby morreria e como ele morreria”.
Dumbledorus Machiavellius: Mostra a verdadeira face de Dumbledore.
“Eu amo Dumbledore mais por suas fraquezas, mas acho que era importante mostrar e era parte do crescimento de Harry, que ele percebesse que mesmo esse homem que ele reverenciava era só, tinha suas fraquezas e cometeu erros. Afinal, Dumbledore é, embora pareça tão bonzinho por seis livros, uma pessoa bem maquiavélica. Ele está puxando muitos fios. Harry de certa forma foi um fantoche, mas eu acho, eu espero, ter guiado os leitores a um momento no sétimo livro em que eles possam sentir compaixão por Snape e não por Dumbledore. Essa foi a trajetória que planejei para a história”.
Timus Managementus: Lida com a vida real enquanto escreve a série Potter.
“Todas as dificuldades das quais me lembro foram externas. Todas tinham a ver com cuidar de crianças, pessoas ficando doentes, a demanda financeira. Eu tinha que trabalhar. Obviamente, Harry não estava dando dinheiro enquanto escrevia o primeiro livro, e mesmo quando comecei a escrever o segundo eu ainda não tinha rendas do primeiro. Isso não foi culpa da minha editora. Essa foi realmente a situação. As coisas que saíram de controle, algumas vezes a imprensa britânica foi difícil [ela diz, pensando imediatamente no quão mais difícil ela queria que a imprensa se tornasse]. Foi um grande choque. Nunca, em um milhão de anos, eu sonhei que teria jornalistas batendo à minha porta ou imaginei que teria fotos tiradas de mim ou de meus filhos por lentes de longo alcance. Então todas essas coisas foram, às vezes, um desafio, o tipo de privacidade sobre o mundo de Harry que eu estava trabalhando tão duro para manter”.
Religious Diplomaticus: Lida com os protestos contra bruxaria e magia na ficção.
“Eu vou a igreja. Eu não sou responsável pelos lunáticos da minha própria religião. A verdade é que, como Graham Greene, “às vezes minha fé é que minha fé retornará“. É algo com que luto bastante. Fui criada em uma tradição cristã. Para mim, sempre foi óbvio, mas eu nunca quis falar sobre isso tão abertamente porque pensei que isso poderia mostrar às pessoas o que a história é, aonde estávamos indo. Eles são livros bem britânicos, então logicamente Harry estava destinado a encontrar citações bíblicas em lápides. Essas duas citações em especial, que ele encontra nas lápides de Godric’s Hollow, praticamente resumem a série inteira. Eu acho que elas condensam todos os temas da série. Mas é claro, Hogwarts é uma escola de várias crenças”.
Controversus Profitus: Garante boas vendas diante de protestos.
“Eu sempre encarei minha inclusão anual na lista dos livros mais banidos como um grande elogio. Olhe os autores naquela lista, o que posso dizer? Há um espaço para debater sobre controvérsias e certamente há um espaço para debater sobre o que mostramos para nossas crianças e o que lemos para elas, mas tentativas de banir as coisas são sempre contraprodutivas. Conheci mais de uma criança cujos pais não queriam que lessem Harry Potter e é claro que isso se tornou a única coisa que elas queriam ler e elas o leram. De certa forma, é uma ótima propaganda”.
Motherus Attentus: Dá a autora seu tempo livre de volta.
“Eu sempre escreverei, sempre. Eu escrevi muita bobeira antes de Harry Potter e eu certamente continuarei escrevendo. Eu sinto mesmo que estou de férias no momento visto que é a primeira vez em 10 anos que não tenho um prazo. Então isso é muito agradável, passar o tempo com meus filhos e não me sentir culpada de não estar trabalhando no livro ou algo assim. Mas eu sempre escreverei”.
Traduzida por: Raisa Garcia em 15/02/2009.
Revisado por: Juliana Poli Bonil em 13/03/2009.
Postado por: Ohanna S. Bolfe em 18/03/2009.
Entrevista original aqui.