J.K. Rowling participa do programa Woman’s Hour Takeover na BBC Radio 4

“J.K. Rowling participa do programa Woman’s Hour Takeover na BBC Radio 4”, 28 de abril de 2014.

Narrador: Agora em BBC Radio 4, é hora do Woman’s Hour, com Jane Garvey.
Jane Garvey [JG]: Um ótima manhã pra vocês e bem vindos ao que promete ser uma semana verdadeiramente fantástica para nós aqui na Woman’s Hour. Vamos continuar com nossos temas diferenciados essa semana e isso quer dizer que o Takeover da Woman’s Hour finalmente chegou. Cada programa essa semana ficará nas mãos de uma mulher brilhante. A dama Kelly Holmes, a escritora Naomi Alderman, a baronesa Doreen Lawrence e Lauren Laverne serão as mulheres convidadas para o programa essa semana. E para quem está ouvindo, por favor, sintam-se a vontade para participar no Twitter usando #WHTakeover. Eu sei que muitos de vocês já estão fazendo isso agora e eu agradeço. Então, no Twitter, participem por favor. #WHTakeover. Vamos começar a semana então com a autora mais bem sucedida que a Inglaterra já produziu, J.K. Rowling. Ela escolheu os tópicos que nós vamos falar hoje. O gigantesco número de crianças vivendo em instituições por todo o mundo, mulheres no Rugby, e o poder do sapato. Tudo isso mais tarde. Estamos muito ansiosos então vamos em frente.
JG: Jo, bem vinda. É fantástico você estar fazendo isso conosco aqui no Woman’s Hour, como parte do nosso Takeover. Você vai começar a semana de editores convidados, então, não se sinta pressionada. Diga-nos o que você vai trazer para nós.
J.K. Rowling [J.K.]: Muitas coisas. Eu achei uma oportunidade muito legal para falar sobre coisas que eu me importo de verdade. Você acabou de me fazer sentir um pouco pressionada ao dizer que eu vou começar, eu espero que seja um bom programa. Pelo menos eu vou tentar.
JG: Bom, o programa começou em 1946 e nunca teve um editor convidado antes.
JK: É sério? Eu não sabia disso.
JG: Sim. É sério.
JK: Ok. Agora estou um pouco assustada.
JG: Mas eu não acho que você precisa estar porque eu acho que as pessoas realmente querem ouvir o que você quer dizer e com o que você se interessa. Então, além de agradecer pelas horas que você deu a eles, já que muitas pessoas ficaram ocupadas lendo as coisas que você escreve, acho que todos estão interessados em ouvir o que você tem a dizer e ouvir sobre coisas que lhe interessam. Agora, Jo, o assunto de Esclerose Múltipla (EM) é enormemente importante para você por causa da sua mãe falecida. Nos conte um pouco sobre ela.
JK: Bom, ela foi uma mãe muito jovem. Apenas 20 quando ela me teve. Faço questão de frisar isso porque todos meus amigos me diziam “Nossa, sua mãe é tão nova.” Ela olhava pra nós como uma amiga, eu acho, ela era muito nova e muito em forma. Não fumava nem bebia e eu digo tudo isso porque, claro, disso até ela ser diagnosticada com 35 anos com algo que mataria ela, foi um choque enorme. É verdade que ela teve uma forma de EM muito agressiva e eu faço questão de dizer isso porque não quero que ninguém que esteja ouvindo esse programa, se algum dia forem diagnosticados, ache que o final vai ser sempre esse. Eu sempre falo de pessoas que viveram com isso por muitas décadas. Eu faço questão de dizer o quão azarada minha mãe foi.
JG: Ela foi muito azarada e você era apenas uma adolescente. Adolescentes não são as pessoas mais fáceis.
JK: Ah, não. Eu era angelical.
JG: Bom, então uma exceção. E eu era também.
JK: Sim. Tenho certeza que você era.
JG: Mas que tipo de impacto isso teve nos seus anos adolescentes? Isso te mudou?
JK: Sim. Definitivamente. Eu acho que ter doença crônica na família sempre muda a dinâmica da família. Culpa, preocupação, ansiedade. E sua vida. E minha mãe, quando foi diagnosticada, ela estava muito doente. Então não era apenas o desconhecido. Era o lidar com a realidade de alguém que não estava mais conseguindo andar como antes e para uma pessoa tão ativa quanto ela, isso foi uma experiência de verdade.
JG: O que parte meu coração é que sua mãe não sabe sobre você e sobre o que aconteceu com você. É quase insuportável.
JK: Eu penso muito sobre isso, inevitavelmente. Porque para todos, e ainda bem que eu ainda tenho minha irmã, sou muito próxima à ela, e Di é uma grande fonte de conforto, mas minha mãe amava ler. Ela ficaria feliz com qualquer coisa que eu fizesse, se eu fosse bem sucedida ou não, mas particularmente se eu fosse escritora. Ela consideraria isso muito valioso.
JG: É assim que você se lembra dela? Sentada numa cadeira lendo e sendo feliz assim?
JK: Definitivamente. Ela sempre se entregava para os livros. E outra coisa que eu me lembro vividamente, é a sua risada. Minha irmã e eu até hoje nunca conhecemos ninguém com uma risada tão contagiosa como a da minha mãe. Parecia que ela ia sufocar, o que pode não parecer…
JG: Não parece muito bom…
JK: Não parece atrativo, mas era muito contagiante porque nos perguntávamos se ela ia perder o fôlego em algum momento. Eu me lembro disso.
JG: Hoje você tem a Clínica Anne Rowling. Nos conte mais sobre isso.
JG: Hoje você tem a Clínica Anne Rowling. Conte-nos mais sobre isso.
JK: Bom, ela faz parte da Universidade de Edimburgo, que chegou para mim com a proposta de neurorregeneração, que é uma área ignorada, infelizmente. Sempre foi.
