Brad Crawford, JK Rowling: Estabelecendo Prioridades “JK fala de suas influências secretas sobre Harry Potter, e como ela faz da escrita sua prioridade.” Writer’s Digest, Fevereiro de 2000.

JK Rowling (pronuncia-se ROHE-ling) tem feito muitos amigos ultimamente, e não conhece a maior parte deles. Segundo os Publishers Weekly, existem cerca de 8,9 milhões de livros de Harry Potter, de capa mole e capa dura na editora. O seu editor americano teve que antecipar a publicação do segundo livro da série porque fãs do primeiro encomendaram ferozmente a edição britânica através do site Amazon.com. A série foi traduzida para 28 idiomas e Christopher Little, agente da JK Rowling, recebe “um montante considerável” de pedidos de potenciais solicitações de licença de Harry Potter por dia. Suas sessões de autógrafos atraem multidões de crianças que aparecem vestindo mantos de magos e usando decalques de raios em suas testas, e esperam horas por um vislumbre “da mulher do Harry Potter.”

Mesmo com milhões de novos amigos, há ainda maus dias. Em uma parada de viagem na Nova Jersey Borders, a equipe estava drasticamente reduzida, e no frenesi resultante, um gerente de loja foi socado e mordido. A presença maciça de Rowling na lista dos livros mais procurados (a certa altura, os livros de Harry Potter um, dois e três foram os mais procurados de todos os Tempos de Nova York) incita alguns indiví­duos no negócio de publicação a reclamar de tí­tulos infantis que são enumerados com a ficção adulta geral. Ao mesmo tempo, os pais protetores e os bibliotecários no Michigan, Minnesota e Nova York chamaram os livros de anti-cristãos e alegaram que poderiam estimular crianças à prá¡tica de feitiçaria. “Sim, ouvi que foi banido,” Rowling freqüentemente comenta durante sua chegada da viagem dos Estados Unidos.

Mas não importa. O grande problema de Rowling, conseguir tempo para escrever, só aumentou. Foi amplamente divulgado que Rowling escreveu os primeiros livros de Harry Potter num Café em Edimburgo e teve de espremer seu tempo entre parágrafos, trocas de fraldas e horários de comer. Pode ser, em parte, verdade, mas se ela teve de fazer malabarismos antes, ela tem muito mais bolas no ar agora. O seu aparecimento inclui “60 Minutes”, o “The Today Show” e o “The Rosie O’Donnell Show”. Cartas de fãs e viagens promocionais combinam-se para competir pelo resto do tempo de Rowling. Felizmente, ela concedeu alguns minutos ao WD.

Você disse que sempre quis ser escritora mas pretendia escrever para adultos. Você tentará isso depois que terminar a série de Harry Potter?
Se eu for conhecida para sempre como um escritora de livros infantis, nunca considerarei que “segundo melhor” – não sinto que tenho de escrever para adultos para ser considerada uma escritora “séria”! Para mim, a idéia sempre vem antes que eu pense em um público. Na realidade, nunca considero o público para que estou escrevendo. Só escrevo o que quero escrever. Desse modo, possivelmente escreverei para adultos um dia, mas só se a idéia for certa.

Quem você considera suas influências? Como eles influenciam a sua escrita?
Os escritores que eu mais admiro são: E. Nesbit, Jane Austen, Vladimir Nabokov e Colette. Mas quanto à influência… Penso que [seria] mais exato dizer que eles me representam ideais intocáveis. É impossí­vel dizer quais são as minhas influências; não analiso a minha própria escrita desse modo.

Como você encara as exigências de criar sua filha, tratar com a imprensa e promoção, e ainda fazer da escrita uma prioridade?
Lido com as exigências de escrita, promoção e filha do mesmo modo que cada mãe que trabalha fora enfrenta grandes dificuldades às vezes, e aprendendo a dizer não! Minha filha vem primeiro, seguida pelo Harry, e logo começo a eliminar as não-prioridades.

Você tem influência sobre algum derivado de Harry Potter (ou você quer ter)?
Tive no filme [a aprovação de escrita]. Além do filme, não há nenhum derivado no momento atual. Diminuí­ todo o resto. Eu nunca teria vendido os direitos do filme à Warner se não tivesse acreditado que eles fariam uma interpretação fiel do livro, e ainda acredito que eles fazem..

Você acha que os leitores de lí­ngua não-inglesa se identificam com a sua marca humorí­stica?
Até onde eu sei – e não posso ler norueguês – a reação em outros paí­ses foi muito semelhante a aqui. O humor parece ser traduzido muito bem, da reação que percebo em crianças estrangeiras.

Você disse antes que quer guardar os seus autores favoritos para si mesma. Existem segredos sobre Harry que você guardará para si?
Há coisas que sei sobre muitos dos personagens nos livros de Harry que não poderia divulgar nos próprios livros… muita informação, não há espaço suficiente!

Tradução por: Carol Salgueiro
Revisão: Adriana Couto Pereira e Antônio Carlos de M. Neto (em 21/03/08)