JK ROWLING
Uma profunda prévia do Documentário da ITV sobre J.K. Rowling
TLC
10 de dezembro de 2007
Tradução: Virág Venekey
Nós temos uma prévia especial e aprofundada do futuro documentário sobre J.K. Rowling, aquele que irá ao ar no final deste mês, na Grã Bretanha. ITV nos mandou informações que fornecem algumas novas citações e detalhes do especial que vai ao ar no canal UK em 30 de dezembro. Os novos detalhes incluem a revelação do tempo exato que Jo se ocupou com a escrita de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” (a entrega é no aeroporto de Heathrow, as 10:43, na sexta-feira 12 de janeiro de 2007), assim como novas citações de JKR, suas editoras e até mesmo seu marido, Dr. Neil Murray, estão incluídas na prévia. Estão incluídas citações da nossa autora favorita no momento que ela terminou o livro em Edimburgo, Escócia.
Como nós já comentamos anteriormente, este documentário mostra JKR durante a escrita e publicação do último livro de Harry Potter, e reflete os vários humores e obstáculos que Jo enfrentou para terminar o livro. Ela fala também sobre o comparecimento na premiere de Ordem da Fênix em Londres, Inglaterra, que ocorreu algumas semanas antes do lançamento do sétimo livro.
Assim como vocês podem ler toda a prévia abaixo, há também a seguir um curto “Perguntas e Respostas” que o produtor de filmes James Runcie conduziu com J.K. Rowling:
Qual é sua virtude favorita?
Coragem.
Qual é o defeito que você mais despreza?
Radicalismo.
O que você perdoa com mais facilidade?
Gula.
Qual é sua característica mais marcante?
Eu sou uma pessoa incansável.
O que você tem medo?
Perder alguém que amo.
Qual é a qualidade que você mais gosta em um homem?
Moralidade.
Qual a característica que você mais gosta numa mulher?
Generosidade.
O que você mais valoriza nos amigos?
Tolerância.
Qual é seu maior defeito?
Pavio curto.
Qual é sua ocupaçao favorita?
Escrever.
Qual é seu maior sonho?
Uma família feliz.
PRÉVIA DO DOCUMENTÁRIO DE J.K. ROWLING
Pela primeira vez na sua carreira fenomenal, a autora JK Rowling convida uma câmera para dentro do coração do seu mundo pessoal. O produtor de filmes James Runcie, um autor amigo, filma Jo por doze meses enquanto ela completa e lança o sétimo e último livro de Harry Potter – Harry Potter e as Relíquias da Morte.
O documentário mostra um retrato íntimo de uma mulher no topo de um sucesso avassalador que freqüentemente a intimida, uma pessoa que nunca esperou a fama internacional que seus livros trouxeram; e fornece uma vista honesta, clara e bem humorada dentro do seu passado, sua vida pessoal e sua devoção à escrita e seu personagem, que ela descreve como seu herói pessoal, Harry.
Durante o documentário, ela retorna, pela primeira vez, ao flat onde começou a escrever a saga Harry Potter e enfrenta os fantasmas bem-gastos do passado – a pobreza e a luta que enfrentou durante o início da escrita. Num severo contraste e testemunho do seu sucesso inimitável, ela é filmada posteriormente num jato privativo com seu marido enquanto viajam para os Estados Unidos pela turnê de livro avidamente antecipado. Ela também revela o que influenciou a sua escrita, notavelmente a morte da mãe e como isso entrou em todos os aspectos dos livros e porque ela achava que Harry tinha que triunfar no final.
É novembro de 2006, e Jo está trabalhando em segredo nos capítulos finais de Harry Potter e as Relíquias da Morte no Hotel Balmoral, Edimburgo. Ninguém sabe que ela está lá, e James está de prontidão, pronto para capturar o momento em que ela termina a série. Enquanto ela lê das suas anotações, aponta um detalhe: “Eu fiz anotações previamente para me ajudarem, isto vai precisar de planejamento sério… Não sei quando escrevi aquilo, e estava totalmente certo nisso”, ela ri.
Uma saga épica de confusão infantil, perigo e aventura, a série Harry Potter levou 17 anos para ser escrita. No programa, relata vividamente a sua própria infância e eventos cruciais na sua vida provêem um profundo entendimento do desenvolvimento de Potter como uma fábula moral sobre o bem e o mau, amor e ódio, e vida e morte.
Como seu herói órfão, Jo cresceu num estado suburbano com seus pais e irmã, Diane. Primeiro, eles moraram em Yate, nos arredores de Bristol, e posteriormente poucas milhas da estrada em Winterborne. A medida que Jo folheia o álbum de família com a sua irmã Di, eles falam sobre crescimento, e em particular, seus cortes de cabelo trágicos da infância. Sobre o corte de cabelo horrível de menino, Jo fala: “O meu estava sempre torto”!
As irmãs sempre usavam roupas similares. Jo diz para Diane: “Você sempre usava rosa e eu sempre vestia azul”. “Por que você era o rapaz, Jo? Por que você era a mais velha?!” pergunta James. “Sim, eu deveria ser um rapaz. Eu deveria ser Simon John, eu sei até quem eu deveria ser”!
De volta à Edimburgo, é 11 de janeiro de 2007 e o fim de 17 anos de escrita. Enquanto Jo termina o livro, James está lá para capturar em câmera. Ela fala: “Algumas pessoas vão detestar, vão de fato detestar. Mas o fato é que deve ser assim, e algumas pessoas vão amar, enquanto outras vão detestar. É a natureza da história. Algumas pessoas não vão ficar felizes porque o que eles queriam que acontecesse, não vai acontecer”.
