Rowling, Joanne Katheleen. “Lutar em uma batalha que nunca será vencida”. Discurso de aceitação do Prêmio Príncipe das Astúrias, 25 de outubro de 2003.
“Foi uma grande surpresa e uma honra ainda maior para mim quando eu soube que tinha recebido o Prêmio Príncipe das Astúrias. De fato, eu não pretendia ensinar ou pregar para crianças. Na verdade, eu acho que, salvo raras exceções, a literatura de ficção faz as crianças perderem o interesse quando o autor está mais focado em ensinar lições de moral para seus leitores do que em cativá-los com seu conto.
Contudo, eu sempre acreditei que os livros de Harry Potter são altamente éticos. Eu queria retratar a ambigüidade de uma sociedade onde intolerência, crueldade, hipocrisia e corrupção são freqüentes, então eu conseguiria mostrar melhor quão heróico pode ser, não importa a sua idade, lutar em uma batalha que nunca será vencida. Eu também queria refletir o fato de que a vida entre os 11 e os 17 anos pode ser difícil e confusa, mesmo se alguém tiver uma varinha mágica.
Eu comecei a escrever há 32 anos e nunca quis ser outra coisa além de escritora. Quando eu era criança eu me perdia nos meus livros, que eram coisas essenciais para mim, e minha apreciação por eles cresceu com o tempo. As crianças precisam de contos porque elas precisam testar suas imaginações, provar por elas mesmas as idéias de outras pessoas, viver outras vidas, mandar suas mentes para lugares onde seus corpos ainda não são maduros o suficiente para irem. Não há filme, programa de TV, jogo de computador ou videogame que possa simular a mágica que existe quando a imaginação de um leitor se encontra com a de um autor para criar um mundo privado e único.
O Prêmio Príncipe das Astúrias significa muito para mim por celebrar o aspecto dos meus livros de que estou mais orgulhosa: o fato de que tantas crianças, vindas de circunstâncias e condições tão diferentes, tenham escolhido seguir Harry pelos seus cinco anos em Hogwarts até agora. É por isso que eu vou doar o dinheiro desse prêmio para a Associação Internacional de Leitura dos Países em Desenvolvimento, que promove a literatura por todo o mundo”.
Traduzido por: Thiago de Freitas Pereira em 30/07/2006.
Revisado por: Patrícia Abreu em 01/05/2007 e Vítor Werle em 03/03/2008.
Postado por: Fernando Nery Filho em 30/04/2007.
Entrevista original no Accio Quote aqui.