Hunt, Jennifer. “Extra! Extra! Primeira página do novo ‘Harry Potter’”. Time Magazine, 07 de julho de 2000.

Não fico tão entusiasmada desde… bem, sempre. Nesta última meia hora, estive lendo uma cópia-rascunho do Santo Graal dos livros: “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Não consigo acreditar que pus minhas mãos nessa coisa. O livro, na verdade, pertence a Paul Gray da revista TIME, que tem o invejável trabalho de revisá-lo para o lançamento próximo, e, até ele tirá-lo abruptamente de meus dedos tremulantes, tive meu momento ao sol. E depois ele se foi, e agora estou encarando o pensamento de me juntar às milhões de pessoas que estão provavelmente se enfileirando para comprar um exemplar enquanto estou digitando. Onde está a justiça nesse mundo? Até lá, sofra comigo enquanto explico minha – e de muitos outros adultos – obsessão pelo mundo de Harry Potter.

As vendas na minha banca local devem estar caindo. Ao invés de jornais, muitos dos passageiros do meu metrô diário para o trabalho estão lendo livros.

E não é simplesmente qualquer livro.

Sim, meu metrô se tornou o expresso de Harry Potter.

Esses passageiros não são crianças indo à escola. Nem eu. Não sou uma criança com idade entre 8-12 anos, nem sou mãe de uma criança desse tipo. Sou uma mulher com 20 e muitos.

Minha fascinação crescente me leva a recusar convites para festas, evitar o telefone e ficar acordada muito além de um horário racional. Sou uma mulher obcecada. E finalmente superei minha vergonha de adulta o bastante para levar meu livro para o mundo lá fora.

Meus companheiros passageiros têm variáveis níveis de confiança em Potter. Vejo alguns corajosos lendo seus livros como se fosse o último literário que se “deve ter”; outros tentam evitar ser detectados, embrulhando seus livros com papel marrom ou colocando-o entre as páginas do Economist.

De qualquer jeito, à medida que faço meu caminho pelo trem lotado, eles são fáceis de se encontrar, suas sobrancelhas enrugadas de concentração quebrada apenas por uma leve risadinha boba. O contato visual entre nós é breve – estamos em Nova Iorque, afinal – mas de entendimento.

Agora, é claro, temos ainda mais razões para nosso reconhecimento um pouco convencido. A não ser que você esteja vivendo uma existência do tipo eremita em algum dos túneis dos metrôs de Nova Iorque, você deve sabe que neste fim de semana será o lançamento do quarto livro de Harry Potter, “O Cálice de Fogo”. A tiragem é imensa, a publicidade da altura do céu. A Amazon.com está lidando com um ataque de pedidos.

Aposto que a maioria destes será endereçada aos adultos da casa. É uma coisa ótima. A questão é muito maior do que pegar carona num crescente fenômeno cultural – tenho certeza de que os contos infantis e a magia de J.K. Rowling podem mudar a sua vida.

Se você está tendo dificuldade para dar o pontapé inicial, juntei algumas razões (fora das histórias em si) a serem consideraras:

“Harry Potter” incendeia a imaginação: Numa época em que nosso maior prazer é assistir a realidade na televisão, parece como se tivéssemos nos esquecido do tremor de entrar em nossas cabeças. Executivos de TV estão, sem dúvida, dando tapinhas em suas próprias costas por quanto estão sendo imaginativos com os programas, como o recém-lançado “Big Brother”. Mas realmente queremos nos lembrar dos aspectos de nossas vidas monótonas? Você realmente precisa reviver o seu ano de calouro na faculdade (“The Real World”), ou ser confrontado por “Tiras” (todos nós conhecemos alguém), ou ser abandonado com o elenco de “No Limite” (você poderia dizer “Férias em Família”?)? A imaginação verdadeira é a de que um livro infantil pode ter Bob, o Advogado se vendo como um bruxo famoso.

“Potter” promove a leitura como um puro prazer: Constantemente, a lista dos mais vendidos do New York Times parece ser mais sobre o consumismo ‘sou-mais-esperto-que-você’ de jovens profissionais do que sobre livros que as pessoas realmente leem. Não conheço ninguém que tenha terminado “Infinite Jest”. E você se lembra da agitação em relação a “Uma breve história do tempo” de Stephen Hawking (o coletor-de-pó mais vendido, se é que já houve algum)? E quem leu a nova tradução de “Beowulf” de Seamus Heaney além dos juízes desse ano do Prêmio Whitbread? “Harry Potter”, por outro lado, será lido de novo e de novo e passado de pessoa para pessoa. Este livro o leva de volta a um período em sua infância quando você podia passa um sábado inteiro de pijamas lendo apenas pela diversão.

Ele pode atravessar a lacuna entre crianças e adultos: pergunte a qualquer criança sobre “Harry Potter” e você terá a sua atenção arrebatada. Eles vão lhe presentear com a história inteira, de cabo a rabo. Não seria ótimo se isso pudesse ser um diálogo? Se você é pai ou mãe, poderia ser uma razão suficiente.

É divertido: de verdade. De que outro motivo você precisa, além deste?

Sei que uma coisa é certa. Na segunda de manhã, estarei no metrô com meus olhos inchados pela maratona de leitura do meu recém-adquirido “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Tenho certeza de que haverá vários outros adultos como eu. Espero que você seja um deles.

Traduzido por: Ana Carolina Feitosa em 04/01/2009.
Revisado por: Renan Lazzarin em 06/01/2009.
Postado por: Vítor Werle em 09/01/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.