J. K. ROWLING
Terminar a série ‘Harry Potter’ foi doloroso para a autora

TODAYShow.com ~ Mike Celizic
24 de julho de 2007
Tradução: Adriana

 

J.K. Rowling, exclusivo para TODAY, diz que deu vida a Harry, e vice versa

Por 17 anos, Harry Potter não foi apenas uma invenção da imaginação da autora J. K. Rowling, e Hogwarts não foi uma simples escola fictícia onde crianças aprendiam feitiçaria e magia. Rowling deu vida a Harry e, ela afirma, em uma entrevista exclusiva à Today, vice versa.

A primeira autora bilionária do mundo contou para a colaboradora Meredith Vieira como tudo parecia “incrível” ao finalmente terminar a saga que definirá eternamente uma geração de leitores de todas as idades.

“Parece ótimo, para ser honesta. É um ótimo lugar para se estar”, disse Rowling.

Mas levou algum tempo até Rowling chegar lá. Quando ela terminou mesmo de escrever, meses antes do lançamento do último sábado de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, Rowling disse que teve dificuldades a encarar.

“Fiquei devastada”, afirma, explicando como foi emocionalmente drenada após completar o sétimo e último livro da série.

Inspirando a história
Rowling era uma jovem mãe solteira, divorciada, dependente da assistência pública, quando começou a escrever a saga de Harry Potter em um café.

A primeira edição do primeiro livro teve apenas 50.000 cópias, e ela não tinha garantia de que o livro venderia bem e que a história de sete partes que já havia rascunhado seria publicada inteiramente.

O livro foi muito bem, a série vendeu centenas de milhões de cópias em diversas línguas, inspirando uma série de filmes que mostram o rico e complexo mundo que ela criou.

O mundo fantástico imaginado e capturado no papel fez de Rowling uma verdadeira bilionária.

Hoje, ela possui duas casas na Escócia e uma em Londres, e é casada com Neil Michael Murray. Tem duas crianças com Murray, David Gordon Rowling Murray e MacKenzie Jean Rowling Murray, e uma filha do primeiro casamento, Jéssica.

“Quando você começou, não estava nem perto de onde está agora, não é?” observou Vieira.

“Não”, Rowling admitiu. “E, de fato, quando comecei eu estava em uma péssima posição. Então, você sabe, a vida tem seus altos e baixos. Então, digo, Harry está comigo como um resultado. Acho que é esse sentimento, mais do que qualquer outro, que não teria mais aquele mundo para retratar novamente, isso é doloroso.”

‘Momento catarse’
Rowling, que fará 42 em 31 de julho, já declarou que chorou ao escrever os capítulos finais de “Insígnias da Morte”, que vendeu 8,3 milhões de cópias nos Estados Unidos no dia de seu lançamento.

“Foi um momento catártico”, ela disse a Vieira. “O fim de 17 anos de trabalho. E foi muito duro lidar com isso por quase uma semana. E também está muito ligado às coisas que fiz durante os últimos sete anos que trazem de volta muitas memórias do que tem sido minha vida desde que comecei a escrever.”

Ela sabe o que tem feito. “Sinto uma grande realização”, disse a Vieira. “Ou melhor, estou triste. Mas já estive mais.”

Por cerca de uma semana após terminar a série, ela admitiu, “Foi difícil viver com isso.”

Não é uma emoção incomum entre escritores. Truman Capote uma vez observou que concluir um romance é como levar seu filho recém nascido até o quintal e atirar nele. Rowling não foi tão dramática, mas seus leitores, que agora estão pegando “Insígnias da Morte” e embalando com ternura, sabem que não haverá outro, e podem entender um pouco do que ela sentiu.

Então o que um autor faz quando acaba o livro final?

“Eu preciso parar um pouco” ela disse a Vieira.

Today divulgará mais da entrevista exclusiva com J.K. Rowling na quinta e sexta feira. Pedaços irão ao ar no domingo, em “Dateline NBC”.