JG: Eu nem sei o que é isso, desculpa. O que é?
JK: Bom, costumava-se pensar que nervos não conseguiam se regenerar. Que uma vez avariado, era isso. Hoje acreditamos que você consegue não apenas impedir maiores danos, você consegue recuperar esse dano. Então era isso que eles queriam fazer. Ter uma clínica dedicada nessa área de pesquisa. Eu acho que essa foi a melhor proposta que eu já recebi e, você pode imaginar, eu recebo todo tipo de proposta para investir. E a outra coisa é que EM é uma doença bem escocesa, então me pareceu certo que esse projeto acontecesse aqui em Edimburgo, a capital, e isso significaria os escoceses terem a chance de participar dos testes, o que me faz acreditar que dará muita esperança para muitas pessoas.
JG: A Esclerose Múltipla afeta mais de 100 mil pessoas por todo o Reino Unido. Mulheres têm três vezes mais chances de desenvolvê-la do que homens. Escócia tem o maior número de casos no mundo. Eu falei com o Professor Charles Ffrench-Constant do centro de medicina regenerativa da Universidade de Edimburgo e perguntei a ele porque as mulheres escocesas têm mais chance, e também com a jornalista da BBC, Elizabeth Quigley, que tem EM. Perguntei a Elizabeth como ela foi diagnosticada 14 anos atrás.
EQ: Eu tinha 28 anos. Havia acabado de começar a trabalhar na BBC escocesa como Correspondente política. Eu estava me esforçando, estava muito ocupada, e comecei a sentir um tipo de palpitação em uma das veias do lado do meu rosto. Eu achei que era um… Não era uma dor, era mais uma distração daquilo que eu realmente queria fazer. Eu ignorei durante um tempo, fazendo outras coisas, e depois entrei em contato com meu Clínico Geral, mas me achando uma fraude e pensando “O que estou fazendo aqui?”, mas sabendo que aquilo era algo, aquela simples palpitação no rosto, eu perguntei o que poderia ser e eu vi que ele sabia exatamente o que era. Ele disse que eu devia fazer uma Ressonância Magnética e eu fui e fiz. Repito, achei que estava apenas gastando meu tempo e o Neurologista que viu o resultado disse que era uma inflamação dos nervos, como haviam imaginado, e de novo eu pensei que era desperdício, não era nada, e falei para ele “Inflamação dos nervos? Nada de mais então. O que é isso?” e ele me olhou e disse, “Bom, ainda não temos certeza, mas pode ser EM.” e isso foi meio chocante, porque eu não sabia nada sobre EM. E a pergunta que eu mais fazia era “Por quê?” não “Porque eu?”, quero dizer, poderia acontecer com qualquer pessoa, então por que não eu? Mas porque isso está acontecendo comigo, como uma escocesa?
JG: Então eu fiz essa pergunta para Charles. Qual é a ligação? Até onde sambemos qual a ligação dos escoceses, principalmente as mulheres escocesas, com a EM?
CFC: Essa é uma pergunta difícil de responder por que, claro, nós não sabemos o que causa EM. Mas tem três coisas que nós sabemos. Primeiro, é mais comum em mulheres do que em homens. Isso acontece em várias doenças, assim como na EM, as células do sistema imune se comportam de maneira diferente e atacam diferentes partes do próprio corpo. A segunda coisa é que nós sabemos que existe um componente genético que leva ao risco. Sabemos que na população escocesa existem genes, que podem ter vindo dos vikings, que aumentam o risco de EM. Porém esses genes não fazem você ter EM. Sabemos disso porque se analisarmos gêmeos idênticos com esclerose múltipla, embora o gêmeo de alguém que tenha EM tenha os mesmos genes, ele têm apenas 30% de chance de ter a doença. Isso significa que há outro fator. Uma das coisas que sabemos ser muito importante é a latitude. A distância que você vive do Equador. Quanto maior essa distância, maior a chance de ter EM. O motivo de isso acontecer é algo que motiva muitas pesquisas. Vitamina D e a luz do sol podem ser causas óbvias, e por isso há muitas pesquisas. Então, se você juntar tudo isso, você tem uma predisposição genética e a distância do Equador, você tem um aumento significativo nas chances. As chances, no sul da Inglaterra, por exemplo, em um a cada novecentos, mas em Edimburgo é um a cada setecentos e em Aberdeen é um a cada quinhentos. Então a chance fica significativamente mais alta aqui no norte.
JG: A mãe da Jô teve uma forma muito agressiva de EM…
Repórter: A mãe de Jo Rowling teve uma forma muito agressiva de Esclerose Múltipla (EM). Charles me diga o quão variáveis são os sintomas e os resultados desta doença.
Charles: Esta doença tem dois componentes. Elisabeth descreve claramente o que acontece quando as células do sistema imunológico entram no cérebro e atacam a mielina, uma cobertura em volta das fibras nervosas. Aparecem inflamações que podem ser vistas pelo scanner de IRM (Imagem por ressonância magnética), e isso faz com que as fibras nervosas não funcionem apropriadamente.Mas em longo prazo, enquanto a mielina se torna mais danificada, as fibras do nervo param de funcionar corretamente e se degeneram. Isto causa o que chamamos de Progressão, quando a pessoa fica cada vez mais desabilitada.Agora, o que é variável são quantos relaxamentos e remissões uma pessoa terá antes de se tornar progressiva e quanto tempo demora antes dela se tornar progressiva. E esta variação é um grande problema para neurologistas,claro, por que significa que quando um neurologista acompanha alguém desde o início em sua clínica, ele ou ela não pode dizer realmente o quão severa a EM daquela pessoa será, então isto deixa mais difícil dizer qual tipo de terapia com remédios terá que ser usada.
