Phillips, Mark,”Tempos dificeis esperam por Harry Potter”, CBS News, 8 de julho de 2000.

(CBS) J.K Rowling diz que quando escreveu o primeiro livro da série de Harry Potter, sentada no Nicolson’s Café em Edimburgo, de maneira alguma ela esperava ganhar dinheiro. Ela disse ao correspodente do CBS News, Mark Phillips, que um jornalista uma vez presumiu que ganhar dinheiro era o motivo da escritora.

“Isso é besteira. Eu sabia totalmente o que envolvia escrever um livro para crianças. E que isso não envolvia dinheiro, realmente, de maneira nenhuma. Muitos escritores de livros bons para crianças que eu conheço têm outros trabalhos.”

Embora Rowling esteja mais que impressionada com seu sucesso, ela acha que sabe porque a série de livros sobre o jovem bruxo órfão atrai as crianças.

“É uma fantasia muito comum para crianças: ‘Essas pessoas chatas não podem ser meus pais. Eles não podem ser. Eu sou muito mais especial que isso.'”

“Quase todo mundo que eu conheço passou por isso,” ela diz.

Lendo os livros, diz Rowling, “Você não somente está saindo dessa vida chata, mas também se tornando realmente especial. Você não é somente mágico, mas você também é famoso.”

Rowling diz que a vida se torna “mais cruel” para Harry e seus amigos a partir do quarto livro.

“As coisas estão ficando mais sombrias, definitivamente, e pessoas vão morrer,” ela diz, de maneira preocupante.

“Quando eu conto às crianças isso, todas elas dizem, ‘Não mate Ron!’ Ninguém se importa com a Hermione,” ela diz com tristeza. Rowling disse no passado que Hermione é a personagem mais parecida com ela.

As crianças da série ficam mais velhas a cada livro, e Rowling diz “parte da razão de ser tão divertido escrever é que eles estão descobrindo seus hormônios. E eles estão sobretudo se apaixonando pelas pessoas erradas, justamente para parecer mais natural.”

Rowling não previa que seus livros iriam despertar tamanho interesse em ler entre as crianças. “Mas não tem nada melhor do que isso, tem? Isso é a coisa mais incrí­vel,” ela diz.

A vontade de estar entre os primeiros a comprar o quarto livro, Harry Potter e o Cálice de Fogo, estimulou as visitas dos leitores avidos no sábado em muitos locais dos Estados Unidos e da Inglaterra. O livro novo começou a ser vendido no minuto em que o relógio bateu meia-noite, e os fãs estavam esperando por isso há meses.

Sem escola para se preouparem, milhares de pais e crianças esperaram na porta das livrarias à batida de meia-noite, com bizarras tochas marcando a atmosfera da festa em evidência praticamente em todos os locais.

Em Oklahoma, fãs jovens e adultos de Harry Potter estavam vestidos como bruxas, bruxos e duendes. Os lanches -torradas de bruxo e suco de abobora- foram atrações a mais para os verdadeiros fãs, que devoraram sem hesitar, conhecendo as coisas em questão tanto quanto torrada e suco de maçã com balinhas de goma.

Em Atlanta, Jason Lathbury de 6 anos estava no meio da multidão vestindo um pijama enquanto esperava para pegar o livro.

“Eu realmente gosto de Harry Potter. Ele me lembra dos meus amigos. Quando eu estou sozinho, ele me faz feliz. Ele é meu amigo imaginário,” diz Jason, acompanhado por seu pai e um amigo para a festa na Chapter 11 em Ansley Mall.

Na Inglaterra, uma livraria do centro de Londres fez uma festa de pijama para as crianças e seus pais.

Os vendedores dizem que não eram somente crianças correndo para comprar os livros do jovem bruxo órfão e sua batalha contra o mal em um fatástico, mundo paralelo invisível para “trouxas”- quer dizer, pessoas normais.

“Eles vendem que nem bolo quente,” disse Brigitte Bunnell da livraria Hatchards. “Eles estão literalmente desaparecendo das prateleiras. E não são somente crianças que lêem. Adultos também – nós tivemos leitores de 8 a 80 anos nas nossas lojas na noite passada.”

Como sempre, houveram alguns rebeldes e discontentes.

In Columbus, Ohio, Sally Oddi, proprietario da livraria Cover to Cover, escolheu passar a chance de ter uma festa da meia-noite. Oddi chama a festa de meia-noite de loucura e diz que ela não quer que a popularidade de Harry Potter seja uma coisa passageira como Beanie Babies – que é, uma moda que vende muito e depois desaparece.

