Rosie O’Donnell. “Entrevista no ‘The Rosie O’Donnell Show'”. 21 de julho de 1999.

Rosie: Minha próxima convidada é a autora do livro que eu simplesmente não consigo parar de ler. Na verdade, dois livros agora. Como vocês irão descobrir agora, a história da vida dela é tão inspiradora, como seus livros são fascinantes. Por favor, seja bem-vinda a autora do best-seller Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta, compre os dois, e leiam na ordem – por favor, bem-vinda J.K. Rowling.

Rosie: Como você está J.K.?

J.K.: Eu estou bem.

Rosie: [sobre o público] Eles não são ótimos ?

J.K.: Sim, são pessoas amigáveis.

Rosie: Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer por vir da Escócia apenas para isso.

J.K.: De nada. É, eu vim ontem.

Rosie: Como foi seu vôo?

J.K.: Foi bom! E eu encontrei uma pessoa simpática na verificação do passaporte.

Rosie: Sério? Uma pessoa simpática?

J.K.: É, normalmente vocês não gostam das pessoas vindo muito para esse país, você gosta?

Rosie: Eu não tenho certeza, nós te causamos muita discussão?

J.K.: Na última vez que eu estive aqui – “Por que você está aqui? Por quê?” – Como se eu fosse uma terrorista. Mas nessa vez, eu disse que vinha ao seu programa e ela disse “Oh! Isso é ótimo”.

Rosie: Sério? E eles te deixaram passar direto? Isso é bom. Qualquer um que estiver ouvindo, se você quiser entrar ilegalmente nesse país, diga que você foi contratado por esse programa. Bum, você está dentro. [Jo e a platéia riem.]

Rosie: Bem, eu estou muito feliz por você ter vindo, foi uma grande viagem, mas na verdade eu implorei para você vir e aparecer aqui.

J.K.: Estou muito agradecida.

Rosie: Você não devia estar agradecida – Esse foi o melhor livro que eu já li, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

J.K.: Eu nem preciso falar sobre ele, você está fazendo tudo por mim, isso é ótimo!

Rosie: Você sabe, se eu pudesse, eu leria ele sempre, porque me trouxe tanta alegria.

J.K.: Muito obrigada.

Rosie: Como você criou isso? Eu ouvi e li histórias, oh! Ela é sem-teto, ela o escreveu em guardanapos, qual é a verdadeira história?

J.K.: Eu não era tão triste assim, mas quase tão ruim. Basicamente, eu escrevi o primeiro livro quando eu era mãe solteira, vivendo com assistência pública, como vocês a chamam. E eu só podia escrever, basicamente, quando minha filha estava dormindo. Então, eu normalmente andava por aí com ela, esperando-a cochilar, para escrever por algumas horas e quando a colocava para dormir à noite.

Rosie: E você pararia em cafeterias e coisas do tipo?

J.K.: Sim, eu costumava muito ir a cafeterias, mas eu descobri que eles me deixariam sentar lá por horas com um único café, você sabe, eu não tinha muito dinheiro para gastar.

Rosie: Certo. E foi o primeiro livro que você escreveu?

J.K.: Na verdade eu já escrevi outros que eu nunca tentei publicar, pela simples razão de serem um lixo.

Rosie: Sério?

J.K.: Eu posso te dizer.

Rosie: Foi bom você ter esperado.

J.K.: É, eu acho.

Rosie: E como esse conceito – porque, o mundo mágico que você criou, os detalhes desse mundo são tão cativantes. Como você criou com, primeiro o garoto, Harry Potter.

J.K.: Foi muito estranho, Eu estava em um trem, um trem atrasado – trens estão sempre atrasados na Grã-Bretanha, esta é uma característica muito comum da vida – e então eu estava presa lá e foi como se a idéia tivesse simplesmente caído dentro da minha cabeça. Eu não tive que trabalhar pra isso de jeito nenhum – Harry simplesmente entrou em minha cabeça e eu estava tão animada, era a idéia da minha vida, e eu sabia disso, e eu não tinha uma caneta, e eu era, meio que, muito tensa e britânica para pedir uma a alguém.