Elisabeth: Se para neurologistas já é frustrante, para pacientes é irritante e frustrante, por que estamos vivendo com isto diariamente, e não sabemos o que acontecerá depois.
Repórter: Eu sei que antigamente as mulheres com EM costumavam ser aconselhadas a não considerarem gravidez, mas uma senhora brilhante teve um filho e sua gravidez não teve problemas, não foi?
Elisabeth: Eu estava começando a ter problemas ao andar e estava começando a usar uma bengala. Minha escrita desapareceu, eu tinha um tremor na minha mão, digitar era impossível.Eu engravidei e então estes sintomas pareceram desaparecer. Coisas como caminhar melhoraram bastante, e eu podia escrever de novo, podia digitar de novo. Como estas coisas estranhas aconteceram quando eu estava grávida?
Repórter: Charles, o que foi isso? O que aconteceu?
Charles: O que acontece durante a gravidez, claro, é que o sistema imunológico fica suprimido, por que a mulher está carregando um bebê, que, de outra forma, seria atacado pelo sistema imunológico. Então as atividades da EM reduzem drasticamente durante a gravidez como o resultado da extrema supressão do sistema imunológico. Mas geralmente ele entra em ação novamente. Assim que o bebê nasce, o sistema imunológico fica ativo de novo.
Repórter: as pessoas estão agora gritando para o rádio, sugerindo que agora devemos encher as pessoas com EM de hormônios bons da gravidez, e aí está a solução. Mas obviamente não é tão simples, não é?
Charles: Ou encher pessoas com EM com poderosas drogas que suprimem o sistema imunológico. Estes remédios estão disponíveis, mas como qualquer remédio forte, eles têm efeitos colaterais fortes. Pacientes podem morrer destes efeitos colaterais. Então é muito importante que você use estes remédios nos pacientes que realmente precisam deles, o que nos traz de volta ao problema que já conversamos de variabilidade. Sem saber como uma pessoa estará em alguns anos, é difícil tomar decisões sobre a melhor terapia com remédios.
Repórter: O foco da sua pesquisa agora, Charles, é qual?
Charles: O foco da nossa pesquisa é na Progressão. Não há nenhuma droga para lidar com este problema da degeneração da fibra nervosa que causa debilitação progressiva. Estamos tentando encontrar maneiras de recrutar as células-tronco do cérebro para fazer mielina nova e então reparar o dano que foi feito. O que fizemos foi ligar a nossa pesquisa sobre EM com outra pesquisa acontecendo em Edimburgo sobre células-tronco e biologia regenerativa, para tentar evoluir isto o mais rápido possível.
Repórter: Sendo otimista, o fato que há esta prevalência da EM na população escocesa te dá uma oportunidade brilhante, não é?
Charles: Se vamos entender esta doença em algum lugar, será na Escócia. Nós estamos tentando colocar os pacientes no topo dos esforços da nossa pesquisa. Nós construímos a Clínica de Neurologia Regenerativa Anne Rowling, que foi criada para realmente trazer cuidado e pesquisa juntos em um só lugar. Lá nós trabalhamos muito para entender as doenças dos pacientes individualmente e identificar os pacientes apropriados para o teste clínico que queremos fazer.
Elisabeth: E para mim, minha EM certamente mudou a minha vida, mas é uma doença que assombra vidas, eu acredito que ela mude vidas. Eu sempre achei que se a Escócia é o lugar no mundo com maior predomínio de EM, então com certeza a Escócia pode ser o centro que encontrará a cura para esta condição. …
Elisabeth: então por que não tornar essa coisa negativa, e é negativa, não é uma condição fácil de conviver. Por que não tornar essa coisa negativa em uma coisa poderosa e positiva? Por que não podemos simplesmente encontrar a cura, ou encontrar tratamentos ou fazer a vida das pessoas pelo menos um pouco melhor aqui na Escócia para podermos ajudar outros a conviver com essa condição? Por que não?
Apresentadora: isso seria fantástico não é? Essa foi a jornalista da BBC, Elisabeth Quigley e você também ouviu isso do Professor Charles Ffrench-Constant. Você pode encontrar links para mais informações sobre EM no site do Woman’s Hour e nós retornaremos ao problema de mulheres com EM em uma futura edição do Woman’s Hour. Se você gostaria de entrar em contato sobre este assunto, eu sei que algumas pessoas já fizeram isso pelo Twitter, por favor, nos envie algo, talvez se for algo mais longo mande por e-mail através do nosso site. Nós agradecemos.
Agora Rúgbi escocês é algo, e os fãs da JK Rowling saberão, em que ela é bastante fanática. Na verdade durante o 6Nations estava no seu Twitter que bruxos do mundo inteiro torcem pelo time escocês. É uma velha tradição mágica. Bem, a torcida dos bruxos não fez com que a Escócia vencesse o 6Nations, mas não evitou que JK Rowling escolhesse Rúgbi como um dos assuntos do Woman’s Hour Takeover.
Eu tenho que ser honesta Jô, eu sou praticamente uma fã de futebol. Eu absolutamente amo futebol.
JK: Interessante.
Apresentadora: Você terá que me converter para o time de Rúgbi.
JK: Bem…
Apresentadora: Pode começar.
JK: Eu também era uma fã de futebol. Eu cresci em uma casa onde meu pai e todos os meus familiares homens torciam por futebol. Eu estava acostumada a assistir futebol na TV. E eu realmente gosto de assistir futebol na TV. Só quando eu casei com um escocês que eu fui levada, não completamente no início, ao Rúgbi. E eu acabei, acidentalmente, gostando de Rúgbi e me interessei bastante por Rúgbi. Então há esperança para você! Você pode definitivamente se converter.
Apresentadora: Bem, talvez.
