“Jovens brincam de jornalistas com Rowling”. The Globe and Mail, 26 de outubro de 2000.
Vancouver: A autora de Harry Potter, J.K. Rowling, fez a sua mágica com um grupo de jovens fãs entusiasmados ontem, transformando-os em verdadeiros jornalistas tentando extrair dela os seus segredos mais profundos e conter a sua responsabilidade em relação ao seu trabalho. Algumas vezes durante o encontro o grupo de dez adolescentes e pré-adolescentes chegou a deixá-la encurralada.
Perguntada se poderia haver uma guerra nos livros que ela ainda está para escrever, Rowling pareceu mais com o presidente dos EUA, Bill Clinton, que evitou uma pergunta durante o caso de Monica Lewinsky balbuciando sobre o significado de “is” (“é”, em português) – do que uma autora de livros infantis. “Depende de como você define a palavra guerra”, disse Rowling. “E isso é tudo o que vou dizer”.
Mas em outros momentos ela não se mostrou tão resistente. Ela foi perguntada sobre o que poderia acontecer com Harry no final da série. Os jovens se mostraram bastante espantados quando ela sugeriu que poderia simplesmente matá-lo. Ansiosa para acalmar os questionadores ela rebateu rapidamente: “Não, não… nada disso”, ela falou. “Agora estou me sentido tipo: ‘Oops, magoei a menina'”.
Ela também pareceu tocada pelo entusiasmo dos jovens jornalistas. “Essa é a coisa mais legal que um escritor pode ouvir, que suas personagens são tão reais pra você como são pra mim”, disse ela. Em uma façanha sem precedentes no mundo dos livros, Rowling que costumava ser uma mera professora de francês, ganhou a notoriedade de uma estrela de rock, e se tornou uma das mulheres mais bem pagas de toda a Grã-Bretanha com uma renda de $47 milhões no ano passado. Sua série Harry Potter vendeu mais de 30 milhões de cópias mundo a fora e mais de 1,5 milhão no Canadá, onde 5.000 cópias são o suficiente para levá-la à lista de mais vendidos.
Mais de 20.000 fãs foram conferir a leitura de Rowling no Skydome em Toronto no início da semana. Enquanto esteve em Vancouver, terra natal de sua editora canadense, a Raincoast Books, Rowling passou por uma coletiva com adolescentes, deu entrevistas à mídia e fez duas leituras para mais de 10.000 fãs no Pacific Coliseum, antigo lar dos Canucks, time de hockey de Vancouver.
A “coletiva de imprensa” durou aproximadamente 30 minutos e os pequenos jornalistas ficaram entusiasmados só por estarem no mesmo cômodo que a Sra. Rowling. “Foi o melhor, muito legal, foi ótimo estar aqui”, disse Ashley Badyal, de 12 anos, da Escola Primária Hamilton em Richmond, B.C.
“Foi muito interessante, ela falou com a gente, não só com os adultos”. Contudo os jovens, com opiniões fortes sobre seus personagens favoritos e as viradas da trama, foram críticos e exigentes. “São livros excelentes, com uma trama interessante e bem desenvolvida”, disse o estudante Alexander Biron da 7ª série da Escola Lord Kitchener de Vancouver. “Mas o terceiro e o quarto livro são melhores que os outros volumes”, acrescentou ele.
Emma Crandall, 10, da Escola Primária Lord Tweedsmuir em New Westminster pressionou a autora em relação a sua escolha de um personagem principal masculino. E Rowling disse que não pensou muito quanto ao gênero do personagem principal quando começou a escrever. “Eu não precisei parar para pensar muito em relação ao meu herói, ele veio praticamente formado para mim”, ela disse. “E quando parei para pensar nisso achei que já era tarde demais”.
Traduzido por: Bruno Maranhão em 07/07/2006.
Revisado por: Patrícia M. D. de Abreu em 28/04/2007.
Postado por: Fernando Nery Filho em 29/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.