Donahue, Deirdre. “Fenômeno Harry Potter também lança um feitiço em sua autora”. USA Today, 9 de setembro de 1999.

Existe um antídoto de duas palavras para a apreensão infinita dos pais pelas livro-fóbicas, computador-maníacas crianças modernas.

Harry Potter. Sim, o personagem que desabrochou por completo na mente da escritora escocesa J.K. Rowling. O jovem bruxo que estrela três romances:

* Harry Potter e a Pedra Filosofal (mais de 1,6 milhão de cópias impressas).
* Harry Potter e a Câmara Secreta (mais de 1,8 milhão impressas).
* Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que chega às livrarias do país na quarta-feira (1,5 milhão de impressões, graças aos pedidos antecipados).

Neste verão, os dois primeiros livros de capa dura de Rowling chegaram ao topo da lista semanal de mais vendidos do USA Today. Durante semanas, os livros estiveram na primeira posição, eles desbancaram todos os outros livros – adultos e juvenis, capa dura ou de papel – no país.

Ficções juvenis sempre tiveram esse fenômeno de cópias multimilionárias, da série de Nancy Drew ao “Clube das Babás” de Ann M. Martin e ao Goosebumps de R.L. Stine.

Mas os livros de Harry Potter não são apenas populares. Eles estão sendo chamados de clássicos instantâneos. No nível dos contos da Terra Média de Tolkien e a saga de Walter Brooks, Freddy the Pig.

Tudo começou em um trem que saiu de Manchester em direção a Londres em 1990. De acordo com Rowling, encontrada em sua casa em Edimburgo, Escócia, o personagem Harry Potter capturou sua imaginação. Ao final do encontro, Rowling já tinha mapeado mentalmente os sete livros que ela pretendia escrever – e nunca esperou publicar.

Uma entrevistada maravilhosa, Rowling se cansou um pouco da publicidade focada em sua maternidade solteira e nos detalhes de que como professora desempregada de francês, escreveu a maior parte do primeiro livro em uma cafeteria enquanto sua bebe dormia. (Sua filha agora tem 6 anos.)

Muito entrevistada pela imprensa, ela prefere conversar com crianças em sua turnê literária.

“É um grande prazer”, diz Rowling. O que ela mais ama nos seus jovens fãs é que eles perguntam as coisas como se o mundo da escola de magia e bruxaria de Hogwarts realmente existisse.

Por exemplo, um garoto pediu para ela definir a diferença entre transfiguração e feitiços.

“Ele estava realmente pensando disso bem logicamente”, Rowling diz. (Ela trabalhou bem exatamente nas leis complicadas para administrar o universo mágico de Harry em sua cabeça.)

Ela ainda está impressionada que seu mundo interior agora é divido com pessoas do mundo todo.

Rowling acredita que a imensa popularidade de seu herói se baseia do fato de que as crianças constantemente se identificam com a perplexidade de Harry. “É muito difícil admitir que você não consegue as coisas”, ela diz.

Ela admite que suas memórias da infância são vivas. “Crianças são incrivelmente sem poderes”, ela diz. “Eu ficava doente de preocupação com as coisas”.

A idéia de ser um feiticeiro e ter poderes mágicos “bate uma corda no fundo das crianças”.

Diferente de Harry, Rowling não estou em um colégio interno.

Escritora desde os seis anos, quando ela anunciou aos pais que tinha escrito um romance, Rowling só sofreu de bloqueio de escritor uma vez – logo após o sucesso de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Ela era estava com dois terços escritos do segundo livro, Harry Potter e a Câmara Secreta, quando “eu tive uma extensa crise de pânico”, ela diz. De repente, “nada valia a pena”.

Uma leitora ávida, Rowling apesar disso tem pouco apetite para romances sobre mundos fantásticos e imaginários, a la C.S. Lewis e Tolkien. Amante de Jane Austen, Rowling não consegue decidir entre Emma e Orgulho e Preconceito. Ela também admira o escritor irlandês Roddy Doyle. E para desespero de seus jovens fãs, Rowling não acredita em mágica, bruxas ou feiticeiros.

Rowling está trabalhando com um roteirista em um filme de Harry Potter. Contatada por várias ofertas, ela escolheu a companhia que fez “A Princesinha” e “O Jardim Secreto“.

Rowling espera publicar o quarto Harry Potter durante o verão de 2000. (As versões americana e britânica sairão simultaneamente, para acabar com a controvérsia dos americanos pedirem seus livros no Amazon.com.uk antes dele estar disponível nos EUA.)

Conforme a história progride, Harry e seus amigos lidam com questões de bom versus mau e com a própria morte. Rowling vai onde a história a leva, mas ela não gosta da idéia de fazer as crianças chorarem. Ela considera os livros mais apropriados para crianças com 9 ou mais, que podem lidar com o material.

E a criança mais importante da sua vida não ouviu uma palavra de Harry Potter. Rowling não leu a série para sua filha.

“Ela tem uma imaginação muito vívida”.

Deve ser genético.

Traduzido por: Patrí­cia Abreu em 23/02/2006.
Revisado por: Matheus Almeida em 25/02/2006.
Postado por: Fernando Nery Filho em 30/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote
aqui.