JK: E eu tenho que dizer isso. Eu estava apreensiva na primeira vez que fui a um jogo de Rúgbi e como eu disse na primeira eu não estava com muita vontade de ir. Isso foi há muito tempo atrás. Eu fui pega de surpresa com a diferença entre os torcedores de Rúgbi e os torcedores de futebol. E como uma mulher em um jogo de Rúgbi, é um lugar muito acolhedor. Por outro lado eu me lembro de ir a partidas de futebol em Londres e me sentindo muito intimidada. Então essa foi uma mudança bem vinda.
Apresentadora: Então é um jogo mais violento…
JK: Sim, muito mais. O que acontece no campo é horrível, violento, terrível! Mas enquanto isso está acontecendo no campo, há várias pessoas que alegremente comprarão um copo de cerveja e um pedaço de torta para você e conversarão com você durante toda a noite. É completamente oposto.Eu achei isso muito divertido.
Apresentadora: Jô Rowling, revelando-se em um jogo de Rúgbi com um copo de cerveja e um pedaço de torta. Bem, pela paixão de Jô pelo Rúgbi escocês e pelo fato de que vinte anos atrás, este mês, a Escócia sediou a Copa Mundial de Rúgbi Feminino, nós enviamos nossa repórter Rachel Devine para a final de Rúgbi escocês em Cumbernauld onde homens e mulheres jogaram. E aqui está ela, conversando com Nikki Gasco, que é Meio-Scrum do Broughton.
Rachel: Não parece haver uma distinção entre o Rúgbi feminino e o masculino. Eu sei há algumas diferenças com relação ao dinheiro, mas quando você conversa com os homens, eles parecem gostar dos jogos femininos também.
Nikki: É, eu acho que os homens que jogam, especialmente aqueles que jogam em times onde há um time feminino, eu acho que eles gostam mais. Porque eles veem a gente treinando tanto quanto eles e tendo resultados como eles. Acho que eles veem que a gente se dedica tanto quanto eles.
Rachel: Você acha que quanto mais mulheres começarem a jogar, mais suporte elas terão? O jogo mudará para melhor?
Nikki: Eu espero que sim. É um jogo onde há jovens garotas envolvidas, a mesma coisa que acontece com os homens.
Rachel: Ei Henry, você vai ficar por aqui para ver a final feminina hoje?
Henry: Sim, eu irei. Rúgbi é acessível a qualquer um. Graças a Deus não é um esporte sexista, então deve ser acessível a qualquer um.
Rachel: E é legal ver o jogo feminino no mesmo dia da final masculina?
Henry: Com certeza! Eu acho que essa é a plataforma, a fundação. E eu acho que isso acontecerá mais regularmente.
Apresentadora: Essa foi a nossa repórter Rachel Devine. Agora, o Conselho de Junta da União de Rúgbi Escocês recentemente aprovou novas propostas para tentar aumentar a popularidade dos jogos femininos em toda a Escócia. E agora Heather Lockhart falará conosco. Ela jogou 71 jogos pelo time escocês. Ela também faz parte do Comitê de Campeonato SIU e faz parte do Departamento de Mulheres e Garotas do SIU. Bom dia para você Heather.
Heather: Bom dia! Oi!
Apresentadora: Conte-nos um pouco de seu passado como jogadora, lá pelos anos 90. Como você diria que o jogo mudou?
Heather: Eu acho que eu tive muita sorte de ter assistido o campeonato mundial em 1998 em Edimburgo e foi fantástico! E eu acho que agora, vinte anos depois, o jogo está muito mais popular ao redor do mundo.
Heather: Agora, 20 anos depois, há ainda mais popularidade do jogo no mundo. Há países que ninguém imaginaria que agora estão jogando, por exemplo, Cazaquistão. Eles vão à copa do mundo este ano na França. Então é uma época muito animadora para o rúgbi feminino, particularmente na Escócia onde teremos a oportunidade de conhecer e apresentar o rúgbi de mulheres e de meninas, aumentar sua popularidade e crescer o jogo.
Apresentadora: Acho que você precisa de professores dispostos, animados, e qualificados também, certo? Por que, pelo que sabemos, este pode ser um jogo perigoso, além de ser um jogo complicado, não é?
Heather: É, sim e não. No fim, o jogo feminino e o jogo masculino acabam na mesma. Você só precisa fazer mais pontos na sua posição. Desta perspectiva você só precisa ganhar, assim como no futebol ou em qualquer esporte. Então, nestes termos, você deve mantê-lo simples, e eu acho que quando meninas estão aprendendo o jogo, acho que nós temos que ter certeza que elas têm as habilidades básicas, por exemplo, captura e passe de bola. Há outras pessoas que vêm de outro esporte, é foi assim que eu me envolvi. Eu jogava muito tênis e hóquei, e ainda jogo. E estas habilidades são facilmente transferidas para o rúgbi: captura e passe básicos. Obviamente você deve aprender habilidades de abordagem e contato. E acho que meninas que tentam isto, realmente apreciam os aspectos deste esporte. Foi interessante, e Jô Rowling estava falando sobre isso, a natureza violenta do jogo. Eu não diria que têm violência. Temos sim um desafio, e as meninas têm que entrar em combate, é parte do jogo e elas têm que se preparar para isto Não é uma extensão do que as meninas fazem, nem o objetivo do jogo.
Apresentadora: É ótimo ouvir o entusiasmo na sua voz quando você fala sobre isso, Heather. Muito obrigada por vir ao Woman’s Hour hoje. Heather Lockheart, que jogou 71 vezes pela Escócia, representando eles na União do Rúgbi.
