Entrevista com Jim sobre Harry Potter e o Cálice de Fogo
The New York Times
Tradução: Renata Grando
NOVA IORQUE — Entre, por favor, e não esqueça de pegar sua presas do chão.
Veja o papel-machê do elefante balançando na corda acrobática. O alfinete vitoriano, o brilho turquesa de suas 21 cabeças de beija-flor capturando a luz. A tapeçaria Rafaelita do chão até o teto. Miniaturas de palhaços de madeira. Lustres lançando um morno brilho numa venda
de brinquedos de museu que é o apartamento de Jim Dale em Manhattan.
E então se afaste enquanto Dale, o flexível ator inglês, dá pulos pela sala, fazendo uma performance improvisada sobre seus impressionantes e esquisitos objetos.
“Ah”, ele diz finalmente, sentando em uma cadeira de hall do século XIX. Quando ele e sua esposa, Julie, vêm no elevador, ele diz “Nós levantamos a ponte levadiça, e esse é o nosso castelo nas nuvens”.
Se não é bem o domínio mágico de Harry Potter, é uma Hogwarts-pelos-Hudson. O castelo é governado por um homem que é alegre em espírito e que, agora fica claro, foi perfeitamente escolhido para narrar séries de audiobooks, incluindo a mais recente, Harry Potter e o Cálice de Fogo, para o qual Dale criou 127 vozes.
“Quando me mandaram o primeiro livro, eu pensei, ‘Eu queria que ele estivesse por aqui quando eu era uma criança’”, diz Dale, que atuou em palcos e filmes, já foi um DJ, uma estrela da música pop e da televisão britânica, e compositor para Georgy Girl.
Ele fez todo tipo de entretenimento, exceto narração.
Ele se lembra que pensava, “Bem, ainda sou uma criança por dentro, e uma aventura é uma aventura não importa onde você a encontre, então porque não?”.
Tão precisamente imaginadas são as leituras de Dale dos contos de Potter nos discos compactos mais famosos e cassetes que o raro trocadilho fez o seguinte nos termos fabulistas de Dale:
“Um crítico disse, ‘Por que em nome de Deus, Dale pensou que os centauros viessem de Gales, ele deu a todos eles um sotaque gaulês!’”. “Claramente”, diz Dale, seu rosto iluminado de mérito, “ele não sabia que os gauleses são famosos por seus centauros! Em todo time de futebol eles tem ‘adiante centauro’ e em cada cidade há um ‘Centaur For Performing Arts’ e uma ‘Town Centaur’. Gales está cheia deles!”
Difícil imaginar Dale, um homem de um público duro de matar, sozinho em um estúdio de gravações.
“Eu visualizava as reações das crianças ouvindo”, diz Dale, que tem cinco netos. “Impressionante silêncio aqui! Então segure a pausa por dois, três, quatro… Essa linha é uma gargalhada, mais que uma risada, então pausa, dois ou três risos formarão a próxima linha. Eu tenho sorte por ter quarenta anos de experiência no palco de comédia para me ajudarem”.
Mas com a exceção do “Travels With My Aunt” fora da Broadway, e “Candide” dentro, Dale não tem estado muito no palco americano desde Candide em 1997. Seu único grande sucesso esteve recentemente de volta em sua casa na Inglaterra. Ele fez Fagin em “Oliver!” por mais de um ano e meio no London Palladium para o delírio dos críticos.
Agora ele faz suas próprias regras. “Eu só viajo para material bom, um bom diretor e uma boa companhia. Não vou trabalhar em outro país por mais de um ano”, diz ele, “porque tenho uma linda mulher; eu a adoro e não posso suportar me afastar dela”. Então Dale traz Hogwarts à vida, passeia por um lindo país (onde mora), e trabalha em seu próximo grande musical da Broadway, destinado à primavera de 2006.