Rosie: Sério?

J.K.: Sim, no caso de eles pensarem que estava querendo roubá-los ou coisa assim. Britânicos são assim.

Rosie: Certo, isto foi muito apropriado de sua parte. Em Nova York, se você fosse de Nova York, você diria, (sotaque de Bronx) “Hei, me da aquela caneta!”, entende?

J.K.: Eu poderia ter feito alguma coisa assim.

Rosie: Então você foi pra casa e se sentou…

J.K.: No momento em que cheguei em casa, depois de quatro horas, e pensando sobre isso, eu simplesmente comecei a escrever.

Rosie: Você o escreveu à mão ou você o digitou?

J.K.: Eu escrevi o livro todo à mão. Eu continuo escrevendo à mão, é um hábito profundamente antigo que tenho, eu não consigo escrever de outra maneira.

Rosie: Não consegue escrever em um computador?

J.K.: Bem, eu o edito em um computador, mas os primeiros rascunhos são sempre à mão.

Rosie: Agora pra quem você mandou o livro, a primeira cópia, simplesmente uma editora qualquer, você simplesmente mandou —

J.K.: Sim, eu simplesmente fiz uma lista.

Rosie: Você conhecia algum autor já publicado que poderiam te direcionar à —

J.K.: Não, não, eu não conhecia ninguém, eu não conhecia ninguém, ninguém mesmo, não, eu usei um guia chamado “Os escritores e Artistas anuários“, uma longa lista de editoras e agentes, e eu simplesmente comecei a mandar o livro. Eu só tinha – Eu só podia pagar para copiar dois grupos de capítulos para mandar a eles, então eu comprei duas dessas pastas de plástico para mantê-los limpos, porque eu sabia que eles continuariam a voltar, porque eu realmente, para ser honesta com você, não esperava ser publicada, mas eu tinha que tentar. E a primeira agente a quem eu mandei o livro, ela escreveu de volta dizendo, “sinto muito, minha lista de clientes está cheia, a pasta que você mandou não irá caber de volta no envelope”. (Rosie suspira) Eu estava furiosa, eu queria escrever e dizer, “você me deve cinco libras”.

Rosie: Porque você não tinha dinheiro o suficiente para tirar as cópias.

J.K.: Não, eu estava realmente, eu estava muito sem dinheiro.

Rosie: Então pra quantas pessoas você teve que escrever antes de você conseguir um negócio?

J.K.: Bem, eu tive, de fato, muita sorte, porque o segundo agente pegou o livro. A melhor carta da minha vida.

Rosie: E ele já fez um acordo para mais, ou depois do sucesso do livro?

J.K.: Bem, eu sempre planejei sete livros, você sabe, isto sempre esteve na minha cabeça, então eu estava rezando quando eu conheci minha editora pela primeira vez que eles me falassem “Nós queremos o resto”, porque eu tinha um monte de caixas, literalmente caixas de coisas sobre Harry – graças a Deus eles as quiseram.

Rosie: Eu não consigo nem adequadamente explicar o quanto o livro é brilhante, quero dizer eu realmente não consigo. Eu tenho que contá-los que eu li o livro, e normalmente de noite meu filho me pede para contá-lo uma história do Batman.

J.K.: Oh, minha filha ama o Batman.

Rosie: Sério?

J.K.: Ela é obcecada, sim.

Rosie: Tudo o que ele quer conversar é sobre Batman e Poison Ivy, e garanta que o Mr. Freeze esteja lá, a coisa toda. Então eu terminei este livro e disse, “Eu tenho uma história diferente pra te contar” e eu contei a ele o livro todo.

J.K.: Eu aposto que de primeira ele não quis ouvir, porque não tinha Batman no meio.

Rosie: Não, ele quis.

J.K.: Oh, ok, bom.