Bom dia, você está ouvindo o Woman’s Hour. Esta é a semana do WH Takeover, e este é o hashtag da semana que você precisa se quiser participar no debate que está acontecendo no Twitter. E nossa editora convidada desta manhã é uma das escritoras mais conhecidas e bem sucedidas do mundo, J.K. Rowling. As estimativas das Nações Unidas dizem que 8 milhões de crianças ao redor do mundo vivem em instituições de caridade. São geralmente chamados de orfanatos ou casa das crianças, porém ao menos 4 de 5 das crianças que moram nestes lugares têm um ou os dois pais vivos. Jô Rowling tornou-se ciente deste problema pela primeira vez em 2004, quando ela estava lendo um jornal de domingo. Foi algo que ela ficou apaixonada, e então eventualmente ela criou uma instituição de caridade, Lumos, para tratar o que ela via como um problema terrível. Ela me disse exatamente o que aconteceu quando ela leu aquele artigo no Sunday Times.
J.K. Rowling: Naquela época eu estava grávida da minha terceira criança, então você sabe, estava mais emotiva do que o normal. Então eu vi uma foto muito chocante de um menininho que parecia estar numa pequena gaiola. E para meu constrangimento, meu instinto me fez virar a página. Eu não conseguia encarar aquela visão. Então eu parei e disse a mim mesma que iria ler o artigo para ver o quão ruim ele parecia, e eu faria algo sobre isso. Então eu li o artigo, era 10 vezes pior do que parecia. O menininho tinha dificuldades mentais e físicas e ele foi literalmente preso em uma gaiola. E foi assim que começou. Eu fundei uma instituição de caridade chamada Lumos. O objetivo era facilitar a mudança de países onde a institucionalização ainda é muito comum.
Apresentadora: Em 2008, claro, você já era um grande sucesso. E eu acho que nesta época você tinha poder. Então você disse que começou a instituição de caridade, você pôde e, sem surpresas, você fez. Mas, claro, isto não é muito frequente, mesmo que nós pensemos que gostaríamos de fazer isso.
J.K. Rowling: Não. Você está certa, eu estou numa posição privilegiada. E eu sei disso, eu quero usar meus poderes para o bem, e não para o mal. Dito isto, a primeira coisa que eu fiz foi escrever cartas, e eu sou muito boa em escrever cartas, na verdade eu trabalhava para a Anistia Internacional, e você pode mudar vidas somente escrevendo cartas, então eu tentei encorajar as pessoas a se envolverem e fazer o que elas pudessem.
Apresentadora: Você já visitou algumas destas instituições?
J.K. Rowling: Sim, já. Foi muito difícil, foi doloroso. Eu me lembro de ser apresentada à um grupo de crianças de 3 anos que me rodearam, eles eram atraídos por qualquer pessoa que mostrasse um pouco de afeição por eles. Eu me lembro de uma pequena garota que se sentou no meu colo, e ficou se agarrando em mim. E ela tinha acabado de ser apresentada à mim. E eu fico emocionada quando falo sobre isso. Quando eu fui para casa, eu nem conseguia falar sobre isso. O que é muito decepcionante sobre isso é que sabemos que estas crianças são do tráfico fora das instituições, e foi dado a mim este terrível, notório e óbvio exemplo de como é fácil fazer isto. Qualquer afeto que você mostre a estas crianças faz com que elas confiem em você. Há outras coisas que eu vi que são terríveis e decepcionantes na mesma instituição, que foram três crianças com paralisia cerebral, que claro, aqui seriam muito bem integradas no sistema de educação normal. Eles passaram sua vida deitados em uma cama, lado a lado. Nenhuma das crianças que estamos falando são órfãs.
JK: Nenhuma das crianças de quem eu estou falando são órfãs. Todas elas têm famílias do lado de fora. Era simplesmente que as famílias delas não tiveram nenhum outro lugar ao qual recorrer. Não houve auxílio social, nenhum auxílio na comunidade. A pobreza é uma das grandes razões pela qual essas crianças chegam a essas instituições. Mais de 90% delas têm pais ou algum relativo próximo.
Apresentadora: Você pessoalmente fundou a Lumus. Fale um pouco sobre o trabalho que esta organização está fazendo no momento.
JK: Muitos países sabem que existe um problema e eles querem trabalhar conosco. Então o que isso significa? Às vezes vamos até a Instituição e avaliamos as necessidades das crianças. Frequentemente suas necessidades não foram supridas na instituição, então estamos tentando encontrar ajuda de um médico especialista. Pequenos grupos em casa, onde se eles não podem retornar às suas famílias, um modelo que atua como um cuidado familiar pode ser organizado. Isso se mostrou ser muito mais efetivo. Também persuadimos os governantes sobre a realidade. O cuidado na comunidade é muito mais barato e muito melhor para as crianças. Então, se eles têm uma família, um sistema social apropriado e cuidado médico lá para ajudá-los, os resultados são muito melhores.
Apresentadora: Com certeza há crianças vivendo em instituições em todo o mundo. Eisso, talvez surpreendentemente, inclui a Europa. Nós enviamos a repórter AnastasiaUspenskaya à Moldávia, o país mais pobre na Europa com maior taxa de mortalidade e com alto nível de desemprego. Lumus nos colocou em contato com uma garota de 14 anos que foi ajudada pela instituição a sair de uma instituição e voltar para sua família. Ela passou um ano morando em um orfanato e se lembra vividamente de como era a vida antes de ter os cuidados, aos 10 anos.
Garota: Minha mãe saiu de casa porque meu pai estava batendo muito nela e ela não aguentava mais. Ela não teve nenhuma escolha. Seu pai também se foi e nós, eu e minhas duas irmãs mais velhas, fomos morar com Garney, a mãe da minha mãe. Mas minha avó não podia nos criar por conta própria e teve que nos mandar para uma instituição. No começo era muito difícil. O principal motivo era porque eu não gostava do nosso conselheiro. Ela não era amável. Basicamente, eu não gostava de nada lá. Eu não fiz grandes amigos de quem sentirei saudades. Havia muitas crianças mal educadas, com maus hábitos e linguagem obscena; eu tentava evitá-las. Eu não gostava da comida! Minha avó cozinha muito melhor, não dá nem para comparar.
