Alderson, Andrew. “Grã-Bretanha enlouquece com o quarto Harry.” Telegraph.co.uk, 9 de julho de 2000.

DEPOIS da badalação, o caos. Um fictício órfão de olhos verdes com poderes mágicos teve ontem a Grã-Bretanha a seus pés enquanto sua criadora lançava o mais esperado livro da história editorial na estação King Cross de Londres.

Pais brigavam e crianças choravam enquanto J.K. Rowling, a autora de Harry Potter e o Cálice de Fogo, era cumprimentada mais como uma estrela de cinema do que como uma escritora. Ela descreveu o pandemônio ao redor do seu último livro como “completa loucura”.

“Eu escrevi o livro para mim, tudo isso é um choque para mim e eu estou maravilhada – pense numa palavra mais forte e a dobre. Eu achava que umas três pessoas gostariam deles [livros], incluindo minha irmã e possivelmente minha filha.”

Rowling, usando um casaco lilás, saia padrão e brilhantes sapatos rosa, disse que ela estava “surpresa” pelo livro ser tão longo; 636 páginas, a nova edição de capa dura é mais de duas vezes o tamanho de seus três trabalhos anteriores. Ela disse: “Este foi o mais difícil até agora de escrever – é um livro longo. É a culminação de um trabalho de 10 anos. Houve muita pressão externa dessa vez. Eu coloquei tudo nesses livros. Após minha filha, Harry é a coisa mais importante para mim.”

Rowling, um mãe solteira de Edimburgo, sabia que ela tinha quebrado o recorde de vendas com cinco milhões de cópias mundialmente mesmo antes de ela embarcar num tour nacional de publicação para promover a mais nova aventura do herói dela, uma garoto mágico que usa óculos. Antes de deixar a plataforma 1 – transformada na Plataforma 9 ½ em homenagem a porta de entrada de Harry Potter para o mundo místico dele – o quarto livro dela tinha vendido numa marca de 350 por hora nas grandes livrarias.

Houve cenas de raiva em King Cross enquanto dois pais se empurravam, suas crianças choravam e outros mais jovens, alguns vestidos como mágicos com vassouras, desesperados porque não puderam se aproximar e pegar um autógrafo da autora. Milhares de crianças – e muitos adultos – começaram a desfrutar da mais recente oferenda de Rowling após uma corrida matutina às livrarias que começou a meia-noite e continuou pelas próximas 23 horas.

Uma multidão de 200 pessoas reunia-se fora da [livraria] Waterstone na [rua] Piccadilly diante da abertura à meia-noite da loja, que terminaria numa festa para 50 crianças. Proximamente, do lado de fora da Hatchards, havia 500 pessoas fazendo fila para a abertura às 08h30min da manhã, com fãs estendendo-se através da extensão da vizinhança da loja Fortnum & Mason.

Archie Watson, 10, um sósia de Harry Potter que tem tentado uma audição para o herói da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts no próximo filme de Harry Potter, disse: “Este último livro é enorme e eu não sei quanto tempo eu levarei para lê-lo, mas eu não farei mais nada até terminar.”

Houve similares cenas de loucura ontem cedo nos Estados Unidos, onde houve um recorde de impressão de 3,8 milhões de cópias: 40 vezes mais que um bestseller comum. Sarah Watkins, a gerente responsável pela Waterstone na Piccadilly Circus – onde uma equipe de entusiastas do jovem Harry Potter liam o livro para o The Telegraph – disse que as cenas da tarde de ontem tinha causado frenesi.

Ela disse: “Este é o livro mais desejado que eu já vi em meus cinco anos no mercado. É provavelmente a primeira história de aventura completa desde O Leão, A Feiticeira e O Guarda-Roupa [de C.S. Lewis]. J K Rowling parece ter encontrado a mistura perfeita de fantasia e vida real.”

Fonte: http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2000/07/09/npot09.xml

Traduzido por: Matheus Lisboa em 17/01/2009.
Revisado por: Renata Grando em 28/01/2009.
Postado por: Vítor Werle em 29/01/2009.
Entrevista original no Accio Quote aqui.