Iqbal, Razia. “Entrevista em vídeo de J.K. Rowling: parte II”. BBC News, 1º de novembro de 2007.

Veja também: Vídeo e artigo, Rowling termina livro baseado em Potter.
Contexto: Rowling fala sobre o leilão de uma cópia de Os Contos de Beedle, O Bardo.
Créditos da transcrição: Meann.

(vídeo de Jo mostrando o livro à repórter)

JKR: Na verdade, esse livro inteiro foi deixado para Hermione, mas foi no Conto dos Três Irmãos que ela viu a marca das Relíquias e então…

Razia Iqbal (RI): Um dos exemplares da edição limitada de apenas sete livros. Contos de fadas escritos à mão e ilustrados pela autora, este livro é a primeira coisa que J.K. Rowling escreveu desde que o último romance de Harry Potter foi publicado.

JKR: Então, O Coração Peludo do Mago… Meu marido e minha filha me garantiram que não se parece em nada com um coração de verdade…

(corta para JKR lendo a dedicatória da sétima cópia)

JKR: Seis desses livros foram presenteados às pessoas mais intimamente ligadas aos livros de Harry Potter durante os últimos 17 anos. Esta sétima cópia será leiloada, o lucro das vendas irá ajudar crianças internadas que…

(corta para a Srta. Iqbal entrevistando JKR)

RI: Isso é especialmente empolgante, suponho que seja porque veio logo depois do último livro e então é isso que J.K. Rowling estava fazendo logo depois, não é?

JKR: Bem, foi o que eu fiz logo depois, sim. As pessoas ficavam me dizendo, “Ah, você vai ficar contente por deixar de escrever por um tempo”. Mas é claro que eu não estava descansando nem um pouco, eu estava, literalmente, escrevendo, porque esses livros foram escritos à mão… hmmm… essas histórias novas têm sido… têm sido um maravilhoso jeito de dizer adeus, na verdade. Tem sido ótimo… é como voltar à superfície depois de um mergulho profundo, eu acho. Tenho escrito sobre o mundo. Não é sobre Harry, Rony e Hermione, mas vem desse mundo. Então tem sido… parcialmente, eu não esperava que fosse, mas tem sido terapêutico, de certa maneira. Uma boa maneira de dizer adeus.

RI (narrando): E o livro de contos de fadas abre um novo capítulo nos trabalhos de caridade de J.K. Rowling. Eu perguntei a ela por que crianças vulneráveis na Europa Oriental se tornaram o foco da instituição de caridade que ela fundou.

JKR: Acho que foi a impotência. Acho que tenho… hmmm… muito medo de ser frágil. E,… hmmm… não pude pensar em alguém com menos voz… mais desprivilegiada que… hmmm… uma criança com problemas de saúde mental ou uma doença mental ou um deficiente mental que foi tirado de sua família ou entregue por ela para uma instituição, e então colocado em uma jaula. Não consegui pensar em alguém mais vulnerável e com mais necessidade de uma voz articulada.

RI: Você é incrivelmente rica e eu gostaria de perguntá-la sobre a conexão entre essa riqueza e sua consciência social. Você sempre teve uma consciência social tão forte?

JKR: Eu diria que sim. Houve essa separação curiosa, na minha mente, entre o trabalho que fiz e o dinheiro que ganhei porque a recompensa, quando veio, parecia tão grande, sabe? Foi bem assustador de certa maneira. E ninguém deveria reclamar por ter uma enorme quantia de dinheiro, e eu não reclamo. Acho que o dinheiro traz, sim, uma certa responsabilidade. Se você é qualquer tipo de ser humano então – uma vez que você satisfez suas necessidades e as de sua família, então acho que, se você for qualquer tipo de ser humano, pensará “>Como faço alguma coisa boa com isso?” E acho que a maioria das pessoas na minha posição faria isso.

RI: Você acabou de voltar de sua turnê nos Estados Unidos onde você foi notícia de diversas maneiras, não menos por revelar que Dumbledore é gay. Em sua mente, você sempre o viu como gay?

JKR: Sim, sempre. Ninguém nunca tinha me perguntado “Ele já se apaixonou?” ou “Quem ele amou?” Não. As pessoas sempre estiveram muito focadas no que acontece com Harry, então nunca tinham me feito uma pergunta direta. E, sendo assim, e também porque respondê-la iria imediatamente sinalizar uma paixão que acontece no livro 7, eu nunca disse isso. No entanto, se tivessem me perguntado eu teria dito, claro.

RI: (narrando, vídeo de um artesão colocando jóias na capa do livro): Cada capa desses livros é única. Nenhum será publicado, já que J.K. Rowling detém os direitos autorais. E o que será leiloado está contando com o considerável cachê da marca Harry Potter.

Traduzido por: Isadora T. Moraes em 09/02/2009.
Revisado por: Juliana Poli Bonil em 04/04/2009.
Postado por: Ohanna S. Bolfe em 06/04/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.