Eu chorava todos os dias na instituição. É um mundo completamente diferente. Quando eu penso na casa da minha avó, eu acho que ela poderia ter sido mais paciente, enquanto o nosso caso estava sendo revisado pelas autoridades. Ela apelou a eles, disse que tinha três garotas para tomar conta e pediu suporte a eles. Demorou um ano até o suporte ser fornecido. E agora eu acho que nós poderíamos ter sobrevivido aquele ano sem ter que ir a nenhum lugar. Minha avó não nos visitou enquanto estávamos na instituição. Ela nos acompanhou somente quando nos mudamos para lá. Ela quis ver como o lugar era. Ela não é nova e tem problemas nas suas pernas. É difícil para ela andar muito. Foi uma época muito ruim na minha vida. Eu tenho certeza que é uma época ruim para todas as crianças que têm que ir para uma instituição. Quando eu tiver meus próprios filhos, eu nunca irei dá-los, nem mesmo por um dia, nem por um momento, não importa o que aconteça. Eu nem vou dizer a eles que eu mesma tive que passar um tempo em uma instituição dessas.
Apresentadora: Essa jovem menina está agora vivendo de novo com sua avó. Ela recentemente entrou em contato novamente com sua mãe e está dizendo que um dia gostaria de morar com ela novamente. Em 2006 o governo de Moldávia lançou uma reforma no sistema de assistência residencial infantil. Ele propõe diminuir pela metade o número de crianças vivendo em instituições até 2012. Parece que houve progresso, mas de acordo com a UNICEF, nas informações oficiais há falta de informações específicas sobre o sexo e as deficiências. Nós conversamos com Frauke de Korte, chefe oficial de proteção à criança da UNICEF em Moldávia. Lá ela esteve em três instituições diferentes nos últimos seis meses. Nós perguntamos a ela como eram as condições.
Frauke: Aqueles que estão em cidades, têm água corrente, banheiro fechado, as condições físicas são razoavelmente boas. Mas quando você vai para as áreas rurais, onde alguns outros colegas meus da UNICEF também visitaram, a situação é bem diferente. Algumas instituições nas áreas rurais não têm água corrente, não tem banheiro fechado. Mas o que todas essas instituições têm em comum é que não há muito tempo, competência e consciência para lidar com desenvolvimento emocional dessas crianças. Não há cuidado individual. Quando você vê pesquisas, por exemplo, a varredura do cérebro de crianças que cresceram em um ambiente com cuidados, com total estimulação e você compara eles com crianças de instituições ou crianças que foram emocionalmente negligenciadas, você consegue ver que o cérebro delas é muito menor. Além do mais, crianças que não estão sendo ensinadas sobre nenhuma habilidade para a vida. E com isso eu quero dizer que muitas vezes elas são retiradas da comunidade e da sociedade…
Frauke:eles não têm o conceito de dinheiro e de quanto as coisas custam, eles não sabem como funcionam os transportes públicos. Então quando eles saem das instituições, como adultos ou jovens adolescentes, eles não conseguem lidar com as coisas. Principalmente porque as instituições não estão dando suporte e não estão mantendo o contato com a família biológica. Eles realmente não têm para onde ir. Então é aí que você vê que muitas dessas crianças quando forem adultos serão frequentemente pobres, desempregados ou entrarão no tráfico de drogas ou em conflitos com a lei. Grande parte das crianças nessas instituições é do legado da era soviética, quando o governo era responsável pelas pessoas. Eles não tinham responsabilidade pessoal. Então muitos pais, especialmente os que eram pobres, não eram casadas ou tinham uma criança com deficiência, realmente acreditavam que seria melhor colocar a criança em uma instituição. Eles achavam que os cuidados, a educação, as instalações para saúde o ambiente de convivência seria melhor do que em casa. Eles realmente achavam que estavam fazendo um favor para a criança, dando a eles um futuro melhor. Desde 2006 o governo tem feito bastante. Mas ainda há muito a ser feito. O governo tem que financiar serviços para a comunidade que possibilitem que os pais possam cuidar de seus próprios filhos. Pobreza nunca deveria ser o motivo pelo qual os pais não possam cuidar de seus filhos. Também é necessário um maior esforço em fazer com que as escolas estejam preparadas para acolher crianças com deficiências, porque muitas das crianças em instituições são crianças com deficiência. Então isso ajudaria os pais a manterem seus filhos em casa e ao mesmo tempo as crianças teriam uma educação melhor. Também há uma necessidade para que aquelas crianças que não podem voltar para seus pais biológicos sejam alocadas em orfanatos.
Apresentadora: Esta foi Frauke de Korte que trabalha para a UNICEF em Moldávia. Nós também conversamos com Valentina Buliga que é Ministra do Trabalho, Proteção Social e Família em Moldávia. Por que este país ainda tem tantas crianças vivendo em instituições?
Valentina: A emigração de pais para o exterior, pobreza, famílias destruídas, tudo isso leva ao alto número de crianças em Moldávia que necessitam de cuidados alternativos. Recentemente nós conduzimos uma pesquisa que diz que cerca de cento e cinco mil crianças em Moldávia têm um ou ambos os pais morando e procurando por emprego em outro país. De acordo com dados oficiais seiscentos mil moldávios estão no exterior e essa é uma das causas do grande número de crianças que necessitam do cuidado que você mencionou. E com muita tristeza eu tenho que dizer que no começo deste ano ainda tínhamos três mil oitocentas e oito crianças em instituições residenciais.
Apresentadora: A UNICEF diz que o padrão dessas instituições varia de acordo com o locam onde elas se encontram, cidade ou campo. Eu tenho certeza que isso não pode ser aceitável.