“E, de alguma forma, há muita expectativa dos fãs mais ardorosos que eu não tenho certeza se eu conseguiria algum dia preenchê-las. Eu estou verdadeiramente muito feliz com ele e é muito estranho pensar que vai ser comentado após muitas pessoas terem lido e as pessoas vão ter direito de reclamar”.
Jo agora é a guardadora do manuscrito mais valioso da história de publicações. Ela o leva em pessoa para a sua agente Christopher Little em Londres. A entrega ocorre no aeroporto às 10:43 da sexta-feira do dia 12 de janeiro de 2007. E logo a máquina de edição entra em ação para lançar o livro mais esperado da história – tudo no mais absoluto segredo.
Sarah Beal, diretora de marketing da Bloomsbury – editora dos livros de Harry Potter conta: “Nós queremos que todos recebam o livro no mesmo momento e logo todos vão saber o que acontece ao mesmo tempo, dependendo, naturalmente, de o quão rápido eles lêem”.
A medida que a expectativa de fãs e críticos cresce cada vez mais, Jo reflete sobre como as ambições de ter se tornado uma escritora são difíceis de conciliar com a atenção desnecessária que ela atrai por causa do seu sucesso. “Eu queria ser publicada e queria mais do que tudo nesse mundo ser escritora… nunca imaginei, James, que as pessoas iriam procurar por trás dos meus problemas, colocar lente de câmera em mim na praia, nunca me ocorreu que um jornalista poderia bater na porta de um dos meus amigos mais antigos e oferecer a ela dinheiro para falar sobre mim. Nunca me ocorreu que meus filhos poderiam ser examinados para ver o quanto são estragados porque sua mãe é famosa”.
Três semanas antes do lançamento do último livro, Jo comparece à premiere do filme do quinto livro, Harry Potter e a Ordem da Fênix. Ela tem status de superstar, e espera-se que se comporte como tal. Mas como uma escritora, ela ainda não se acostumou com as armadilhas e demandas de uma fama no estilo hollywodiano. No turbilhão dos grandes eventos, Jo admite que ainda acha certos aspectos complicados.
“Muito do que ocorre é divertido”, fala ela, “e algumas são horríveis, para ser sincera. A parte divertida é quando você fala com pessoas que leram o seu livro. Essa parte é ótima. O que eu acho difícil é o tipo de despedida e negócio da meia-noite, porque eu não sou muito boa nisso. Eu não sou o tipo de pessoa “dos flashes”. Eu me sinto cansada com essas coisas e me sinto como uma idiota”.
“As pessoas esperam que você esteja visivelmente gostando e acho que Quentin Crisp falou que isto era o segredo de aparecer bem na televisão, apenas pareça feliz lá, e eu nem sempre pareci feliz lá. De fato, algumas vezes eu pareci bastante cansada em estar lá e sabia que não estava televisamente bem”.
Por se tornar o livro mais rapidamente vendido da história, a evidente chegada do sétimo livro significa que Jo tem demanda no mundo todo. James e sua câmera acompanha ela enquanto viaja para os EUA com seu marido Neil. Jo casou-se com Neil, um doutor, em 2001, e eles agora tem duas crianças juntos, David e Mackenzie. James bravamente pergunta Neil a questão – como é viver com JKR?
“Neil: Quando ela fica muito estressada, se isola, e só confia numa pessoa e esta é ela mesma. Então todos ficam bloqueados e ela fica cada vez mais estressada e aceita cada vez menos ajuda. As barreiras crescem e não apenas para mim, mas para todos ao redor dela. Só uma pessoa recebe confiança e ela faz tudo sozinha, apesar do fato de não ser possível fazer tudo sozinha”.
20 de julho de 2007. O dia do lançamento chega e a contagem regressiva acontece ao redor do mundo todo, de Nova York à Londres, ou Sidney. No Museu de História Natural de Londres, 1700 pessoas, escolhidas de uma loteria de 90.000 concorrentes, esperam pela chegada de JK Rowling para a leitura e a sessão de autógrafo dos livros. Jo fala que acha difícil entender o nível de expectativa ao redor do final do livro. Ela fala enquanto reflete, “É o melhor que posso fazer, é como sempre planejei o fim, portanto tem que ser bom o suficiente”. E ocasionalmente fala, “Como vou sobreviver isso”?
Naquela noite, de 12:20 até 7 da manhã, Jo assina 1.700 cópias do seu livro. Nas primeiras 24 horas, 2,65 milhões de livros são vendidos na Grã Bretanha e 8,3 milhões nos EUA – mais do que 7.000 cópias por minuto. O final tem sido debatido no mundo por fãs e críticos – Harry vai viver ou morrer? Ele vai conseguir bater o seu inimigo Voldemort? E agora que o mundo sabe o final, Jo explica porque ela escolheu terminar o livro do jeito que fez.
“Eu senti que iria ser uma traição ao personagem de Harry se o mostrasse fazendo qualquer coisa além de sobreviver, o que ele descobriu ser verdade é que o amor é o maior poder que existe. “Eu acho que muitas pessoas que atravessaram coisas terríveis como guerras, e voltaram para casa e restauraram a normalidade após verem horrores, sempre me parecem muito corajosos. Voltar à normalidade pós-trauma é muito mais difícil, é mais difícil restaurar do que destruir”.
“De alguma forma seria um final muito caprichoso matá-lo [Harry], mais caprichado terminar matando-o. Mas eu senti que seria uma traição, porque eu queria que meu herói, e ele é o meu herói, fizesse o que eu acho o feito mais nobre. Então ele voltou da guerra e tentou construir um mundo melhor, eu suponho – por mais clichê que soe –, tanto numa pequena escala para uma família, como em escala maior”.