Puig, Claudia. “O novo filme Potter esgueira-se em spoilers para os próximos livros”. USA TODAY, 27 de maio de 2004.

É quase tão misterioso quanto o enredo de seus queridos livros best-sellers.

A autora de Harry Potter, J.K. Rowling, diz que Alfonso Cuarón, que dirigiu O Prisioneiro de Azkaban, que estreia na próxima sexta, inadvertidamente pressupôs eventos que acontecerão nos livros seis e sete, que ela ainda tem que completar.

O último livro publicado foi o quinto da série, Harry Potter e a Ordem da Fênix. Os dois primeiros filmes baseados nos livros Potter foram blockbusters.

“Eu realmente tive calafrios quando vi algumas dessas coisas, e pensei, as pessoas olharão para trás no filme e pensarão que essas coisas foram colocadas deliberadamente como pistas,” Rowling diz numa entrevista realizada pela Warner Bros., que está distribuindo os filmes.

Cuarón, por sua vez, diz “de uma forma, foi intuição, mas tudo é tão emocionalmente eloquente, o livro te dá todas as dicas”.

Rowling cita a “boa intuição sobre o que iria e o que não iria funcionar” de Cuarón em sua versão cinematográfica, que contém menos do livro do que os dois filmes anteriores. Também é menor.

Ela ficou particularmente impressionada com a visão dele sobre os guardas prisionais de outro mundo, os dementadores.

“Eles são tão assustadores quanto imaginei, simplesmente soberbo,” ela diz. “Um dos maiores temas do livro é Harry dominando os dementadores. E os dementadores, para mim, eram sobre depressão, e não apenas tristeza. Acho que Alfonso realmente fez um ótimo trabalho nisso, em mostrar o que você pode sentir e a circunstância em que você se torna vulnerável a isso”.

Rowling disse que o processo de criação do terceiro livro foi “a melhor experiência de escrita que já tive. Dos cinco livros que estão publicados, escrever Azkaban foi o mais fácil, e acho que isso é perceptível. Eu estava numa situação muito confortável quando escrevi o (número) três: imediatos problemas financeiros tinham acabado, e a atenção da imprensa ainda não era excessiva em nenhum sentido”.

Rowling disse que estava imediatamente intrigada pela ideia de Cuarón dirigindo o terceiro filme. Ela tinha “realmente, realmente amado (o filme mais recente de Cuarón) Y Tu Mamá También. Alfonso obviamente entende adolescentes, e você sabe que minhas personagens tem treze anos agora… Esse é o livro em que Harry literalmente aprende como cuidar de si mesmo. Ele acha seu pai, como era, e acha dois pais substitutos, mas quem na verdade salva sua vida é ele mesmo”.

Rowling diz que foi levada pela habilidade de Cuarón de fazer um filme fora dos padrões de romance infantil. “Eu vi A Princesinha, que foi uma excelente adaptação, não muito literal, mas muito fiel à verdade emocional da história”.

Similarmente, ela vê o filme como “a versão de Alfonso do meu mundo. É seu bebê. Pela muito óbvia razão que livros e filmes são mídias tão diferentes, fazer uma adaptação muito literal talvez não servisse bem, e eu acho que ele fez exatamente o que esperei que fizesse. Ele colocou muito humor lá, e acho isso fantástico. Eu ficaria muito, muito surpresa se a maioria das pessoas não encontrassem suas partes favoritas do livro no filme”.

Traduzido por: Marina Anderi em 06/01/2011.
Revisado por: Fernanda Midori em 07/01/2011.
Postado por: Fernando Nery Filho em 30/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.