Valentina: Nós temos um padrão de qualidade mínimo para cada serviço. Nosso time de especialistas é cuidadosamente treinado e novas habilidades são ensinadas. É difícil para mim, dizer da onde a UNICEF tirou essa informação. Eu não me surpreenderia se eles tivessem descoberto que oferecemos mais serviços nas cidades. Mas as coisas estão mudando. Agora temos centros durante o dia e centros comunitários até mesmo nas vilas. Este ano nós introduzimos o mecanismo para certificar todas essas unidades de cuidado e isso trará mais ordem ao sistema. Porque nós queremos qualidade para as nossas crianças, estejam elas em cidades ou em vilas.
Apresentadora: E o que acontece com as habilidades de vida? Como estas crianças estão sendo bem preparadas para a vida quando elas saírem das instituições?
Valentina: Eu concordo que o fato de terem sido colocadas sob os cuidados de uma instituição podem ser carregado pelas crianças durante toda a sua vida. Mas agora incluímos em seus currículos algumas habilidades que estão ligadas ao gerenciamento de tarefas da vida diária. Eu não vou excluir a possibilidade de casos individuais que nos preocupam. Eles nos motivam a ter certeza de que as crianças sejam realmente educadas em como se comportar e como ser incluída e integrada à sociedade.
Apresentadora: Claro que em Moldávia não há os recursos necessários para dar o suporte às crianças com deficiência nas comunidades ou nas escolas, então eles acabam indo para os cuidados dessas instituições. Como as autoridades em Moldávia irão fazer as escolas serem mais inclusivas?
Valentina: Este ano nós iremos reformar vinte e seis escolas especiais em nossa república, elas necessitam tornarem-se mais convenientes e acessíveis…
Valentina: Este ano nós iremos reformar vinte e seis escolas especiais em nossa república, que necessitam tornarem-se mais convenientes e acessíveis. Infelizmente nós não tínhamos os recursos para fazer isso anteriormente. Atualmente há cursos de treinamento para professores e assistência especializada sendo realizados nestas escolas. Nós estamos apenas começando a fazer essas coisas, eu não vou negar. Mas não devemos comparar a situação atual com o que tínhamos 7-8 anos atrás. Nós tivemos progresso na República de Moldova.
Apresentadora: Esta foi Valentina Buliga do governo de Moldova. Há informações de Moldova e de outros países que possuem essas instituições de cuidados para crianças em nosso site. Você também encontra mais informações sobre a organização Lumus de Jô Rowling. E também vale a pena dizer que você pode ouvir a entrevista completa com Jô Rowling. Está disponível online desde as 10:45 desta manhã.
Então, agora sobre outro de seus tópicos favoritos, algo que ela apaixonadamente sentiu que deveria ser incluso hoje, sapatos. Vamos escutar por que ela queria ouvir sobre sapatos em seu “Woman´s Hour Takeover”.
Sapatos. Eu aposto… mas eu acho que eu não deveria, porque se eu disser que não existe uma mulher que não se importe com sapatos, nós receberemos e-mails e cartas de pessoas que não se importam.
JK: Que nos repreenderão. E elas dirão que há coisas mais importantes no mundo do que sapatos. E eu concordo! Definitivamente há coisas mais importantes na vida do que sapatos. Tendo dito isso…
Apresentadora: Mas devemos dizer… sim, continue…
JK: Eu gosto de sapatos. Eu muitas vezes me pergunto vagamente, por que mulheres são tão obcecadas por esse tipo particular de vestuário. Eu acho que é incontestável que os sapatos provavelmente vêm em primeiro lugar como sendo um item mitificado, de fetiche, eu diria. Então, eu achei que essa seria uma ótima oportunidade para investigar isso. E eu também estava pensando em com que frequência os sapatos aparecem em histórias e contos de fadas. E novamente, por que isso? Então, qual é o poder e o mito do sapato?
Apresentadora: E particularmente o sapato de salto alto.
JK: Bem, naturalmente sim. Eu não sou fã de escarpã, eu não gosto muito de sapatilhas.
Apresentadora: Você possui algum escarpã?
JK: Eu tenho algumas botas sem salto porque elas são realmente úteis quando você não pode… quer dizer, é meio engraçado, mas você tem que poder passear com o cachorro. E eu passeio com o cachorro, e não faço isso com um salto agulha.
Apresentadora: Ela faz grandes perguntas como eu. Você possui escarpãs? Isso é jornalismo para você. Comigo a historiadora fashion Caroline Cox e a designer de sapatos Georgina Goodman. Sejam bem vindas. Obrigada por terem vindo. Então, Jô Rowling tem razão, Caroline?,Objetos de fetiche, mitificados, por que sapatos são tratados dessa maneira?
Caroline: Bem, eu acho que é porque eles são nosso primeiro contato com o chão. Então você é enraizada pelos seus sapatos. Você tem que usar sapatos, esse é o aspecto prático. Mas há também o aspecto meio mágico eu acho. Quando você percebe a maneira como os sapatos aparecem em contos de fadas, por exemplo, o sapato de cristal de Cinderela. Há uma diferença real entre sapatos masculinos e femininos nos contos de fadas. Para os homens eles são poderosos. Você tem as Botas de Sete Léguas, você pode caminhar ao redor do mundo. Para as mulheres eles parecem ser um símbolo da maturidade sexual, como Os Sapatos Vermelhos. Você tem Karen, que desobedientemente usa seus sapatos vermelhos na sua primeira comunhão. E ele é espiritualmente punida com seus sapatos fugindo com ela. Ela não consegue controlá-los. Ela entra em uma floresta escura e densa.
Apresentadora: E todos nós sabemos o que acontece em florestas escuras e densas.