Isso não significa que Oddi está fora do grupo totalmente. Ela pensa que os pais deveriam encorajar seus filhos a ler o novo livro e ela concordou em abrir sua loja uma hora mais cedo, às 9 da manhã, para vender os livros que ela possuir. Isso inclue 250 cópias para clientes que pagaram adiantado.

Então há o caso de Tom Schuppe, o dono independete de uma livraria em Stockton, California, o qual o nome evidentemente será lembrado por editores, vendedores de livros e seus fregueses.

Enquanto as vendas dos livros de Harry Potter não eram para começar antes de Sábado, Schuppe teve sua própria maneira de interpretarar como as coisas deviam ser.

Ele colocou os livros à venda na noite de quinta-feira, vendendo algumas cópias então, e mais 40 – seu estoque completo – na próxima manhã. “Nós abrimos às 10 da manhã às 10:05 da manhã, eles já tinham acabado,” diz Scuppe.

A maioria das livrarias assinaram contratos com as editoras proibindo-os de vender os livros ou divulgar qualquer detalhe sobre eles antes de sábado.

Schuppe diz que ele nunca assinou tal contrato.

Livrarias de todo lugar, tanto na internet quanto as clássicas de tijolo e cimento, experam que o novo livro quebre os recordes de vendas. Sábado, Amazon.com já havia recebido 400.000 pedidos, um novo recorde na venda de protudos pela internet.

Barnes and Noble (uma rede de livraria americana) tinha 360.000 pedidos antecipadamente e espera quebrar os recordes de venda no primeiro dia e na primeira semana de qualquer livro na história da compania.

“Nós vendemos 114.000 livros em somente 60 minutos nas nossas lojas. On-line, nós vendemos 93.000 livros,” diz Mary Ellen Keating, vice presidente da Barnes and Noble. “Então no final desse fim de semana, nós já teremos vendido mais de 500.000 livros.”

Rowling esta entimidada com sua fortuna. “Eu estou impressionada – pense em uma palavra forte e duplique,” Rowling diz na estação King’s Cross em Londres, onde ela embarcou em num Expresso de Hogwarts especial para promover o livro.

No dia, a plataforma foi chamada 9 3/4 – como o ponto de partida das ficcionais aventuras de seu jovem bruxo.

Com 734 páginas, Harry Potter e o Cálice de Fogo é duas vezes maior que o livro anterior.

“Este foi o mais difí­cil de escrever até agora – é um longo livro,” ela diz. “É a culminação de 10 anos de trabalho. Havia muita pressão externa dessa vez. Eu sabia que iria ser maior que o terceiro, mas eu fiquei surpresa com quão longo acabou ficando. Ele é tão longo quanto é preciso para contar a história,” ela diz.

Jovens leitores ao pegarem as primeiras copias não pareceram nada assombrados pelo tamanho. Chloe Castenguay disse que valeria o trabalho, “porque isso é Harry Potter e isto, é, como o melhor livro no mundo.”

Com um novo filme sendo esperado para 2001, a renda de Harry Potter pode chegar à $1 bilhão.

Um conto de escritora
O correspondente de notí­cias da CBS Mark Phillips informa:

O lançamento na Inglaterra do quarto livro de J.K. Rowling foi tão imaginativo quanto o mundo que ela criou.

Na estação de Kings Cross em Londres, ela chegou para pegar um velho trem a vapor que esperava na incomum plataforma nove e três quartos, como o próprio Harry Potter faz quando vai para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Ver Rowling hoje é ver uma pessoa com a própria história tão mágica quanto a de Harry Potter.

Rowling hoje é facilmente a autora que mais vende no mundo, a primeira impressão deste livro na Grã-Bretanha e nos EUA vendeu inacreditáveis 5.3 milhões de cópias.

Parece que foi a muito tempo atrás e muito longe que Jo Rowling era uma pobre mãe solteira, escrevendo nos cafés de Edimburgo, dando vida a um personagem que, ela explicou em uma entrevista algum tempo atrás, que havia vindo para ela antes em um viagem de trem.

“Eu de repente pensei ‘escola de bruxaria’, e eu gostei muito da idéia, eu realmente gostei,” disse Rowling.

O brilho da idéia central de Rowling foi imediatamente aceito pelos leitores – que há um completo mundo ao redor de nós que pessoas não-mágicas ‘trouxas’ como adultos não podem ver, mas crianças podem.

Rowling saiu da pobreza para ser uma milionária. E em uma era de jogos de computador e televisão, ela enriquece as vidas de uma geração usando um estranho e antiquado dispositivo: o livro.

Traduzido por: Lucas Emmanuel em 12/10/2006
Revisado por: Virag Venekey em 19/04/2007
Postado por: Fernando Nery Filho em 29/04/2007
Entrevista original no Accio Quote aqui.