Rosie: Eu disse, “Tem um garoto especial e ele tinha uma cicatriz em forma de raio em sua testa, e seu nome era Harry Potterr”. Eu contei o que aconteceu. Bem, agora o garoto está encantado.

J.K.: Oh, isto é maravilhoso.

Rosie: Ele sabe tudo – se eu pular alguma coisa por estar cansada —

J.K.: Oh, sim, eu faço isso.

Rosie: Ele diz, “Mamãe, não se esqueça da parte que eles jogam Quadribol na vassoura e eles têm que pegar o ‘Fomo’ de Ouro”. Ele sabe todas as partes do livro.

Jo está rindo: Ok.

Rosie: Eu tenho uma cópia adiantada do segundo livro, e ele é tão encantador quando o primeiro livro. Eu espero que você esteja agora financeiramente bem sadia como o resultado desses porque —

J.K.: Bem mais sadia do que eu estava, acredite em mim.

Rosie: Eu aposto que sim. Você conseguiu um bom acordo de sete livros?

J.K.: Eu já vendi os cinco primeiros até agora – se meu agente sobreviver, eu tenho um ótimo agente.

Rosie: E sobre o filme? Eu ouvi que haverá um filme.

J.K.: A Warner Brothers comprou os direitos — (a platéia vai à loucura)

Rosie: Eu tenho que lhe contar – você é a autora, eu não sei quanta influência você tem, mas eu tenho que estar no filme.

Jo completamente enlouquece rindo: Ok.

Rosie: Aqui está o papel que eu quero – Eu quero a Sra. Weasley.

J.K.: É claro.

Rosie: Eu quero – é a mãe de três garotos – dois garotos e uma garota, e eles não têm nenhum dinheiro.

J.K.: Legal, você seria perfeita.

Rosie: E ela é muito gentil com Harry, e ela tricotou um suéter para ele e, é tão, e a coisa sobre o Berrador. Corujas carregam mensagens e essa mensagem vem, e todas as crianças se afastam e eu estou pensando o que é um Berrador? E você solta a carta e ela é aberta, e a voz da mãe começa a gritar com o garoto – “O que você fez? Nunca faça isso!” – e todas as crianças dizem, “Oh, você recebeu um berrador”, e então coruja a pega de volta e sai voando.

J.K.: Isso não seria simplesmente a pior coisa do mundo?

Rosie: Seria. É realmente, realmente engenhoso. É. Eu queria te dar alguma coisa. Eu não sabia o que te dar porque eu estou tão, tão agradecida que você escreveu esses, não somente para mim, para todo o mundo, eu amo, e eu ouvi que você estava procurando por uma cópia do “O Pequeno Cavalo Branco“.

Jo engasga: De jeito nenhum, oh, meu Deus.

Rosie: E este é um livro dos anos 40.

J.K.: Meu livro favorito da minha infância.

Rosie: Seu livro favorito da infância, que não era mais impresso, nós encontramos.

J.K.: Oh, muito obrigada, oh meu —

Rosie: Eu não quero parar aí, eu queria dar algumas coisas para sua filha (pega uma enorme cesta com animais empalhados e coisas assim) aqui estão algumas coisas para sua filha e apesar de você ter me contado que não escreve em um computador, eu li a pesquisa que disse que você escreveu todo o livro à mão, e que sua máquina de escrever quebrou, então nós vamos te dar um iMac e um Apple Power Book G3 também. (Um homem os leva até o palco) Bem ali para que você possa pegá-los e escrever mais e mais e mais livros.

J.K.: Ok. (Durante isso tudo Jo tem suas mãos em seu rosto, e ela está rindo, e simplesmente parecendo impressionada)

Rosie: Eu lhe agradeço muito por estar aqui. Eu espero que você não tenha problemas na alfândega no caminho de casa. Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e a Pedra Filosofal, comprem-nos hoje! Nós já estaremos de volta.

Traduzido por: Frederico Oliveira Duarte em 18/03/2006.
Revisado por: Helena Alves em 26/05/2006.
Postado por: Fernando Nery Filho.
Entrevista original no Accio Quote
aqui.