Caroline: É, exatamente! E a única maneira de barrar o controle de seus sapatos vermelhos em sua sexualidade e desobediência, é cortando os seus pésfora.
Apresentadora: Georgina, você e sapatos. Quando você teve seu primeiro contato com sapatos?
Georgina: Bem, não há uma época que eu consiga lembrar em que eu não tenha sido absolutamente apaixonada por sapatos. Em 1978 meus pais me deram um livro, um livro da Cinderela, e eu realmente acho que a partir daquele ponto eu fiquei muito interessada no poder dos sapatos. Eu vasculhava o guarda-roupa da minha mãe, eu brincava de loja de sapatos. E não demorou muito para eu perceber que eu podia fazer uma carreira fazendo e vendendo sapatos.
Apresentadora: Criando sapatos, como você tem feito. Eu acho que a tecnologia demorou bastante para alcançar a imaginação, no que diz respeito a sapatos, Caroline. Porque cartas ainda eram escritas, não é, antes deles poderem ser fabricados.
Caroline: Totalmente! Eu acho que o mais interessante sobre o salto alto é que originalmente os saltos altos eram usados por homens. Era uma maneira de manter o seu pé no estribo quando você estivesse cavalgando.
Apresentadora: Qual século é esse?
Caroline: Nós estamos no século XVIII. Ao final do século XIX os sapatos de salto alto eram exclusivamente femininos. Quanto mais alto o salto, mais sexualmente ele era considerado. Quando você olha fotos antigas que retratam fetiche, principalmente as ilustrações das décadas de 20 e 30, os saltos eram espetacularmente altos, mas não havia tecnologia para fazê-los. Somente na década de 50 o salto alto com base de metal foi desenvolvido. Os saltos altos podiam atingir a altura e a fineza que as pessoas queriam.
Georgina: Então saltos poderiam atingir a altura e a magreza que as pessoas queriam.
Apresentadora: O que realmente me intriga Georgina é a ligação entre a dor e os sapatos sensuais e de estilo. Por que as mulheres continuam aguentando isto?
Georgina: Eu acho que a sua tolerância à dor aumenta. Então nós separamos os sapatos: estes são sapatos que consigo usar por uma hora, estes por duas horas e estes por três horas. Então você tem estes sapatos diferentes no seu guarda-roupas para usar por razões diferentes. Existem sapatos que você nunca usa, e sapatos que você só usa no quarto. E todas nós temos eles em nossos guarda-roupas.
Caroline: Eu acho que só posso falar dos sapatos confortáveis, e o fato de que o ser humano não usaria algo desconfortável, neste ou em outro departamento de alfaiataria.
Georgina: Bem, toma bastante tempo para amaciar um sapato feito à medida. Quando você tem um par de sapatos feito para você, sapatos feitos à medida, você ainda tem que amaciar o couro. E há uma certa quantia de bolhas que você vai ter para que você possa amaciar aquele sapato.
Apresentadora: Claro.
Georgina: E homens usam sim salto alto, mas eles usam salto alto que têm uma conotação durona, como a bota de cowboypor exemplo.
Apresentadora: Temos que concordar. Tenho certeza que conhecemos as pessoas de quem estamos falando. Obrigada Caroline, obrigada Georgina por terem vindo esta manhã. Mary Twist acabou de dizer “Estou me acostumando com a Rádio 4, demorou um pouco, estou aprendendo a amá-la”. Sim, é como usar um par de sapatos novos, acabamos de explicar que você tem que gastar algumas horas com ele. Obrigada vocês duas por terem vindo. Então é isso neste primeiro Woman’s Hour Takeover. Hoje nossa editora foi a J.K. Rowling. Há muito mais sobre a Jô online agora, que nós não tivemos tempo de incluir no programa de hoje. Procure por Woman’s Hour Takeover e J.K. Rowling, e você poderá encontrar 30 minutos da J.K. Rowling falando sobre seu desejo de fazer o bem ao mundo e como isto refletiu na sua personagem Hermione, além de suas reflexões sobre os benefícios das falhas, e ela se abre sobre as inseguranças em sua vida quando ela era uma adolescente.
J.K. Rowling: Eu olho para trás quando eu tinha 16 anos e eu queria que eu tivesse me dado mais folga naquela época tão difícil. Há muita pressão sobre você, vindo de todo mundo, para ser alguém na vida. Você tem que descobrir quem você é. Há uma citação famosa de Dolly Parton que diz “Faça isto de propósito”.
Apresentadora: Jo, muito obrigada por ser nossa editora na inauguração do Woman’s Hour Takeover. Agradecemos pelo seu tempo e todos os assuntos interessantes que você abordou no decorrer do programa. Amanhã nossa editora convidada será Kelly Holmes, e depois teremos a escritora Naomi Alderman, Doren Lawrence na quinta-feira e Lauren Laverne na sexta-feira. Então você iniciou brilhantemente nossa semana, muito obrigada.
J.K. Rowling: Foi um prazer. Estou muito honrada de estar numa empresa tão distinta.
Apresentadora: J.K Rowling. Vá ao nosso site se quiser ouvir a entrevista completa com ela. Agora o drama Le Donne, situado na moderna Nápoles. Caterina Riccardi descobriu que seu marido Franco é um membro chave da máfia neopolitana. Com Franco na prisão, aguardando o julgamento, Caterina foi forçada a matar o recém chegado para proteger o seu filho. Mas ele também foi morto. Agora, com a ajuda de Salvatore, o conselheiro mais próximo de seu marido, ela tem que enfrentar as consequências. Episódio 1 de Le Donne.

Transcrito e revisado por: Aline Michel, Bruna Lopes, Orley Lima em 2014.
Postado por: Pedro Martins em 30/07/2014.
Áudio em inglês disponível em: BBC Radio 4.



 
 
 
 
 
 
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