Jones, Malcolm. “Porque Harry é quente” Newsweek, 17 de Julho de 2000

Com o balançar de uma varinha, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, é o livro mais rapidamente vendido na história. Atrás do frenesi e da questão mais persistente do que faz um clássico. J.K. Rowling jura que ela nunca esperava isso. Nos seus maiores sonhos, ela não achava que seus livros de Harry Potter agradariam mais que um punhado de leitores. “Eu nunca esperei que muita gente fosse gostar deles”, ela insistiu numa entrevista recente para NEWSWEEK. “Bem, acabou que eu estava muito errada, obviamente. Acertou em cheio um enorme número de pessoas”.

ISTO É DISCUTIR O ASSUNTO brandamente. Com 35 milhões de cópias impressas, em 35 lí­nguas, os três primeiro livros de Harry Potter ganharam estimando moderadamente $480 milhões em três anos. E esse é só o começo. Com a primeira impressão de 5.3 milhões de cópias e encomendas chegando a 1.8 milhões, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, a quarta parte da série, promete quebrar todos os recordes de vendas. Jack Morrisey, 12, de Wellesley. Mas, fala por toda uma geração de leitores quando diz, “Os livros de Harry Potter são como a vida, só que melhores”.

Com os olhos vermelhos e enrugados, eu concordo com Jack. O maior elogio que eu poderia fazer a “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é dizer que, do iní­cio ao fim, me fez querer ficar acordado a noite inteira ou até eu terminar de lê-lo. Rowling melhora a cada livro, e dessa vez as coisas se passam tão suavemente que a história não parece ter sido escrita, mas sim que se desenrola por si própria.

Cada um dos livros da planejada série de sete volumes acompanha Harry durante um ano acadêmico na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Mas dessa vez Rowling nos deu tantos elementos novos que você nunca pára de ouvir as engrenagens por trás das cenas. Depois de um cenário esplêndido, próximo do i­nício, quando Rowling manda todos para a Copa Mundial de Quadribol, o verdadeiro enredo começa com o Torneio Tribruxo, que será organizado entre três escolas de magia, incluindo Hogwarts.

Enquanto isso, Lord Voldemort, um bruxo perverso que matou os pais de Harry quando Harry era bebê, está novamente à espreita. Surpreendentemente, Rowling mantém suas linhas de conspiração claras até o final, quando ela junta tudo numa conclusão cataclísmica. Pelo puro poder da narrativa, esse é o melhor livro de Harry Potter até agora.

Tí­tulo: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Data de Publicação: 1998
Enredo: Conheça Harry, o órfão forçado a viver debaixo das escadas com parentes que o odeiam. A aventura começa quando Harry faz 11 anos, e uma coruja manda-lhe um convite para estudar na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Lá ele descobre que seus pais não morreram num acidente de carro, mas foram mortos pelo terrí­vel feiticeiro Lord Voldemort. O próprio Harry é uma lenda no mundo bruxo por ter sobrevivido ao ataque, mas outra luta com o assassino de seus pais é inevitável.
Momento Memorável: Os feijõezinhos mágicos que vêm em sabores variando desde morango até sardinha até… cera de ouvido.

Tí­tulo: Harry Potter e a Câmara Secreta
Data de Publicação: 1999
Enredo: Quem ou o que está transformando os alunos de Hogwarts em estátuas? E que segredo terrí­vel está escondido numa câmara que deveria estar selada por toda a eternidade? No segundo volume da série, Harry tem que enfrentar estes mistérios para salvar seus amigos e ele mesmo. Felizmente, nosso herói tem tempo para jogar Quadribol, aprender novos feitiços e bater um carro voador no indestrutivel Salgueiro Lutador.
Momento Memorável: Encontros com a Murta-Que-Geme, a fantasma chorona que espreita nos canos do banheiro das garotas.

Tí­tulo: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Data de Publicação: 1999
Enredo: Harry está no seu terceiro ano na mágica Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts e desta vez ele está enfrentando a ameaça de Sirius Black, um assassino que escapou da notória prisão de Azkaban. O mundo bruxo não sabe como Black escapou dos Dementadores, os guardas sem face cujos beijos selam um destino pior que a morte, mas se acredita que Harry está correndo risco de vida sob a ameaça do homem que dizem ser o braço direito Daquele- Que- Não- Deve- Ser- Nomeado. Uma história cheia de reviravoltas, lobisomens, passagens secretas e ratos de estimação que não são o que aparentam.
Momento Memorável: A horrí­vel Tia Guida inflando feito um balão monstruoso e flutuando acima do telhado por ter dito coisas ruins sobre Harry.

Quando o livro finalmente começou a ser vendido às 12:01 da manhã no Sábado, milhares de crianças na Inglaterra, Grã-Bretanha e América do Norte correram para obter suas cópias. Livrarias sediaram festas do pijama, contrataram feiticeiros e serviram cookies e ponche, mas ninguém precisou levantar o ânimo destas multidões.

Na Feira do Livro em Winnetka, Ill., clientes fizeram tanto barulho com tanta felicidade que os vizinhos chamaram a polí­cia. Na Borders em Charlotte, N.C., Erin Rankin, 12, rapidamente folheou para o final do livro assim que pés, mãos em sua cópia. “Eu ouvi que um personagem principal morre, eu quero quem é”, ela disse.

Minutos depois ela desiste. “Eu não posso fazer isso. Eu não posso ler o fim primeiro”. Em todos, um grande ní­vel de excitamento por um mero livro. Mas ao mesmo tempo pareceu tão anticlimático, por que meses de planejamento pelos publicitários de Rowling foram por água abaixo no momento.

Numa campanha carregada de segredo num ní­vel suficiente para fazer uma Operação de Comando com inveja, os publicitários tiveram sucesso em manter o conteúdo do quarto livro quase completamente secreto. Até mesmo o tí­tulo foi guardado a sete chaves antes da publicação. Imprimidores e encadernadores tiveram que jurar segredo.

Vendedores de livros tiveram que prometer não abrir as caixas contendo a nova história, que veio com um selo dizendo Harry Potter IV, não deve ser vendido antes de 8 de Julho de 2000. Trocadilhos à parte, as histórias de Rowling são provavelmente os melhores livros que as crianças já encontraram e que não foi imposto pelos adultos.

Eu invejo as crianças que leêm estes livros, pois não havia nada tão bom quando eu era criança, não tão bom, eu quero dizer, que nós tivéssemos achado por nós mesmos, do jeito que as crianças estão achando Harry.

Nós lembramos afetivamente dos Hardy Boys e de Nancy Drew, mas tente reler eles e verá que o charme se dissipará rapidamente. Rowling pode não ser tão majestosa quanto Tolkien ou ardilosa como Dahl, mas seus livros introduzem leitores inexperientes num ní­vel muito alto de entretenimento.

Com três livros por serem escritos para a série, é muito cedo para um julgamento final. Mas considerando o que já vimos até agora, especialmente no ultimo volume, Harry Potter tem todas as marcas de um clássico.

Com Ray Sawhill em Nova Iorque, Carla Power em Londres, Karen Springen em Chicago, Andréa Cooper em Charlotte e Hope White Scott em Boston.

Traduzido por: Luiza Ladwig em 20/08/2006
Revisado por: Virag Venekey em 25/04/2007 e Antônio Carlos de M. Neto em 22/03/08
Postado por: Fernando Nery Filho em 29/04/2007
Entrevista original no Accio Quote aqui.