Blake, Carrie. “Mulheres inspiradoras: J.K. Rowling, escritora”. Girl Guiding Scotland, não datada.

Nota: a data provável desta entrevista seria no final do verão de 2005.

Quanto a ser escocesa…
Blake: Como você descreveria a Escócia a alguém que nunca a visitou?

JKR: É um dos lugares mais bonitos do mundo, a história é fascinante, os homens são bonitos e o uísque é delicioso. Mas não coma as tortas de talharim.

Carreira…
Blake: Por causa da enorme fama dos romances de Harry Potter – e, portanto, das grandes expectativas que os cercam, como você impede isso de impactar o desenvolvimento da história ou dos personagens?

JKR: Sou muito protetora com meus personagens e o enredo; eu me prendo impetuosamente no que acredito que seja o certo para eles, mesmo sabendo que isso deixará alguns fãs tristes (por exemplo, parte do romance no livro seis decepcionou os leitores que estavam esperando por outros casais). No entanto, resistir a esse tipo de pressão não é tão difícil quanto você imagina, pois fiz muitos planos no período de sete anos entre quando tive a idéia para os livros de Potter e a publicação de Pedra Filosofal, então eu tenho meio que um mapa para me manter na trilha.

Blake: Qual foi a melhor coisa de ser professora?

JKR: Me lembro das risadas que dava em minhas turmas favoritas. Um das minhas melhores recordações é ser presenteada com flores pelo 4F do St. David’s em Dalkeith depois de nossa última aula juntos. Nunca, antes ou depois, flores significaram tanto para mim, e se você conhecesse a 4F, saberia por quê.

Escoteiros…
Blake: Você acha que Hermione tem as habilidades e os atributos certos para se tornar uma boa escoteira?

JKR: Posso facilmente imaginar Hermione nos Escoteiros, porque ela tem tantos recursos, é altamente motivada e ávida por aprender. Porém, ela pode ficar um tanto competitiva demais quando o assunto for distintivos.

Blake: Qual distintivo você mais se orgulhou de ganhar?

JKR: Primeiros socorros. Eu nunca precisei fazer uma funda desde então, mas estou em prontidão constante.

Quanto a ser uma mulher…
Blake: Qual é o melhor presente que sua mãe lhe deu?

JKR: Era ela quem lia para nós quando éramos pequenas, enchia a casa de livros, amava discutir seus romances favoritos e nunca se sentava sem algo para ler, então eu teria que dizer que foi o amor pela literatura. Entretanto, ela também me ensinou como fazer um pudim de Yorkshire decente.

Blake: O que você admira na escrita de Jane Austen? Se você pudesse conhecê-la, o que perguntaria?

JKR: Virginia Woolf disse que de todas as ótimas escritoras, Austen era ‘a mais difícil de se seguir no sentido de grandeza’. Os elogios à sua escrita raramente abrangem a sua qualidade extraordinária, mas acho que seus personagens estão vividamente ativos, ela tinha uma facilidade maravilhosa com diálogos, um senso de humor seco e, às vezes, fatal e fabricava enredos sem costuras com tal leveza de toque que parece até sem esforços. E, falando como alguém que adora impressionar seus leitores, ninguém conseguiria melhorar a volta que Austen deu em ‘Emma’ (não entrarei em detalhes no caso de você não tê-lo lido). Se a conhecesse, teria que perguntar a ela como ela conseguia se concentrar enquanto dividia um quarto com sua irmã e mãe, embora eu tenha que considerar que um bebê e os Teletubbies são piores!

O que é importante para ele…
Blake: Qual é a coisa mais engraçada ou ridícula que você já leu sobre você na imprensa?

JKR: Que eu tinha uma acesso de raiva a la diva porque o papel de parede na minha sala não era exclusivo o bastante. Não tenho um papel de parede na minha sala, ela é pintada. E não acho que poderia me irritar com um papel de parede, quanto mais ter um acesso de raiva.

Blake: Se você escrevesse sua auto-biografia – qual título gostaria que ela tivesse?

JKR: ‘Diga a Eles que Morri, Estou Tentando Escrever’. Auto-explicativo, eu acho.

Blake: Se você ganhasse um milhão de libras para doá-las a uma instituição de caridade – qual seria e por quê?

JKR: Provavelmente à Medicins sans Frontieres (Médicos sem Fronteiras), uma instituição de caridade que envia médicos a áreas de extrema pobreza e doenças, ou onde desastres naturais aconteceram. Ouvi sobre eles pela primeira vez quando trabalhava na Anistia Internacional; sempre estavam entre os primeiros a se mobilizar quando algum problema ocorria.

Traduzida por: Renan Lazzarin em 23/11/2008.
Revisado por: Pablo Júnio em 01/12/2008.
Postado por: Vítor Werle em 03/12/2008.
Entrevista original aqui.